Agosto de 2017

Guia de empresas pequenas

Seu primeiro passo para ganhar com as melhores small caps

Caro Leitor,

Seja bem-vindo a este primeiro passo do Guia Empiricus para garimpar as melhores small caps da Bolsa brasileira. Esperamos que seja uma leitura divertida e, ao mesmo tempo, de implicações úteis para seus investimentos.

Que estas páginas lhe sirvam de estímulo para ingressar num nicho de oportunidades ignorado pela massa de investidores preguiçosos ou mal informados.

Fora o Guia Empiricus, poucas pessoas se dão ao trabalho de estudar ações não óbvias, enquanto muitas reclamam do desempenho pífio do Ibovespa. Esses dois comportamentos são, no mínimo, incoerentes, típicos da turma do amendoim.

Dentre as mais de 300 empresas listadas na BM&F Bovespa, há várias alternativas de ganhos superiores ao índice – em alguns casos, radicalmente superiores.

Obviamente, elas não vêm de graça, nada vem de graça nesta vida. Temos de saber mergulhar num mar agitado, selecionarmos as small caps mais promissoras e desviarmo-nos dos perfis nocivos de risco.

Se você já conhece nossas Microcaps, o Guia o ajudará a compreender os alicerces conceituais e as regras práticas que norteiam a carteira das pequenas turbinadas.

Se você não conhece essa série, fica aqui nosso convite para ingressar numa jornada de grandes aspirações. Temos o objetivo expresso de investir em pequenas empresas com potencial para dobrar de valor num horizonte tangível.

Afinal, por que eu devo gostar das pequenas?

Em breve, vamos lhe mostrar aqui alguns dos racionais que empregamos para garimpar as melhores ações fora do foco.

Antes disso, porém, gostaríamos de caracterizar melhor nosso universo de interesse, pois há muitas definições vagas por aí sobre o que são small caps.

Em geral, nossas Microcaps baseiam-se em companhias cujo valor de mercado não ultrapasse a casa de R$ 2 bilhões. Dos dez papéis escolhidos para a série, sete retratam empresas com market cap enquadrado nesse critério.

A esse respeito, devo confessar que não nutrimos um sentimento inato de altruísmo ou comiseração pelas pequenas. Nossa simpatia por small caps não tem nada a ver com dó, mas tem tudo a ver com o potencial de multiplicação de lucros.

Uma dada empresa, com valor de mercado de R$ 360 milhões, pode muito bem transformar-se num negócio de R$ 1 bilhão, fazendo o seu investimento em ações quase triplicar de valor. Já uma marca famosa de R$ 360 bilhões de market cap dificilmente atingirá R$ 1 trilhão em poucos anos, pois a maior parte de seus ganhos de escala já se materializou, enquanto os riscos de colapso do império aumentam.

Para citar exemplos reais:

+ Em 2008, a EZTEC era uma incorporadora praticamente desconhecida em Bolsa, com lançamentos imobiliários em torno de R$ 500 milhões por ano. Na época, suas ações perambulavam no intervalo entre R$ 2 e R$ 3. Sete anos depois, a companhia passa pela pior recessão dos últimos 25 anos para o setor de construção com caixa no banco e sem nenhuma dívida. Após chegar a mais de R$ 30 reais, a companhia está ao redor de R$ 13, negociando abaixo de seu valor patrimonial. Enquanto o Ibovespa caiu 32% desde 2008, EZTC3 subiu 50% mesmo com o setor jogando fortemente contra.

+ A sempre popular Petrobras viu suas ações fecharem 2007 ao nível de R$ 35, alimentadas pelas tantas promessas de autossuficiência com base no petróleo do pré-sal. Se você tivesse investido R$ 10 mil em PETR4 em 2008, estaria hoje com por volta de R$ 2 mil.

+ No mesmo intervalo, investindo R$ 10 mil em EZTEC, você teria R$ 15 mil, sem contar a tranquilidade de possuir uma empresa sem dívidas e com um controle sério e focado em longo prazo.

