Dezembro de 2018

Você está investindo de maneira errada

Caro leitor,

No contínuo trabalho de educação do investidor realizado pela Empiricus, tenho a oportunidade de conversar com diversas pessoas. Gente que tem medo de não ter patrimônio suficiente para ter uma vida melhor no futuro. Nessas interações, percebo a recorrência de certo tipo de comportamento, com erros comuns sendo repetidos de maneira meio padronizada, que deixam o investidor vulnerável aos lobos de plantão.

Divido cinco deles abaixo:

#1 A tentativa de fazer o golaço

Olhe para as estatísticas: 1 milhão de compradores de bitcoins, 600 mil pessoas com ações, 120 mil pessoas com fundos imobiliários. Não precisa ser gênio para perceber que isso não está certo, né?

Se você quer comprar bitcoin, ok. Tenho zero problema com isso. Eu mesmo tenho seis. A questão é dimensionar adequadamente o tamanho da sua aposta – e sim, aposta é o termo preciso para descrever as criptomoedas, não investimento.

Nada contra apostas também. Só entenda: você pode, com probabilidade não desprezível, perder tudo que comprou ao apostar nisso. Com essa mentalidade, siga em frente.

O número grande de pessoas com moedas digitais é fruto dessa característica humana de querer ganhar muito e de forma rápida. Essa é uma boa estratégia para o fracasso financeiro.

Vários estudos comprovam que os verdadeiros ganhadores de longo prazo não são aqueles que ficam no quarto quartil dos retornos anuais. Quem ganha demais num ano provavelmente perde no outro. Os reais vencedores de longos períodos são aqueles que, com frequência, aparecem no terceiro quartil.

Só como referência: dos 563 fundos de ações dos EUA que estiveram no quartil superior em setembro de 2015, apenas 6,39% se mantiveram lá até setembro de 2017. Num período de cinco anos, isso cai para menos de 1%.

Malandro que é malandro demais se atrapalha. Não precisa negar a ganância que existe dentro de você – ela existe e ponto final. Pode até ser bom para fazê-lo melhor e mais rico a cada dia, mas precisa estar na medida certa. A ganância é caracterizada pela vontade de possuir tudo que se admira para si próprio. Entenda, portanto, que, para obter isso, você precisará muito mais do que retornos de curto prazo – isso vai matá-lo, em vez de enriquecê-lo.

Como acertar:  Troque a ansiedade por consistência e os juros compostos farão o milagre.

#2 Pouca diversificação

Entre os erros mais comuns dos investidores pessoas físicas é o excesso de concentração. Isso acontece tanto entre classes de ativos como dentro de segmentos específicos.

O sujeito ouve falar de uma ação quente para comprar e aloca 30% de sua liquidez naquilo. Se é para ter menos de cinco ações em carteira, prefira BOVA11.

Como acertar: Do ponto de vista mais geral, certifique-se, necessariamente, de que seu portfólio possui ao menos quatro classes de ativos: renda fixa, ações de empresas sólidas, imóveis/fundos imobiliários e moeda forte. Somente depois disso pense em small caps, criptomoedas e opções.

#3 Muito imóvel e da forma errada

Tem aquele papo clichê de que brasileiro adora imóvel. Fruto da herança inflacionária e da sequência de crises. “Um ladrão pode te levar tudo, mas jamais poderá sair com a sua terra ou a sua casa na bolsa.”

Beleza, não precisamos lutar contra isso. Mas algumas pessoas mantêm, sei lá, 85% do seu patrimônio em imóveis e ficam absolutamente obcecadas quando a Bolsa cai 1%. Não faz nenhum sentido. Tudo que realmente interessa pra riqueza do sujeito pertence ao escopo imobiliário e ele está obstinado com a pequena marcação a mercado da renda variável. Um por cento sobre 15% dos recursos é praticamente nada.

Como acertar: Se você é uma dessas pessoas que amam apaixonadamente os imóveis (nada contra, cada um com suas paixões), considere ter na carteira fundos imobiliários. Eles oferecem vantagens claras sobre os imóveis físicos, como gestão profissional, diversificação, mais liquidez e menos encheção de saco (nada pior do que estar lendo um livro e tocar o telefone avisando que estourou um cano no seu apartamento alugado na Vila Mariana). Uma boa alternativa é o HGLG11.

#4 Muito pós-fixado

“Tesouro Direto é uma boa?”

Ouço essa pergunta toda hora. Não sei nem por onde começar a responder. É como se

perguntassem “comprar camiseta é uma boa?”.

Tem coisa boa e coisa ruim no Tesouro Direto. Depende do momento da economia também e do próprio perfil de risco e horizonte temporal do investidor.

De maneira geral, vejo uma concentração excessiva em fundos DI e até na poupança ainda, por incrível que pareça. Sem falar na herança da mamata das LCIs e LCAs.

Como acertar: Com o fim do paraíso do CDI, uma forma simples de o investidor ir tateando investimentos mais arriscados é comprar uma parte maior de seu portfólio em papéis indexados e prefixados. Experiente alocar uma parte dos recursos em Tesouro IPCA+ 2035.

#5 Viés local

As pessoas um pouco mais sofisticadas entendem a importância da diversificação. Adoram repetir: “Não colocam todos os ovos na mesma cesta”. Eu acho ótimo, de verdade.

Mas daí você pergunta quanto tem aplicado em dólar ou em qualquer moeda forte e ela diz: “Ah, em dólar eu não tenho nada, não”.

Ora, se você entende a importância de ter uma alocação diversificada entre várias classes de ativos, não parece óbvio também que não pode ficar concentrado numa única moeda?

Como acertar: Escolha um bom fundo cambial para seu portfólio. Existem ótimos produtos de gestores independentes. Eles terão um papel crucial na proteção da sua carteira. Um fundo de que gosto muito é o Votorantim Dólar FIC Cambial, aplicação mínima de R$ 1 mil.

Um abraço.

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