Você sabe o quanto isto valerá amanhã?

Valuation é nome que se dá à arte de valoração de ativos financeiros. Digo “arte” aqui pois não funciona como ciência, e muito menos como […]

Valuation é nome que se dá à arte de valoração de ativos financeiros.

Digo “arte” aqui pois não funciona como ciência, e muito menos como ciência exata.

Eu poderia continuar esta newsletter tecendo longas críticas aos métodos – pretensamente científicos – comumente usados para fazer valuation: valor de liquidação, custo de reposição, múltiplos, fluxo de caixa descontado, valor de franquia, opções reais de crescimento, etc…

Mas, felizmente, não vamos perder tempo com isso, porque estamos falando de algo maior, bem maior.

Estamos falando sobre a nossa total incapacidade de acessar o valor das grandes coisas a priori.

Não se trata de uma incapacidade estritamente financeira, mas sim humana.

Tão humana quanto o início de carreira de um escritor qualquer (para fins práticos, vamos chamá-lo de Paul).

Já com algum reconhecimento entre os círculos literários dos EUA, Paul teve vontade de escrever um conto de suspense, passado na cidade de Nova York.

Gostou do resultado e decidiu enviá-lo às principais editoras americanas.

Enquanto Paul recebia cartas de “texto negado” de cada uma dessas editoras (17 cartas, ao total), veio o impulso de escrever mais dois contos, também passados em Nova York.

“Put your head down and keep going” – ele dizia para si mesmo.

Quando estava terminando o terceiro conto, chegou a 18a carta, de uma editora da Califórnia. Assim, aquela que viria a ser chamada de “A Trilogia de Nova York” foi originalmente publicada em Los Angeles.

Paul recebeu 100 dólares por cada conto, totalizando 300 dólares – o que lhe permitiu quitar alguns alugueis atrasados.

Hoje Paul é Paul Auster, elencado como um dos cem maiores escritores de ficção contemporânea.

Sua Trilogia de Nova York foi publicada e traduzida em mais de cinquenta países.

Investindo em Paul Auster, você teria pagado 300 dólares para ganhar bem mais do que 3 milhões de dólares.

Não sei dizer ao certo quantos Pauls estão perdidos por aí, ninguém sabe.

Mas sei o que eu quero desde já: ter alguns bons contos de suspense dentro do meu portfólio de Melhores Ações da Bolsa.

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