Estudamos atenciosamente o universo das small caps para não ignorar oportunidades como a da EZTEC e para não cair no clichê de que toda empresa grande tem um perfil de retorno confiável em longo prazo.

Se você só acompanha o Ibovespa, nunca ouviu falar dos méritos da EZTEC, enquanto a Petrobras faz parte de suas preocupações diárias.

Entendendo o jeitinho delas

Quase toda autêntica small cap apresenta três características bem marcantes:

1) O preço das ações frequentemente se situa entre R$ 1 e R$ 15, tornando os lotes de 100 mais acessíveis ao investidor individual. Embora a cifra nominal de uma ação não signifique por si só que ela esteja barata, às vezes prevalece uma relação íntima entre o valor real e o nominal.

2) Pequenas costumam ter um giro financeiro restrito; liquidez não é o forte delas. Para um investidor pessoa física, que não intencione manobras rápidas com o papel, isso não é exatamente um problema. E a falta de liquidez pode converter-se até em vantagem se fizer a escolha dos fundamentos certos. Quando institucionais se apaixonam por determinada small cap e decidem entrar num float restrito, suas ordens de compra mexem substancialmente com o preço da ação.

3) Ações fora do foco podem ter performances bastante voláteis, especialmente no curto prazo. Por mais perfeito que seja o casamento com o mercado, a trajetória de valorização não deve ser esperada como linha reta e sempre ascendente. Uma nota de rodapé no jornal pode fazer a ação variar dois dígitos, um boato de fórum também. Por isso, não se desespere nem delire de alegria a cada variação percentual.

Não interessa para os tubarões

Por que financistas sisudos de terno e gravata simplesmente não estão nem aí para o universo de small caps?

Você já se perguntou isso?

Bancos de investimento nem sequer comentam sobre oportunidades em small caps, embora sejam os primeiros amigões a abraçá-las quando essas empresas tornam-se reconhecidamente grandes.

Não parece estranho?

Para nós, que conhecemos o motor das engrenagens do investment banking, é fácil de entender. E, como você pode imaginar, tudo tem a ver com dinheiro (no bolso dos bancos, não no seu!).

Empresas pequenas fazem deals pequenos, que não interessam aos banqueiros. Elas não tomam empréstimos gigantescos em dólares para financiar uma mega-aquisição internacional nem fazem ofertas de ações bilionárias.

Comparadas com as enormes comissões dos engravatados da Faria Lima, pequenas empresas não valem a pena.

Por isso, os bancos de investimento acabam limitando sua cobertura às large caps, estas sim comercialmente interessantes e fáceis de tratar. Aí é que estão os milhões dos profissionais de mercado.

Não sei se isso é mesmo melhor para eles, mas certamente é melhor para nós. Como não estamos preocupados em intermediar deals com interesses indiretos, podemos nos concentrar nos interesses diretos enquanto acionistas de uma dada empresa, por menor que ela seja.

Nesse sentido, as obsessões da Faria Lima nos conferem uma vantagem formidável: a de explorar nichos de informação.

Deixe-me explicar com um contraexemplo. Imagine uma companhia popular como a Vale, que conta com a cobertura de mais de 50 times de análise, entre brasileiros e estrangeiros. Cada espirro do Murilo Ferreira, cada tonelada de minério exportada para a China está devidamente contabilizada em 50 planilhas de Excel. Com tantos holofotes viciados, onde está nosso diferencial como investidores em VALE5?

Com as pequenas turbinadas, a gama de cobertura é completamente oposta. Nenhuma das 50 equipes de research que compõem a elite da análise de ações está dando a mínima para uma small cap brasileira. São raríssimas as pequenas que conquistam um único analista interessado, quanto mais 50 deles.

