Vamos ensinar o Mbappé a simular faltas?

Há duas formas de ganhar dinheiro com ações. A primeira, mais popular, implica vender a ação por um preço maior do que seu valor de […]

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Vamos ensinar o Mbappé a simular faltas?

Há duas formas de ganhar dinheiro com ações.

A primeira, mais popular, implica vender a ação por um preço maior do que seu valor de compra.

Essa diferença entre o que se receberá na saída e o que se pagou na entrada é chamada tecnicamente de “ganho de capital”.

Toda vez que um investidor lucra em cima dessa diferença positiva, restam impostos a pagar.

Pela regra vigente, o tributo típico é de 15 por cento sobre o lucro – salvo isenção para vendas de até 20 mil reais dentro de um mesmo mês.

A outra forma de ganhar dinheiro é com os dividendos distribuídos pela empresa investida.

Nesse caso, não existe imposto adicional a se pagar, pois a regra leva em conta que a própria empresa já arcou com todos os tributos até chegar ao ponto de distribuir seus lucros.

O valor gerado por uma companhia listada é sempre um só, independentemente de manifesto por meio de ganho de capital ou dividendos.

Contudo, a segunda via (dividendos) é beneficiada por uma compreensão fiscal que, inconsistentemente, não se estende à primeira via (ganho de capital).

Ao longo dos próximos meses, você ouvirá candidatos à Presidência – e respectivos ministros da Fazenda – ponderando uma nova tributação sobre dividendos.

Ocorre de fato uma distorção, mas ela é pelo excesso de culpa atribuído aos ganhos de capital, e não por perdão aos dividendos.

Tributar nossos dividendos seria o mesmo que equiparar a importância de Neymar e Mbappé no PSG ensinando o francês a simular faltas e cair dando piruetas.

Se tivéssemos que achar uma solução mais sensata, ela descontaria em 15% os dividendos tupiniquins apenas se condicionada a desonerar várias das fontes de geração desses dividendos.

Um ato isolado de tributar dividendos – empilhando mais um imposto em cima de tantos outros – seria um tiro no pé de um futuro presidente, pois mexeria na ferida dos empresários e acionistas nacionais.

Ainda assim, hoje o mercado tem medo de que essa “empilhada” aconteça – na verdade, é o medo da inconsequência de políticos que não pensam antes de agir.

Eu entendo e respeito esse medo; só acho que está sobreavaliado na atual precificação dos ativos geradores de renda.

A Selic caiu e as Vacas Leiteiras da Bolsa melhoraram muito operacionalmente. Porém, suas cotações continuam espelhando um mundo de Selic alta e margens comprimidas, em parte por causa do medo subjacente de uma canetada nos dividendos.

Se quisermos ficar ricos investindo, precisamos desafiar temores infundados do imaginário coletivo.

Se a canetada vier, temos pouco a perder. Se ela de fato não vier, temos muito a ganhar com estas ações que distribuem renda.

Até a próxima!