Quem ganha comemora e quem perde explica

“Famílias felizes são todas parecidas; cada família infeliz é infeliz do seu próprio jeito”. Esta é uma das aberturas de texto mais famosas da história […]

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Quem ganha comemora e quem perde explica

“Famílias felizes são todas parecidas; cada família infeliz é infeliz do seu próprio jeito”.

Esta é uma das aberturas de texto mais famosas da história da literatura. Vem de Anna Kariênina, de Liev Tolstoi.

A frase em si é originalíssima, e tem tudo a ver com o enredo do livro. Mas a ideia de começar a escrita já dando um choque no leitor foi inspirada em Púchkin.

Se Tolstoi roubou algo de Púchkin, eu me dou o direito de roubar algo de Tolstoi.

“Ativos lucrativos são todos parecidos; cada ativo no vermelho é um prejuízo do seu próprio jeito”.

Na sabedoria do futebol, isso equivale à máxima: quem ganha comemora e quem perde explica.

Aproveito a Copa para avaliar as mesas redondas. No fim das contas, se um time ganha, é porque ganhou, foi melhor, ponto. Se perde, surgem instantaneamente trezentas explicações.

Sem carecer de motivos epistemológicos, é mesmo ótimo comprar uma ação para vê-la disparar +28,73% nos primeiros 30 dias de investimento.

Eu sei disso porque me aconteceu, justamente com a primeira ação que eu comprei na vida, aos 18 anos de idade.

Aliás, um lixo de ação.

Mas e daí? Se subiu, subiu! Eu ganhei dinheiro. Por que deveria ter algo crítico a amadurecer com aquela experiência?

É óbvio que eu deveria, mas não quis. Não fui estimulado a aprender coisa alguma. Estava sob torpor, graças aos extraordinários +28,73% em 30 dias.

Então me veio uma enorme decepção com um IPO que não decolou.

E outro enorme equívoco, por crer num turnaround miraculoso.

E mais uma estupidez, ao apostar precocemente na alta do dólar.

Etc…

Acumulo assim minhas trezentas explicações para trezentos erros que cometi, enquanto aguardo os próximos setecentos.

Todos foram dolorosos para o bolso e para o ego, cada um do seu próprio jeito.

Adoro a ideia de viver renda, mas vivo, acima de tudo, dos meus tropeços.

Desde os 18 anos de pura ingenuidade, aprendi a respeitar e admirar aqueles poucos financistas que falam abertamente de seus erros, emprestando-lhes mais ênfase do que aos acertos.

Alguns têm ainda a coragem de documentá-los publicamente, em papel impresso, para que sirvam aos investidores interessados em não repetir as cagadas de outrem.

É o caso de Ray Dalio, em seus Princípios.

Esse livro, que virou best seller instantâneo nos EUA, compartilha fundamentos da própria criação da Empiricus.

Tanto é que decidimos trazê-lo em primeira mão ao Brasil, traduzido para o português, antes de chegar em qualquer livraria nacional.

Gravei aqui quatro pequenas aulas sobre nossa paixão pela leitura e, mais especificamente, sobre como ter acesso aos Princípios de Ray Dalio.

A quem possa interessar, os vídeos ficam no ar até terça-feira.

Aproveite o domingo e o feriado (no caso dos paulistas) para assisti-los.

Desconfio que os graves erros passados de Ray Dalio podem virar um enorme acerto para os seus investimentos.