Agosto de 2017

Seja sócio de um banco

O que achamos das ações de Banco do Brasil, Bradesco e Itaú

Em um ano traumático para a maior parte das empresas brasileiras, o lucro dos cinco maiores bancos de varejo do país cresceu 8,9%, somando pouco mais de R$ 66 bilhões em 2015.

Esse ritmo, porém, foi sustentado pelo desempenho dos privados – o resultado de Itaú, Bradesco e Santander avançou a uma taxa média de 13,6% no ano passado, enquanto o lucro de Caixa e Banco do Brasil subiu, em média, apenas 2,0%.

Em nosso âmago sempre soubemos que bancos no Brasil são um ótimo negócio. Mas nem mesmo eles sairão imunes da crise econômica, já tendo inclusive fornecido uma série de indícios de que terão resultados mais fracos em 2016.

São basicamente dois problemas que eles têm que lidar (problemas estes que já deram as caras em 2015): a desaceleração do crédito e a escalada da inadimplência entre os consumidores.

Além disso, em meio a um cenário de estabilidade ou até de queda dos juros brasileiros pela frente, também diminui o espaço para que os bancos expandam sua margem financeira, um dos principais itens responsáveis pelos fortes resultados do ano passado.

O presidente do Itaú, Roberto Setubal, resumiu bem os desafios que os bancos brasileiros enfrentam em 2016. Depois de ponderar que desde 1930 o Brasil não passa por dois anos seguidos de queda na atividade econômica, o comandante do maior banco privado do país afirmou que o efeito disso sobre o balanço do Itaú ainda é incerto.

“A gente não conhece bem o que significa [essa queda no PIB] em termos de impacto no mercado de crédito. Estamos sendo muito cuidadosos nisso”, disse em teleconferência com analistas.

De fato, um cenário de maior restrição ao crédito tem correlação direta com a deterioração dos resultados no setor. Afinal, se os volumes de crédito crescem pouco, uma fatia cada vez maior da receita é consumida pelo calote, fazendo com que disparem as despesas com PDD (Provisão para Devedores Duvidoso) – hoje talvez o item que mais preocupe no balanço dos bancos.

Ao mesmo tempo, havemos de considerar a consumação do afastamento da presidente Dilma Rousseff, de modo que também já contemplamos a troca de governo em nossas projeções.

A saída definitiva de Dilma, por exemplo, pode ter um efeito de curto/médio prazo bastante positivo nas ações de Banco do Brasil, cuja gestão estatal vinha sendo alvo de críticas recorrentes no mercado.

Quer uma prova disso?

Basta olhar a performance de BBAS3 entre o final de fevereiro e o começo de março, quando ao longo de doze pregões consecutivos de alta a ação saiu de R$ 12,98 para R$ 22,75, configurando uma valorização acumulada de expressivos 75,5% no período.

Apesar da disparada recente, ainda negocia a valuation convidativo, a cerca de 4,7x preço/lucro. Se bem administrado, Banco do Brasil simplesmente voa. Com base na cotação de meados de julho, podemos ter aqui 60% de potencial de valorização com razoável tranquilidade.

Porém, vale lembrar que o BB já reduziu payout de 40% para 25% (embora continue com um dividend yield atrativo, em torno de 6%) e vem tendo que se esforçar para cumprir requisitos de Basileia.

Preferimos apostar que o governo não vai ser tão irresponsável a ponto de destruir o Banco do Brasil – uma das poucas estatais lucrativas.

A situação de Bradesco já é diferente. O banco tem trimestre após trimestre dado provas da resiliência do seu modelo de negócio, com ROE sistematicamente acima dos 20%. O banco expande a passos largos a concessão de empréstimos ao segmento corporativo e sua receita com seguros só faz crescer, o que mostra a diversificação do banco.

A fusão com o HSBC também é um ponto de upside para o banco. Com a aprovação do CADE o Bradesco poderá entrar de vez na operação do HSBC Brasil, implementar o processo de integração e capturar sinergias. Como esta fase toma tempo, espera-se que o banco esteja totalmente integrado somente no final de 2016.

O ponto de preocupação com o Bradesco vem daquilo que assola todos os bancos nos últimos tempos: a inadimplência. O banco mostrou incremento na inadimplência 90 dias, saindo de 4,1% no 4T15 para 4,2% no 1T16. Esta piora foi decorrente do aumento dos atrasos em pessoa física e, principalmente, pequenas e média empresas, segmento que vem sendo bastante impactado pela deterioração econômica.

Já o outro ponto que nos deixou preocupados foi o guidance que o banco apresentou para despesas com PDD em 2016, entre R$ 16,5 bilhões e R$ 18,5 bilhões. Isto mostra que o Bradesco espera uma deterioração ainda maior na qualidade de sua carteira de crédito ao longo de 2016.

Por fim, o Itaú também deve sofrer com as condições adversas. O banco é bem realista com as dificuldades macroeconômicas que o Brasil enfrenta em 2016, mas ao mesmo tempo está preparado para atravessar este período mais turbulento. Vai continuar focando em linhas de crédito mais conservadoras, com menor risco, como crédito consignado e imobiliário. Não prevê crescimento da carteira de crédito e reconhece que a inadimplência subirá ao longo de 2016 como reflexo do maior desemprego e da inflação, principalmente no segmento de pessoa física, atingindo seu pico no final do ano.

Apesar disso, o Itaú continua olhando com carinho possibilidades de aquisição na América Latina. Pretende continuar realizando operações de recompra de ações, o que somado com os proventos distribuídos anualmente (um terço do lucro líquido), pode conferir ao acionista um dividend yield de 3,8% (ITUB4) em 2016.

No mais, o Banco tem apresentado resultados simplesmente formidáveis. Um nome de alta qualidade a um preço bastante convidativo. Negocia a 8x preço/lucro e 1,6x valor patrimonial, o que consideramos atrativo. Em nossa opinião uma das melhores opções disponíveis em Bolsa – talvez a melhor. Excelente pricing power, bom management, dividendos razoáveis e boa previsibilidade de resultados. Exemplo clássico de crescimento do lucro por ação em horizontes temporais dilatados, algo que interessa muito a investidores estrangeiros.

Acreditamos que Itaú é o melhor banco do setor e o mais preparado para atravessar o cenário nebuloso de 2016. Para surfar a segunda onda Rali do Impeachment, por sua vez, vá de Banco do Brasil.

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