Novembro de 2018
11/2018

O dólar vai subir?

O dólar pode chegar a R$ 5?

Já estou acostumada com a pergunta sobre a moeda americana, em geral vinda de amigos que veem uma viagem se aproximar. Ontem, entretanto, ela foi mais contundente: “Você dedica sua vida a essa história de investimentos, nem almoçar com os amigos consegue e agora vem com esse papo de que não sabe para onde vai o dólar? Abre o jogo!”.

Não, não sei. E o fato é que ninguém sabe.

Mesmo ciente de que não existe uma fórmula mágica para prever o rumo da taxa de câmbio, toda vez que uma nova projeção surge com força nos mercados financeiros e é amplamente reproduzida nos jornais, pensamos se devemos comprar ou vender a moeda americana.

A relação entre o dólar e o real reage à política monetária americana, à situação global, às pesquisas eleitorais, às exportações e às importações, ao estresse (que, por definição, é inesperado) e a um sem-fim de fatores.

No que diz respeito ao cenário brasileiro, o processo eleitoral ainda é uma incógnita, o que gera bastante apreensão. Podemos vivenciar forte volatilidade e temos um horizonte de dúvidas sobre o comportamento da Bolsa ao menos até o resultado das urnas em outubro.

O dólar assumiu recentemente seu maior patamar dos últimos dois anos – é tudo que sei.

O que motivou essa alta do dólar?

Uma explicação é a sinalização do Fed (o banco central americano) de que pode haver mais altas de juros neste ano do que era esperado pelo mercado.

Com os juros mais altos por lá, dólares tendem a fluir para os títulos públicos americanos (Treasuries) e sair de países emergentes como o Brasil. Resultado: dólar mais caro para nós.

O fato de estarmos próximo das eleições, ainda sem um candidato favorito do mercado despontando claramente, também pesa contra o real. O Banco Central já está agindo no mercado, mas esse tipo de atuação em geral reduz o impacto dos grandes movimentos, não reverte uma tendência.

Como eu já disse, prever o que acontece com o câmbio é muito difícil — explicar o que aconteceu também, dadas as diversas variáveis envolvidas.

Se você me perguntar se eu acho que o dólar vai chegar a 5 reais, como já há quem projete para um cenário extremo de Brasil, não tenho essa resposta. Ninguém tem.

Isso quer dizer que você não deve fazer nada? Não! Pelo contrário. Você deve se proteger. Pense em ter uma fatia de seu portfólio alocada em dólar de forma permanente  – sugiro 5 por cento. Você nunca sabe quando vai usar, mas é sempre bom ter.

Por mais que os fundamentos brasileiros sinalizem para um bom comportamento da conta corrente, fluxos estáveis e um valuation equilibrado, há uma pequena crise em curso nos mercados emergentes – a Argentina acaba de recorrer ao FMI e o peso chileno se desvalorizou cerca de 10 por cento.

Sim, o dólar já subiu. Sim, o Banco Central tem feito intervenções para evitar que o real se desvalorize ainda mais. Porém, a tendência de valorização da moeda americana é global (dado que o banco central dos EUA está fechando a torneira de dinheiro que abriu no pós-crise).

Se você me perguntar o que eu faço com o meu dinheiro, é simples: invisto em um fundo cambial.

Existem outras maneiras, é claro, de se posicionar para aproveitar movimentações do dólar, ou se proteger delas. A mais óbvia é a compra da moeda em espécie. Uma segunda é adicionando à sua carteira ações de empresas que se beneficiam da alta da moeda americana.

O Felipe Miranda, nosso estrategista-chefe, defende que uma forma de ter essa exposição com objetivo de proteção é por meio de opções de compra (calls) de dólar fora do dinheiro, ou seja, com preço de exercício muito superior às cotações atuais.

Mas faz o adendo: separe um percentual do seu portfólio que você aceita perder! Pode ser 0,25%, 0,5% ou 1% do total — somente aquilo que, se der prejuízo, não vá lhe machucar. O tamanho exato do aporte fica ao gosto do freguês.

Uma compra maior de seguro vai trazer maior proteção contra a catástrofe potencial. Em contrapartida, é um custo maior – obviamente, há um custo para se proteger, assim como você paga pelo seguro do carro. Quanto maior a proteção, maior será o seu custo.

Mas vou dedicar essa publicação aos fundos cambiais. Eles são uma forma segura, eficiente, prática e barata, desde que bem escolhidos, de acompanhar a variação do dólar.

É assim que meu dinheiro cola na moeda americana e pronto. Se o real perder ou ganhar valor no meio do caminho, pouco importa: meu poder de compra em dólares estará preservado: nada mais importa.

Mas como escolher um fundo cambial? Essas carteiras são passivas, ou seja, o gestor não tem muito trabalho: ele não tem que bater a variação do dólar, somente acompanhá-la.

Ao escolher um fundo cambial, é importante levar em conta dois critérios: composição da carteira e preço. O primeiro critério, ativos em que o fundo investe, é eliminatório. Pela regulação, são fundos cambiais os produtos que investem pelo menos 80% da carteira em ativos relacionados à moeda estrangeira “de qualquer espectro de risco de crédito”.

Isso significa que, se não escolher com cuidado, você pode cair em um fundo cambial que não só corre risco de câmbio, como também de crédito. Nós preferimos fundos que não têm dívida privada na carteira. Se recorremos a um fundo cambial para nos proteger contra catástrofes, não queremos correr risco de inadimplência, não é mesmo?

É por isso que muito provavelmente você não vai ver o fundo cambial distribuído pelo seu banco na tabela abaixo. É muito comum que eles tenham crédito na carteira. Avaliado o portfólio e o mandato, aí o que importa é ser barato. Como o produto não é muito sofisticado, exigindo apenas que o gestor busque acompanhar o retorno do dólar, a dica de ouro é: nunca pague mais de 1% ao ano de taxa de administração por um fundo cambial.

Foram esses critérios que mais pesaram na análise. Assim, veja os meus favoritos:

RECOMENDADOVotorantim Dólar FIC Cambial
DiferencialAplicação mínima baixa e facilidade de acesso
CNPJ03.319.016/0001-50
Aplicação inicialR$ 1 mil
Aplicações adicionais mínimasR$ 1 mil
Taxa de administração efetiva1% ao ano
Resgate1 dia após o pedido
Por onde investirGuide, Órama, Rico e XP Investimentos

 

RECOMENDADOBrasil Plural FI Cambial
DiferencialTaxa de administração baixa
CNPJ23.711.486/0001-71
Aplicação inicialR$ 5 mil
Aplicações adicionais mínimasR$ 1 mil
Taxa de administração efetiva0,75% ao ano
Resgate1 dia após o pedido
Por onde investirGenial

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