Agosto de 2017

Como investir na bolsa

Um guia definitivo para você se tornar um investidor da bolsa.

Caro leitor,

Este é um guia prático para quem deseja conhecer os primeiros passos para investir em ações. Se você chegou até aqui, imagino que tenha se familiarizado com o tema Bolsa de Valores em algum lugar. Se ainda não, preste atenção nas linhas abaixo. Separamos o que você precisa saber entre o pensar em investir em bolsa e o comprar ações, de fato.

Chama-se Bolsa de Valores o ambiente que serve para negociação de vários contratos financeiros, inclusive ações de empresas. No Brasil, a BM&FBovespa fica sediada em São Paulo, e opera por meio de um sistema totalmente eletrônico. Você manda a ordem via internet, ou o assessor da corretora faz isso para você. A informação chega à bolsa e, então, o negócio é realizado.

Hoje, a Bovespa concentra toda a negociação de ações no Brasil. É uma empresa como qualquer outra, tem acionistas e precisa entregar lucro. Qual é a sua função social? Aos investidores que compram e vendem ações, serve para constituir patrimônio ao longo do tempo. Já as empresas colocam suas ações à disposição para receberem novos sócios e, consequentemente, levantar dinheiro para novos projetos. Com isso, a empresa toca investimentos, gerando empregos e girando a roda da economia.

Pronto. Hora de saber como você, investidor, entra na história.

Boa leitura!

QUANTO DINHEIRO PRECISO TER PARA INVESTIR EM AÇÕES?

Não existe valor mínimo para investir em ações, pois é possível comprar ações com valores bem baixos no mercado fracionário (com menos de R$ 30). Mas alguns aspectos atrapalham os pequenos investidores, como vou detalhar melhor nos comentários abaixo.

Dois critérios objetivos permitem que o investidor – por mais iniciante que seja – faça contas de próprio punho.

O primeiro critério diz respeito aos custos de transação e custódia (nós vamos detalhar todos esses custos mais abaixo, não se assuste, apenas tente entender por que recomendamos um determinado montante para investir em ações), que variam de corretora para corretora e podem comprometer substancialmente os retornos.

Supondo que sua corretora cobre R$ 10 por ordem de compra e outros R$ 10 por ordem de venda, são R$ 20 de custos para entrar e sair de uma ação.

Nesse contexto, não faz sentido aplicar algo como R$ 2 mil para deixar, de bandeja, 1% na mão da corretora.

Veja que esse 1% não invalida um investimento que pode vir a render 10% ou até 100% a longo prazo, mas é uma questão de razoabilidade quanto aos custos.

Se você pode aproveitar ganhos de escala, aproveite. Assim, caso comece com R$ 2.500, quando conseguir investir mais em ações terá o efeito da taxa de custódia diluído por um montante maior aplicado (Ex.: R$ 10 de taxa de custódia para um valor investido em ações de R$ 2.500 representa 0,4% ao mês; para R$ 10 mil representa apenas 0,1%).

O segundo critério remete ao lote padrão de negociação, composto por 100 ações. O lote padrão possui muito mais liquidez que o mercado fracionário (quantidades menores do que 100 ações), existe uma quantidade maior de compradores e vendedores, assim, a probabilidade de conseguir preços melhores negociando o lote padrão é maior. Graças aos custos de transação, e também à liquidez do mercado, convém comprar ações em lotes múltiplos de 100.

A Empiricus defende a bandeira do aprender na prática a investir em ações. Começando justamente com pouca quantia, ciente de eventuais perdas, para experimentar o primeiro contato com o universo da renda variável. Nenhum livro-texto conseguirá transmitir a rotina das cotações e as reações perante o comportamento do mercado. E tudo isso é mais fácil do que parece.

Muito bem, agora que você já está com o dinheiro na mão, o próximo passo é escolher uma corretora.

COMO ESCOLHER A CORRETORA?

Está decidido. Chegou a hora de romper com a inércia da caderneta de poupança e migrar para opções mais atrativas de investimento, como as ações de empresas. Sair do amadorismo no trato com o dinheiro e caminhar até a Bolsa de Valores requer a escolha de um intermediador.

Não dá para bater à porta da BM&FBovespa com o bolso cheio e pedir para virar sócio de uma Embraer. Todo o processo de investimento funciona em quatro braços: corretora e bolsa. São os dois elementos cruciais para finalmente aplicar o rico dinheirinho em ações.

