Você não vai morrer; mexa-se!

Em 20 a 30 anos, teremos o fim da idade humana.

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Você não vai morrer; mexa-se!

Vamos colocar as coisas em perspectiva. Talvez as palavras a seguir soem como ficção científica, devaneio, exagero ou algo assim. Sempre há essa chance, mas o fato objetivo é que o processo já está em curso.

Pulando diretamente para a conclusão, em 20 a 30 anos, teremos o fim da idade humana.

Por meio de um processo de interrupção da degeneração celular e até mesmo rejuvenescimento, nós não vamos mais morrer. Será a morte da morte.

Em paralelo, mais ou menos nesse mesmo intervalo de tempo, a inteligência artificial terá superado a inteligência humana. A potência intelectual natural será, rapidamente e por larga margem, superada pelas máquinas. À classe dos humanos, para se manter com alguma representatividade, só restaria acoplar-se à inteligência artificial.

Chegaremos aos superhumanos: imortais e com possibilidades intelectuais muito além do que conseguimos até mesmo imaginar neste momento. Tentar antever exatamente como as coisas vão se dar a partir dai é como pedir a uma formiga para descrever como nós, humanos atuais (perdoem por esse termo estranho), estamos pensando agora. Ninguém consegue intelectualmente vislumbrar como alguém com muito mais potência intelectual vai agir. É pedir um desenho em três dimensões para quem só enxerga duas delas. Impossível.

O professor José Cordeiro, um dos fundadores da Singularity University, que eu tive o prazer de ouvir ontem em café da manhã organizado pelo brilhante Joseph Teperman, acha que em alguns anos teremos mudado radicalmente nossa forma de se comunicar. A fala é demasiadamente custosa, lenta e ineficiente. Poderemos transmitir a mensagem desejada apenas com o pensamento. Mesmo a palestra que eu ouvi ontem, em vez de durar 45 minutos, poderia ser integralmente transmitida e absorvida em poucos segundos pela conexão cerebral, da mesma forma com que os computadores se comunicam entre si, instantaneamente.

Pode parecer loucura. Mas veja os trabalhos da Methuselah Foundation, por exemplo, que, a partir de engenharia e medicina regenerativa, pretende criar um mundo em que, já em 2030, pessoas de 90 anos sejam tão saudáveis e vibrantes quanto aquelas de 50.

Os trabalhos de rejuvenescimento e esforços em prol da imortalidade já fizeram ratos viverem 3x mais do que a média, e répteis até 6x. Agora, a Revolution Against Aging and Death inicia, pela primeira vez, atividades científicas de rejuvenescimento em um ser humano. Você pode conferir com os próprios olhos entre 20 e 23 de setembro de 2018, num seminário em San Diego.

O Google, por meio da Calico, promete encontrar a imortalidade nas próximas décadas, tendo dedicado alguns bilhões de dólares a isso. Entre as metas e as frases de efeito da iniciativa, estaria ser “a terceira metade do cérebro.” Eu até já tinha visto A Terceira Margem do Rio, conto do Guimarães Rosa, mas terceira metade do cérebro ainda não conhecia.

Em novembro de 1998, o pesquisador Ben Houston cunhou o termo exocortex, como referência à hipótese de termos algum organismo, além, aqui empregado no sentido físico estrito, do nosso cérebro capaz de aumentar a capacidade cognitiva. Ali havia referências ao trabalho original de J.C.R. Licklider, que traçou especulações ainda em 1960 do que poderia vir a ser a interação entre homem e máquina, mais especificamente entre humanos e inteligência artificial. A ideia é de que ambos poderiam complementar-se numa simbiose em que as maiores virtudes de ambos seriam exploradas ao limite.

Entre outras movimentações empresariais no sentido da imortalidade, Mark Zuckerberg, do Facebook, doará sua fortuna para curar todas – sim, todas – as doenças. O envelhecimento e também a morte entre elas; esses seriam meros problemas técnicos, a serem tratados como qualquer outra enfermidade. Elon Musk, de Space-X e Tesla, acaba de lançar a Neuralink, uma iniciativa para linkar o cérebro humano à inteligência artificial.

Embora tudo isso seja até mesmo assustador, fato é que a imortalidade celular já é conhecida e estudada há algumas décadas, embora não se dê tanta publicidade ao fato. Como exemplo, as chamadas células HeLa, que tiveram um impacto bastante grande na ciência, são consideradas imortais. Elas homenageiam Henrietta Lacks, uma paciente que morreu de câncer em 4 de outubro de 1951 e cujas células foram coletadas de um câncer cervical oito meses antes de seu falecimento – o fenômeno está descrito em detalhes no livro a Vida Imortal de Henrietta Lacks.

Ainda mais curioso, nós já dispomos da imortalidade dentro das células germinativas. No mundo animal, a hidra, aquele cnidário em forma de pólipo, não envelhece e, hiperbolicamente, pode viver para sempre.

Impossível não lembrar da metáfora de Nassim Taleb com a homônima Hidra de Lerna, o animal mitológico derrotado por Hércules cujas cabeças se multiplicavam quando golpeadas. A cada choque, ela respondia com um maior número de cabeças. Ou seja, ela se beneficiava do choque, da volatilidade, dos golpes. A antifragilidade é o caminho para a imortalidade financeira.

As coisas estão mudando lá fora. Estamos apenas a algumas décadas do fim da era humana. Pode-se discutir com que velocidade caminhamos em direção isso. Pode não ser em 2040 ou 2050, mas virá em algum momento. Quando as coisas mudam, eu mudo. E você? Vai continuar sendo aconselhado pelo gerente do seu banco?

Com inveja da hidra, o bull market (mercado em trajetória ascendente) também tenta lançar-se como candidato a highlander. Mercados estendem otimismo recente na manhã desta quinta-feira, com Ibovespa já flertando com novo recorde histórico. Exterior mais calmo após verborragia da véspera de Donald Trump contra o Nafta junta-se ao avanço da pauta mais liberal internamente para animar investidores.

Pacote do governo anunciado ontem foi visto com bons olhos. São 57 privatizações na lista, contendo o aeroporto de Congonhas e a Casa da Moeda. Em paralelo, foi liberado saque no PIS/Pasep, no montante de 15,9 bilhões de reais, para trabalhadores que tinham carteira assinada até 1988 – como corolário, possível aumento no consumo e queda na endividamento das famílias, com impacto direto sobre empresas listadas. Aprovação da TLP em Comissão ontem foi bem recebida. Tema volta à pauta hoje, agora em plenário, com ampla expectativa de aprovação.

Agenda local traz nota de crédito de julho. Nos EUA, atenção para início do simpósio de Jackson Hole, embora Yellen e Draghi falem somente amanhã. Pedidos de auxílio-desemprego, vendas de casas existentes e atividade do Fed de Kansas completam referências norte-americanas. Na Europa, saem PIB do Reino Unido e da Espanha.

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Hoje termino com um convite para conhecer o Combo Upside Essencial. Se não vamos mesmo mais morrer, que tal estabelecermos um vínculo para a vida toda? Se José Cordeiro estiver certo, esse é o melhor negócio que você pode fazer. Um belo hedge contra esse cenário futurista.

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