Você um investidor tipo A ou tipo B?

Não sei se por vaidade ou por capricho indutivo, mas 95% das pessoas têm uma enorme dificuldade de aceitar que investidores ineficientes são perfeitamente capazes de, conjuntamente, formarem um mercado eficiente.

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Você um investidor tipo A ou tipo B?

Há apenas dois tipos de investidores no mundo.

Os que pensam como A e os que pensam como B, sendo:

A) Como eu sou um investidor espertíssimo e o mercado é ineficiente, vou ganhar muito dinheiro aproveitando os desvios de precificação que o mercado produz.

B) Como eu sou um investidor ineficiente e o mercado é espertíssimo, vou perder muito dinheiro tentando prever o próximo movimento dos ativos de risco.

Ironicamente, aqueles raros que pensam como B (chuto uns 5% do total) são os que verdadeiramente enriquecem, pela vida toda.

Não sei se por vaidade ou por capricho indutivo, mas 95% das pessoas têm uma enorme dificuldade de aceitar que investidores ineficientes são perfeitamente capazes de, conjuntamente, formarem um mercado eficiente.

Ou, indo muito além, pode até ser o caso de que o mercado é eficiente se, e somente se, seus participantes forem ineficientes no sentido clássico.

Medidas de eficiência (riscos e retornos nos lugares certos) dependem da premissa de tabuleiros atomizados – ou seja, vários jogadores atuando independentemente, cada qual seguindo seus próprios interesses.

Dentro desse escopo, a ineficiência é uma benção se significar o aleatório, o inesperado e o não programado.

Pense por um momento no extremo oposto: se cem mil pessoas seguirem exatamente a mesma regra “eficiente”, sempre, elas contam como um cardume ou como um único peixe?

Então, talvez os mercados sejam inteligentes exatamente porque as pessoas são tontas, num sentido não pejorativo do termo; a inebriante tontura como afronta à marcha linear.

O grande mérito do mercado está em agregar diferentes escolhas, feitas em uma multitude de contextos heterogêneos, cada qual no seu caminho.

Se todos seguirmos um mesmíssimo algoritmo (o do robot advisor da moda, por exemplo), milhões de investidores reduzir-se-ão a algumas poucas centenas.

A nova média, formada em cima de uma amostra menor, perderá significância e, principalmente, perderá significado.

Você não vai chegar a nenhum lugar diferente fazendo o que todo mundo faz.

Por isso, fico feliz ao notar que são 190 mil os que assinam a Empiricus hoje, e não 190 milhões.

Nossas ideias de investimento são restritas aos leitores que realmente querem aprender a pensar com a própria cabeça, aprender a investir com o próprio bolso.

Não somos e jamais seremos unanimidade.

Somos ineficientes, tortos, inesperados – pelo nosso próprio bem e pelo bem do mercado.

Se hoje quisermos montar estratégias de renda acionária com dividendos, vamos montar.

Se amanhã preferirmos renda imobiliária com fundos, vamos montar também.

Não temos qualquer dificuldade de aceitar quem somos.