Sobre barreiras de defesa feitas com os seus ossos mortais

Traumas fazem parte da vida de todo investidor. Se você quer começar a investir acertando 100% das apostas, vai se decepcionar, vai se machucar feio. […]

Traumas fazem parte da vida de todo investidor.

Se você quer começar a investir acertando 100% das apostas, vai se decepcionar, vai se machucar feio.

A maior das dores a posteriori (a grande dor da falência) é a incapacidade de aceitar pequenas dores a priori.

Na impossibilidade fisiológica de ter muitos acertos, bastam poucos grandes acertos dentre muitos pequenos erros.

É fácil falar. Mas, para construir essa mentalidade, precisamos empilhar atos estúpidos ao longo dos anos; colecionar erros e erguer com eles nossas barreiras de defesa.

Deixe eu lhe falar um pouco mais sobre barreiras de defesa.

Muito tempo atrás, à medida que os principais vilarejos chineses iam se transformando em cidades, muros altos eram levantados em seus perímetros, com os acessos de entrada e saída concentrados em portões imponentes.

Esses portões não cumpriam apenas a função regular de trânsito de pessoas ou mercadorias. Eles tinham um significado mais profundo.

A população local acreditava que a Alma da cidade era guardada do lado de dentro dos portões.

Se você visitar a China moderna – a mesma da Guerra Comercial com os EUA -, ainda vai encontrar várias dessas estruturas à margem das metrópoles.

Sabe como os portões chineses eram reforçados?

Homens e mulheres, idosos e crianças empurravam carrinhos de mão até os antigos campos de batalha e recolhiam os ossos ali enterrados.

A julgar pelo histórico de guerras da China (Trump é só mais um capítulo), não era difícil encontrar um campo de batalha próximo à cidade, repleto de bons ossos.

À entrada da perímetro urbano, enquanto os longos portões eram construídos, empilhavam-se e encaixavam-se os ossos no âmago da estrutura, um a um.

Isso era feito no sentido mítico de que os bravos soldados mortos em batalha ajudariam a proteger a Alma da cidade por meio de seus ossos eternos.
Investir é a mesma coisa.

Você junta seus ossos, você constrói seus portões.

A arquitetura financeira não pertence ao mundo dos vivos, que estão sempre se orgulhando, acertando 100% de seus trades.

Uma estratégia genuína de investimentos exige um certo tipo de batismo capaz de conectar o mundo dos vivos com o mundo dos mortos, de forma que suas muitas decisões erradas protejam e possibilitem algumas poucas decisões certas.

PS. Se ainda não o fez, lembre-se de baixar o novo app da Empiricus, disponível em Android ou iOS. Lá você encontra meu Audiobook “Do que você precisa para se aposentar?”.

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