Maio de 2018
14/05/2018

O dólar vai subir?

O dólar pode chegar a R$ 5?

Já estou acostumada com a pergunta sobre a moeda americana, em geral vinda de amigos que veem uma viagem se aproximar. Ontem, entretanto, ela foi mais contundente: “Você dedica sua vida a essa história de investimentos, nem almoçar com os amigos consegue e agora vem com esse papo de que não sabe para onde vai o dólar? Abre o jogo!”.

Não, não sei. E o fato é que ninguém sabe.

Mesmo ciente de que não existe uma fórmula mágica para prever o rumo da taxa de câmbio, toda vez que uma nova projeção surge com força nos mercados financeiros e é amplamente reproduzida nos jornais, pensamos se devemos comprar ou vender a moeda americana.

A relação entre o dólar e o real reage à política monetária americana, à situação global, às pesquisas eleitorais, às exportações e às importações, ao estresse (que, por definição, é inesperado) e a um sem-fim de fatores.

No que diz respeito ao cenário brasileiro, o processo eleitoral ainda é uma incógnita, o que gera bastante apreensão. Podemos vivenciar forte volatilidade e temos um horizonte de dúvidas sobre o comportamento da Bolsa ao menos até o resultado das urnas em outubro.

O dólar assumiu recentemente seu maior patamar dos últimos dois anos – é tudo que sei.

O que motivou essa alta do dólar?

Uma explicação é a sinalização do Fed (o banco central americano) de que pode haver mais altas de juros neste ano do que era esperado pelo mercado.

Com os juros mais altos por lá, dólares tendem a fluir para os títulos públicos americanos (Treasuries) e sair de países emergentes como o Brasil. Resultado: dólar mais caro para nós.

O fato de estarmos próximo das eleições, ainda sem um candidato favorito do mercado despontando claramente, também pesa contra o real. O Banco Central já está agindo no mercado, mas esse tipo de atuação em geral reduz o impacto dos grandes movimentos, não reverte uma tendência.

Como eu já disse, prever o que acontece com o câmbio é muito difícil — explicar o que aconteceu também, dadas as diversas variáveis envolvidas.

Se você perguntasse o que penso do dólar perto de 3,60 reais, diria que está caro. Isso quer dizer que você deve vender para comprar a moeda brasileira? Não. Acho que precisa continuar com alguma fatia de seu portfólio alocada em dólar, que tem se mostrado o melhor instrumento de proteção e diversificação de carteira em 2018.

Não custa estar preparado para tudo, não é mesmo? Se ainda não tem dólar, já passou da hora de ter.

Por mais que os fundamentos brasileiros sugiram bom comportamento da conta corrente, fluxos estáveis e um valuation equilibrado, há uma pequena crise em curso nos mercados emergentes – a Argentina acaba de recorrer ao FMI e o peso chileno se desvalorizou cerca de 10 por cento, sem nada de errado acontecendo no Chile (se você consegue arbitrar moedas internacionais, está aí um call pra você).

Você nunca sabe quando vai usar, mas é sempre bom ter.

Se você me perguntar o que eu faço com o meu dinheiro, dado que vou viajar daqui a um ano para o exterior, ou que quero manter meu portfólio de investimentos protegido, é simples: invisto em um fundo cambial.

Existem outras maneiras, é claro, de se posicionar para aproveitar movimentações do dólar, ou se proteger delas. A mais óbvia é a compra da moeda em espécie. Uma segunda é adicionando à sua carteira ações de empresas que se beneficiam da alta da moeda americana.

O Felipe Miranda, nosso estrategista-chefe, defende que uma forma de ter essa exposição com objetivo de proteção é por meio de opções de compra (calls) de dólar fora do dinheiro, ou seja, com preço de exercício muito superior às cotações atuais.

Mas faz o adendo: separe um percentual do seu portfólio que você aceita perder! Pode ser 0,25%, 0,5% ou 1% do total — somente aquilo que, se der prejuízo, não vá lhe machucar. O tamanho exato do aporte fica ao gosto do freguês.

Uma compra maior de seguro vai trazer maior proteção contra a catástrofe potencial. Em contrapartida, é um custo maior, uma chance de você perder mais. Obviamente, há um custo para se proteger. Quanto maior a proteção, maior será o seu custo.

Mas vou dedicar essa publicação aos fundos cambiais. Eles são uma forma segura, eficiente, prática e barata, desde que bem escolhidos, de acompanhar a variação do dólar.

É assim que meu dinheiro cola na moeda americana e pronto. Se o real perder ou ganhar valor no meio do caminho, pouco importa: meu poder de compra em dólares estará preservado: nada mais importa.

Mas como escolher um fundo cambial? Essas carteiras são passivas, ou seja, o gestor não tem muito trabalho: ele não tem que bater a variação do dólar, somente acompanhá-la.

Então, a dica de ouro é: nunca pague mais de 1% ao ano de taxa de administração por um fundo cambial.

Como o que desejamos é acompanhar a variação cambial, o mais importante é encontrar fundos com taxa de administração baixa, acessíveis e que não exponham você a outros riscos (se o produto investe também em crédito privado, por exemplo, como acontece com a maior parte dos produtos dos bancos, ficou de fora). Foram esses critérios que mais pesaram na análise. Assim, veja os meus favoritos:

 

RECOMENDADOVotorantim Dólar FIC Cambial
DiferencialAplicação mínima baixa e facilidade de acesso
CNPJ03.319.016/0001-50
Aplicação inicialR$ 1 mil
Aplicações adicionais mínimasR$ 1 mil
Taxa de administração efetiva1% ao ano
Resgate1 dia após o pedido
Por onde investirGuide, Órama, Rico e XP Investimentos

 

RECOMENDADOBrasil Plural FI Cambial
DiferencialTaxa de administração baixa
CNPJ23.711.486/0001-71
Aplicação inicialR$ 5 mil
Aplicações adicionais mínimasR$ 1 mil
Taxa de administração efetiva0,75% ao ano
Resgate1 dia após o pedido
Por onde investirGenial

 

Na hora de definir quanto do seu patrimônio colocar aí, leve em consideração sua necessidade futura (lembra-se dos planos de que falamos lá em cima? Uma viagem, um intercâmbio etc.).

Se for usar apenas como proteção do portfólio, consideramos 5% uma alocação saudável para exposição cambial.

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