Novembro de 2018

5 erros que todo investidor de cripto comete ao ingressar no mercado

Pense nos grandes investidores que entraram para a história: George Soros, Warren Buffett, Peter Lynch, John Bogle, ou qualquer outro a sua escolha. Qual é a característica em comum entre eles, além de terem ganhado muito dinheiro?

Sem sombra de dúvida é o fato de todos, sem excessão, terem aprendido lições valiosíssimas com seus erros. Afinal, é justamente por meio de deslizes que aprendemos, ajustamos as estratégias e nos tornamos investidores (e pessoas) mais experientes.

No fim das contas, o melhor aluno não é aquele que erra menos, mas sim, aquele que demora o menor tempo possível para extrair conhecimento de seus equívocos. Com criptomoedas não é diferente. Principalmente por se tratar de um mercado relativamente novo, recheado de novas expressões e jargões.

Ainda assim, existem formas menos dolorosas de aprendizado. Uma delas é aproveitar enganos que não são seus. Pensando nisso, levantamos os cinco principais erros cometidos por investidores novatos ao se aventurarem nesse mercado.

No fim desta leitura, você estará cinco passos mais perto do sucesso e saberá como se expor a esse tipo de investimento.

Erro #1 — Comprar sem conhecer o projeto

Esse é um dos erros mais comuns cometidos por novos investidores, mas que tem um impacto bastante negativo em seu patrimônio. Comprar uma moeda digital sem conhecer, no mínimo, o projeto que ela representa, sua proposta de valor e a equipe responsável pelo desenvolvimento é o mesmo que dar um tiro no escuro.

Geralmente, os novos entrantes se deslumbram com a enorme variedade de criptomoedas disponíveis. Recebem dicas de conhecidos ou de outros participantes em grupos de discussão e, ao compararem cotações às do bitcoin, caem na falácia de acreditar que estão fazendo um excelente negócio quando, na realidade, estão direcionando seus valiosos recursos a projetos que, provavelmente, não prosperarão.

Como qualquer outro tipo de investimento, a decisão de compra requer estudo e avaliação do que se vai adquirir. Você jamais compraria um imóvel sem antes entender as condições do prédio, se informar sobre a vizinhança, investigar formas de deslocamento e conhecer as facilidades da região, etc. Por que o faria com qualquer outra classe de investimento?

Criptomoedas têm como proposta solucionar problemas reais, sejam eles monetários, de registros, de identidade, de propriedade, de rastreamento, e muitos outros. O primeiro passo é entender qual é a dor que o projeto pretende resolver e, se tratando de inovação, entender se a proposta é, de fato, melhor do que a solução atual para o problema em questão.

Além disso, sempre desconfie de oportunidades que oferecem algum tipo de rentabilidade garantida nesse nicho de mercado. Moedas digitais ainda estão na zona cinza de regulação em muitos países, incluíndo o Brasil. Portanto, qualquer projeto que ofereça retornos garantidos deve ter sua idoneidade questionada.

Erro# 2 — Alocar todo o seu patrimônio

Não coloque todos os ovos em uma mesma cesta. Essa expressão é pronunciada com frequência no mundo dos investimentos. Um erro muito comum, inclusive entre investidores que se consideram experientes, é aportar o montante total dos seus recursos em uma única criptomoeda.

Expor todo o seu capital em cripto sem saber em quais moedas investir não só não vai te deixar rico, como muito provavelmente secará os recursos que você lutou tanto para poupar. Esse é um investimento de altíssimo risco que, com a correta avaliação dos sinais e fundamentos, podem criar verdadeiras fortunas. Entretanto, sem um bom direcionamento, podem também te levar à ruína.

De maneira análoga, muitos participantes do mercado acabam se tornando fanáticos por um determinado projeto, muitas vezes impulsionados por Community Managers e pelo marketing positivo — e forçado — feito pela equipe responsável (também conhecido como “shill”), investindo todo o seu capital em uma única altcoin (qualquer criptomoeda que não seja o bitcoin).

Acontece que, ao se tornarem fanáticos, alguns investidores deixam de ser imparciais em suas análises — fator fundamental para o sucesso nos investimentos — e podem deixar passar batido detalhes importantes sobre o desenvolvimento do projeto.

Concentrar todo o seu capital em apenas uma cripto não só aumenta o seu risco, como também limita os seus ganhos. Atualmente, existem milhares de moedas digitais disponíveis para negociação. Após uma avaliação criteriosa de cada uma delas, você encontrará projetos com grande potencial de valorização.

Portanto, não aloque todo o seu patrimônio em cripto e, ao investir nesse mercado, não direcione todo o seu recurso a apenas uma altcoin.

Erro #3 — Comprar na alta e vender na baixa

Por mais estranho que isso soe, comprar uma moeda porque seu preço está subindo e/ou vendê-la porque está caindo é um erro que assombra milhares de novatos no mercado cripto. Existem, inclusive, expressões criadas especificamente para esses movimentos.

