Você prefere tecnologia ou lucro?

Sei que estamos todos empolgadíssimos com o mundo digital. Não ouço conversas de bar sobre o renminbi ou sobre a lira turca, mas apenas sobre […]

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Você prefere tecnologia ou lucro?

Sei que estamos todos empolgadíssimos com o mundo digital.

Não ouço conversas de bar sobre o renminbi ou sobre a lira turca, mas apenas sobre a nova era pós bitcoin.

Enquanto a Camil é listada na Bolsa brasileira, a Stone vai para a Nasdaq.

Sou grande fã da Stone, inclusive como cliente. É simplista imaginar que se trata estritamente de um caso de tecnologia. A inteligência logística e os human skills do atendimento são igualmente destacáveis. Os fundadores são pessoas brilhantes.

Ao mesmo tempo, minha ontologia de rodar peão na rua e pisar em merda de vaca me obriga a lembrar que arroz com feijão enche barriga.

Dá pra ganhar dinheiro com Stone e dá pra ganhar dinheiro com Camil.

E dá pra perder dinheiro com ambas.

 

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Como investidores agnósticos, precisamos desconstruir a premissa atual de que tudo o que é digital é também extremamente lucrativo, ou um dia será.

A revolução digital certamente culmina em um salto exponencial de produtividade.

Porém, acréscimos de produtividade nem sempre se traduzem diretamente em acréscimos de lucratividade.

No escopo digital, particularmente, a maior parte do ganho de produtividade acaba sendo capturada pelos consumidores – seja através de melhores serviços, melhor UX, economia de tempo ou menor inflação.

Em um contexto de curva de oferta no qual todas as empresas possuem acesso à Internet (ou à inteligência artificial), suas métricas de produtividade avançarão em conjunto.

O custo de todo mundo vai para baixo – o que é ótimo para os consumidores, mas não necessariamente mexe nos lucros dos acionistas.

Ao mesmo tempo, o fato de que a curva de demanda agora conta com acesso amplo e irrestrito à Internet tem promovido um ambiente concorrencial bem mais desafiador ao varejo, no qual os preços e as margens caem.

Enfim, a tecnologia é bem-vinda para o mundo, e pode mesmo fazê-lo muito rico em casos específicos.

Mas isso não significa que todo avanço tecnológico é lucrativo.

E ações de empresas pouco tecnológicas também podem ser extremamente lucrativas.

No fim das contas, estamos aqui à procura das Melhores Ações da Bolsa, e não das melhores tecnologias do Vale do Silício.

Se as pessoas à sua volta se mostram eufóricas com o iFood e entediadas do arroz com feijão, talvez o dinheiro de verdade hoje se esconda no arroz com feijão.