Junho de 2019
Sumário

Compre 60 ações com o preço de 1 com poucos cliques em 5 minutos

Compre 60 ações com o preço de 1 com poucos cliques em 5 minutos

Eu sou um defensor dos ETFs.

Forma democrática, barata e simples de buscar a diversificação, acessível a todos. Você paga menos corretagem do que se comprasse um bocado de ação, tem seu controle facilitado e pode dividir uma parte de seu capital em várias posições. Assim, você se beneficia dos chamados ganhos de diversificação sem incorrer em muito custo.

Estou falando tudo isso porque entre os erros mais comuns dos investidores pessoas físicas está justamente o excesso de concentração. Isso acontece tanto entre classes de ativos como dentro de segmentos específicos.

O sujeito ouve falar de uma ação quente para comprar e aloca 30% de sua liquidez naquilo.

Se é para ter menos de cinco ações em carteira, prefira BOVA11 ou BOVV11.

Do ponto de vista mais geral, certifique-se, necessariamente, de que seu portfólio possui ao menos quatro classes de ativos: renda fixa, ações de empresas sólidas, imóveis/fundos imobiliários e moeda forte. Somente depois disso pense em small caps, criptomoedas e opções.

Por meio dos ETFs podemos capturar a tal convexidade e cisnes negros positivos ligados às ações – esse é o ponto central que parece escapar a muita gente.

Mas o que são esses tais de ETFs? É o que você deve estar se perguntando.

A sigla é derivada do nome em inglês, Exchange Traded Fund, para se referir a fundos negociados na Bolsa. Você compra como se fosse comprar uma ação.

Os ETFs de Bolsa seguem um cardápio pré-definido, ditado por um índice. O índice determina que ações devem ser compradas e em que quantidade. No caso do ETF de Ibovespa, por exemplo, o gestor vai comprando os ingredientes: 4,7% de Ambev; 4,6% de B3; 4,3% de Banco do Brasil; e assim vai.

Hoje são 65 ações. A composição e os pesos variam com o tempo, bom dizer, mas ao gestor cabe somente obedecê-los.

Para onde recorrer se quiser me beneficiar da gestão passiva?

O mercado de ETFs ainda engatinha no Brasil, mas já temos algumas boas alternativas que buscam perseguir a rentabilidade apresentada pelo Ibovespa:

 

BOVA11

Talvez o mais famoso fundo de Ibovespa, da Blackrock, tem também maior liquidez. É por isso que as séries da Empiricus que buscam fazer trade dão preferência a ele. Mas esse não é o foco da nossa discussão aqui. Estamos falando de uma alocação estrutural para sua carteira. A taxa de administração é de 0,54 por cento ao ano. Há, portanto, alternativas mais baratas.

 

BOVV11

Trata-se do ETF do Itaú — fundo de índice do Itaú, 24 pontos-base mais barato frente àquele da Blackrock (0,3 por cento ao ano contra 0,54 ao ano). Apesar de ter menor liquidez, em função da maior disponibilização de ações para aluguel, doando 70 por cento dos papéis, oferece maior rentabilidade líquida ao longo do tempo para o investidor.

É bom dizer que o índice é uma referência, ainda que bastante importante. Mas a quantidade de ativos em que cada um investe tem pequenas variações. O BOVV11, por exemplo, investe no mínimo 95% do patrimônio em ações do Ibovespa e pode alocar os outros 5% em outros ativos.

Essas são excelentes alternativas para se expor passivamente a Bolsa. Isso feito, como capturar ganhos com empresas menores e com alto potencial de valorização?

Acredito muito nas small caps, mas, necessariamente, por meio de uma carteira ampla e diversificada. Nesse segmento, o risco é alto e erros pontuais podem custar caro.

Tradicionalmente, small caps, em definição estrita, são conhecidas como casos de baixa capitalização de mercado – empresas normalmente menores. Mas, quando faço sugestões específicas nas séries de que sou autor na Empiricus, há certa elasticidade semântica no termo. Considero ações abaixo do radar, um pouco fora da atenção primordial da grande mídia e de boa parte dos analistas. Aquelas que foram simplesmente dizimadas no último ciclo ruim e que agora podem gozar de melhor prognóstico, aproveitando-se de seu típico beta alto (sensibilidade às condições sistêmicas), por conta da esperada continuidade do bull market estrutural iniciado em 2016.

Defendo muito carteiras com vários ativos, de modo, também, a aumentarmos as chances de acertar uma nova grande multiplicação — se você dá vários tiros por aí, pode ter a sorte de acertar o alvo em cheio. É muito difícil pegar uma multiplicação por 10x se você tem posição em apenas uma ação; já se dispersa em várias tentativas, suas chances aumentam de forma significativa. Exposição recorrente, plural e disciplinada a ativos convexos. É um mote de vida.

Para isso, preferiria que o investidor, primeiramente, comprasse SMAL11 e, só depois, fosse a casos específicos.

 

SMAL11

Também da Blackrock, o ETF tem como referência o Índice BM&FBOVESPA Small Cap e hoje conta com 76 ativos. A taxa de administração é de 0,69 por cento ao ano e, assim como os outros, pode ser comprado diretamente no seu home broker.

Se você diversifica passivamente em small caps, mesmo sem saber direito o que você está fazendo, há boas chances de que algumas delas vão se multiplicar por várias vezes. Sim, sim, outras vão quebrar também. Mas ninguém cai mais de 100%. Por isso, o ETF é tão legal. Você se expõe sem muito custo ao “risco” de ter algumas ações se multiplicando sem precisar saber direito o que está fazendo.

Lembro do João Estrela: eu não faço nada, não, mas sou muito bom no que faço.

Você não precisa entender de ação. Você só precisa entender a matriz de payoff. Esse é o jogo. Inverte-se a lógica da coisa.

Em vez de querer entender, vamos nos expor aos benefícios do não entendimento.

Reconhecemos as próprias dificuldades e a ignorância sobre a seleção de ações, focamos nos custos baixos e no perfil necessariamente assimétrico da matriz de retornos potenciais do investimento em renda variável.

O mais curioso é que muitos pensam se tratar de algo feito para iniciantes. Não é verdade!

O próprio Nassim Taleb – e eu ouvi diretamente da boca dele – investe em ações por meio de ETFs de small caps, os mais diversificados possíveis.

Faz todo sentido, se você entende realmente a filosofia do cara. Taleb foi trader de derivativos no Credit Suisse, é professor de Ciência da Incerteza e PhD em matemática – definitivamente, não é um sujeito iniciante.

Mas se você não curte o Taleb, pode encontrar uma série de estudos ortodoxos apontando como a maior parte da outperformance de portfólios financeiros no longo prazo deriva justamente da alocação entre as variadas classes de ativos.

Depois temos a alocação dentro das classes e só então vem o market timing como variável explicativa dos bons retornos.

Ou seja, combinar adequadamente Bolsa, renda fixa, imóveis e câmbio é muito mais relevante do que acertar exatamente quais ações comprar. Isso posto, os ETFs estão aí para facilitar enormemente sua caminhada, ao menos com uma parte de seu portfólio.

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