Por exemplo, quando um investidor vê o preço de uma moeda digital acelerar e opta por comprar, ele o faz por “FOMO” (sigla para “Fear Of Missing Out”, ou “medo de perder a oportunidade”, em tradução livre). Ao passo que alguém que vende quando os preços estão caindo recebem o título de “mão de alface”. 

(Ganância/Compra – Medo/Venda – …Repita até quebrar)

Já os que resistem bravamente a um movimento de queda são denominados como hodlers (derivado de “HODL”, anagrama de “hold”, ou “manter” em inglês, que surgiu em um fórum destinado a discussão de criptomoedas).

Jargões à parte, decisões de compra e venda de ativos nunca devem ser pautadas por efeitos de manada. Na realidade, a análise deve ser fria e racional, jamais derivada de emoção, do “calor do momento”.

Enquanto a análise fundamentalista avalia um projeto pela sua proposta de valor, background da equipe, dos desenvolvedores e alguns outros fatores e pauta a decisão sobre o que investir (“onde”), a análise técnica nos fornece as ferramentas para avaliação de momentos ótimos de entrada e saída de uma determinada moeda (“quando”).

A análise técnica consiste em examinar o comportamento dos preços, em um determinado intervalo de tempo, com o objetivo de se perceber direção (alta ou baixa) e força de uma tendência e, dessa forma, avaliar oportunidades de compra e venda de um determinado ativo.

Portanto, sempre embase sua decisão de compra e venda em indicadores e fundamentos. Nunca em opiniões de amigos ou sugestões de pseudoespecialistas.

Erro #4 — Não se preocupar com segurança

Apesar da tecnologia que permite a existência do bitcoin, conhecida como blockchain, ter se provado resiliente contra ataques maliciosos (ao menos nos seus primeiros dez anos de existência), o mesmo não pode ser dito de corretoras de criptomoedas, dos serviços de armazenamento e da própria gestão de segurança, feita pelos próprios usuários.

Ocorre que confiamos nossos dados a terceiros – que sequer conhecemos – para que façam uso dessas informações da maneira que bem entendem. Pare e reflita: dos serviços que você utiliza, em quantos realmente parou para ler os Termos de Uso?

No fim das contas, a grande maioria de nossas relações se baseia na confiança em uma contraparte. A própria internet foi construída dessa forma. A princípio, as ligações entre computadores eram realizadas por partes confiáveis, como governos ou universidades.

Mas o crescimento do sistema se tornou exponencial, fazendo com que cada vez mais conexões fossem realizadas. Transacionamos hoje informações por meio dessa rede seguindo o mesmo pressuposto – de que as partes são confiáveis, quando, na realidade, podem não ser.

Esse fato pode passar despercebido quando estamos trocando dados simples, como imagens, e-mails, vídeos, músicas, etc. Contudo, a partir do momento em que passamos a transacionar bits de informação sensíveis e símbolos efetivos de representação de valor, como no caso das moedas digitais, a segurança passa a ser algo essencial.

Não se engane ao crer que seus dados e suas criptomoedas estão totalmente seguros. Quando o assunto é segurança da informação, você deve sim ser paranóico, principalmente se tratando de suas reservas monetárias.

Mantenha, sempre, o seu sistema operacional atualizado. Versões mais recentes do sistema corrigem falhas de segurança que podem ser exploradas por hackers.

Da mesma forma, instalar e manter atualizado um bom antivirus pode fazer toda a diferença na hora de evitar a instalação de programas maliciosos em seu computador, como keyloggers (softwares que registram o que foi digitado em cada página que você visitou) ou cavalos de Troia, que podem dar acesso livre a seus dados a invasores.

Faça backups do seu sistema regularmente. Essa é uma forma bastante simples de retomar o controle de um computador infectado ou invadido. Basta reverter o sistema para uma versão anterior.

(Mesma senha pra tudo? Eu gosto de viver perigosamente)

Em hipótese alguma utilize a mesma senha em vários sites. Isso é ainda mais importante quando se trata de corretoras de criptomoedas. As exchanges, como são chamadas, são alvos constantes de hackers e, no caso de um ataque bem-sucedido, eles poderão ter o acesso à sua senha e replicar o ataque em outras contas de sua titularidade.

Se for manter uma tabela com as cópias de suas senhas, certifique-se de mantê-las em segurança e informe o local de armazenamento a uma pessoa de extrema confiança, caso algo aconteça com você.

E, por fim, por mais óbvio que pareça, não clique em links nem abra e-mails suspeitos, não acesse sites de reputação duvidosa e desconfie de mensagens de conhecidos que contenham links ou arquivos para serem baixados. A chave para uma navegação segura e uma boa gestão de seus dados é você.