Com as pequenas turbinadas, a gama de cobertura é completamente oposta. Nenhuma das 50 equipes de research que compõem a elite da análise de ações está dando a mínima para uma small cap brasileira. São raríssimas as pequenas que conquistam um único analista interessado, quanto mais 50 deles!

Não é à toa que elas são chamadas de “ações fora do foco”, abandonadas nos cantos da Bolsa, sem qualquer nitidez.

Coitadinhas? Eu é que não vou lamentar.

Para nossa brava vocação bandeirante, nada pode ser mais convidativo. Por vezes, o mero fato de saber que um pequeno negócio existe, tem executivos de primeira linha, está ganhando market share e entrega resultados crescentes basta para perceber um desvio lucrativo entre o valor intrínseco à empresa e o preço na tela do homebroker.

Sempre que nós, analistas da Empiricus, identificamos um desses desvios, desligamos os computadores por alguns minutos, reunimo-nos no centro da sala, postamo-nos de joelhos e jogamos as mãos para os céus, agradecendo aos financistas ultraprofissionais da Faria Lima por não estarem interessados em small caps que podem dobrar de valor.

Do fundo do coração, nosso muito obrigado!

De pequenino é que se torce o pepino

Mas antes de prestar quaisquer agradecimentos, temos um longo trabalho de diligência para encontrar os tais desvios que acusam as companhias mal-precificadas pelo mercado.

Os detalhes metodológicos do processo de análise podem ser um pouco entediantes (na verdade, bastante entediantes, coisa de nerd mesmo). Contudo, nada nos impede de passar aqui uma impressão geral do nosso passo a passo.

+ Primeiramente, debruçamo-nos sobre as demonstrações financeiras, com especial ênfase nas ITRs exigidas pela CVM, pois o rigor contábil é sempre bem-vindo. Gostamos sobretudo de empresas que geram caixa de maneira sustentável – preferencialmente, caixa livre ao acionista – e possuem pouca ou nenhuma. Mas como somos humanos (os nerds também amam), temos uma quedinha por métricas crescentes de receita, ebitda e lucro.

+ Daí em diante, se a parte financeira nos agrada, começamos a juntar aquelas informações sobre a empresa que julgarmos verdadeiramente relevantes: analisamos sua estratégia e posicionamento de mercado; seu poder de barganha com clientes e fornecedores; seu poder de precificação e como anda a competição. A maior parte dessas informações nos é oferecida pelos jornalistas e pelo Google. Elas estão bem à nossa frente, camufladas entre montanhas de afirmações irrelevantes. Eu diria – sem arrogância – que 90% do que encontramos é lixo que só confunde o investidor. No limite, se você desconfia da precisão ou relevância de determinada manchete, tente simplesmente ignorá-la. Lembre-se: não ter nenhum mapa com você é mil vezes melhor do que ter um mapa com as direções erradas.

+ E como cereja (essencial) do bolo, iniciamos um trabalho de comunicação com os stakeholders da candidata. Fornecedores, clientes, concorrentes, membros do float e o próprio management – toda essa galera nos ajuda a entender bem o modelo de negócios, e qual é o tipo de alinhamento de interesse em jogo, se é que existe algum alinhamento! Em última instância, tudo se resume à qualidade das pessoas envolvidas. Sabemos que é clichê dizer esse lance das pessoas, mas, e daí? Os melhores clichês têm amplo apelo prático. E nós somos analistas de pessoas, não de planilhas. Analisamos pessoas e escrevemos análises para pessoas. Planilhas não querem ficar ricas, pessoas querem.

Obrigado

Do fundo do coração (desta vez, sem ironia), agradeço-lhes pelo interesse neste Guia introdutório sobre as pequenas turbinadas!

Queremos realmente alertá-lo para os enormes ganhos escondidos dentro do universo de small caps. Não perca oportunidades por preguiça, medo ou desconhecimento!

Caso tenha mais interesse pelo tema, convidamos você a acompanhar nossa série semanal de Microcaps, na qual falamos continuamente sobre ações cuja alma há de ser grande.

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