Erro #5 — Deixar sua criptomoeda cair no esquecimento

O bitcoin e as outras criptomoedas se enquadram em uma classe chamada de tecnologias emergentes. Essa característica é importante de ser observada, uma vez que a taxa de sucesso na implantação de novas tecnologias, na maioria das vezes, é baixa.

De forma semelhante à ascensão das “ponto com”, a partir da década de 90, apenas alguns poucos projetos prosperarão. A grande maioria está fadada ao fracasso. Sem contar os inúmeros esquemas, fraudes e pirâmides financeiras que permeiam esse ecossistema.

Não é incomum encontrar investidores que adquiriram uma determinada moeda digital e, após um momento de correção do mercado, não tomaram qualquer atitude com relação ao tal investimento e, simplesmente, ignoraram a existência do capital aplicado.

Esse erro pode ser facilmente evitado. O desenvolvimento de uma criptomoeda pode ser acompanhado em redes sociais, como o Twitter, e por membros da comunidade no Reddit. Além disso, o Github é uma excelente ferramenta para se ter uma visão macro de qual é o nível de atividade dos desenvolvedores.

Além disso, existem inúmeros sites que você pode acompanhar a evolução dos preços de cada um de seus ativos. O Tradingview, por exemplo, é uma plataforma gratuita que permite o acompanhamento de uma enorme variedade de moedas digitais (e de muitos outros ativos).

A boa notícia é que, ao menos que você seja um trader, não é necessário um acompanhamento diário de cada um dos ativos. Você pode avaliar semanalmente, ou até mesmo quinzenalmente, a cotação de cada moeda que você investe e seus respectivos meios de comunicação.

A melhor forma de iniciar nesse mercado é adquirir suas primeiras frações de bitcoin. Apesar do bitcoin e de outras criptomoedas permitirem a negociação peer-to-peer (P2P), que é feito diretamente de uma pessoa para a outra, o meio mais fácil de operacionalizar as negociações é por meio da utilização das exchanges.

Atualmente, não é possível adquirir essas moedas digitais em corretoras de valores, como XP Investimentos ou Easynvest. Portanto, o ideal é criar uma conta em uma das facilitadoras. Alguns exemplos são: Bitcoin Trade, FlowBTC e Braziliex.

Você pode comprar criptomoedas com literalmente qualquer valor que disponha. Contudo, a maioria das brasileiras exige um depósito mínimo de R$ 50 para negociação. A regra de ouro é investir somente aquilo que você está disposto a perder. Afinal, esse é um mercado repleto de riscos.

Sugerimos um investimento de no máximo 5% do seu patrimônio total. Essa é uma exposição suficiente para alavancar seus ganhos sem comprometer significativamente suas reservas.

Caso seu apetite por risco seja maior, sinta-se livre para adotar seus próprios parâmetros. Essas medidas têm a intenção de servir apenas como referência.

Para investimentos tradicionais – como ações e Tesouro Direto – a custódia de ativos é algo mais trivial, uma vez que há uma figura responsável pelo serviço, o custodiante. No caso das moedas digitais, contudo, a custódia é, no melhor dos mundos, feita pelo próprio usuário.

O investidor sempre tem a possibilidade de manter as moedas custodiadas na própria exchange. Contudo, como levantado anteriormente, já houveram inúmeros casos de invasões de hackers a essas plataformas e, na maioria das vezes, o prejuízo foi diluído entre todos os usuários.

Não que as exchanges vão, necessariamente, ser hackeadas. Mas elas estão sujeitas a algo do tipo e esse é um risco que você não quer incorrer, certo?

Existem também os serviços especializados em custódia de criptomoedas, mas que, ao menos por enquanto, são pouco acessíveis aos investidores comuns. Quando seus recursos estão guardados em uma wallet, que nada mais é que uma carteira digital, você tem a garantia da posse das criptomoedas e ninguém, além de você, consegue movimentá-las.

Em contrapartida, qualquer erro de envio ou falha em manter a sua chave privada (espécie de senha) sob sigilo é de responsabilidade única e exclusivamente sua. Analogamente, caso você perca a sua chave privada, você perderá definitivamente o acesso a sua carteira digital e, consequentemente, às suas moedas.

Percebe o dilema?

Ou você mantém seus ativos na exchange – sem deter o controle total sobre seus valores e sujeitar-se a invasões de hackers – ou os guarda em uma carteira digital e fica responsável por garantir a segurança de seus dados.

A recomendação é que você tenha suas moedas digitais sob sua custódia e faça uma gestão segura de suas informações. Existem diversos apps que podem ser baixados no seu celular que oferecem esse tipo de serviço. Alguns dos principais são Jaxx, Coinomi, Blockchain Wallet, Ethos Universal Wallet.

Agora que já sabe como comprar, onde guardar e quais erros evitar, você já tem o que é preciso para iniciar nesse mercado.

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