Como vimos acima, a BM&FBovespa é dominante no mercado brasileiro. Além de hospedar o ambiente de negociação das ações, executa a liquidação financeira dos ativos e regula toda a etapa pós-negociação. As corretoras de valores, por sua vez, representam a porta de entrada do investimento em ações. Ao contrário da BM&FBovespa, há bem mais do que só uma instituição por aí.

Estima-se que há cerca de 80 corretoras no Brasil habilitadas a levar nossa grana até a bolsa. Eis, portanto, a necessidade de se pôr em prática uma triagem para escolher a sua.

Segundo pesquisa da própria bolsa, o banco ainda predomina como canal para investimentos em ações. Quase todas as pessoas consultadas procurariam o gerente do banco, caso fossem investir em bolsa. A instituição financeira (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander) que você tem conta-corrente fatalmente possui uma corretora. Ao optar por utilizar os serviços da corretora na mesma estrutura em que movimenta a conta-corrente, economiza-se custos com TED. Porém, não adianta evitar essa despesa e pagar muito caro por outras despesas cobradas pela corretora.

Basicamente, as duas principais taxas que o investidor deve ficar atento são a taxa de corretagem e a taxa de custódia. A primeira refere-se ao custo de transação fixado pela corretora. A segunda refere-se ao custo do serviço da corretora de guardar as ações do investidor. Geralmente, cobra-se a corretagem a cada operação, enquanto o custo de custódia é mensal.

Quem está entrando no mercado de ações provavelmente está pensando em rentabilidade mais gorda do que a poupança ou do que os títulos públicos de renda fixa. Por isso a importância de se levar em conta as taxas inerentes ao processo, sob o risco de ver parte do ganho corroído antes de chegar a suas mãos.

Premissas para não se arrepender

Além das corretoras dos bancos, há uma diversidade enorme de corretoras independentes. Difícil identificar as diferenças na oferta de serviços. O melhor é garimpar qualidade. Os sites das corretoras são bem coloridos, cheios de opções para clicar: “Invista agora!”; “Chegou a hora do seu futuro!”; “Abra sua conta!”. Várias vezes aparece a opção “Produtos”, que leva para “Ações”. Aqui, especificamente, focaremos no homebroker, o sistema de compra e venda de ações pela internet. Há quem prefira realizar as ordens por telefone, conversando com o operador. Vai de cada um. Mas atenção aos custos! E não precisa ter medo do homebroker. Afinal, ele é irmão caçula do internet banking.

A função básica de todo homebroker é o envio de ordens. Exemplo: a investidora Luana quer comprar ações da empresa Y. Simultaneamente, o investidor Cláudio almeja vender os papéis da Y. Cada uma faz o envio da ordem para suas respectivas corretoras que, por sua vez, vão encaminhar os pedidos para a Bovespa. Se o que Luana está disposta a pagar coincidir com o preço que Cláudio topa se desfazer das ações, a negociação é concretizada.

Você faz tudo do computador, sem sair de casa!

O homebroker também serve para auxiliar o monitoramento do mercado. Além de ver em tempo real as cotações das ações e dos índices de ações, como o famoso Ibovespa, o sistema registra as ordens enviadas, discriminando quais foram executadas e quais prosseguem em aberto. Também ficam disponíveis para visualização, 24 horas por dia, as ações que detém em carteira, o saldo financeiro da sua conta, extratos de operações realizadas e histórico de posição financeira.

Praticamente duas empresas provedoras de tecnologia fabricam os homebrokers que usamos no Brasil. Isso quer dizer que aparentemente eles não mudam muito de uma corretora para outra, com exceção das cores do layout ou disposição das janelas.

Conforme a imagem abaixo, na parte superior aparece o desempenho das ações, com a cotação e a variação do momento. No centro, a janela “Ordem” permite que você programe sua compra, colocando o código da ação, a quantidade de papéis, o preço… E, no canto direito, um status da carteira para saber quais ordens foram executadas.

Fique atento, porque a tela de negociação não resume o serviço do homebroker. As corretoras dispõem também de relatórios de análise, ferramentas de gráficos e atendimento a todo o momento. A proatividade e qualidade disso tudo varia de corretora para corretora.

Conforme abordamos antes, os custos de transação podem corroer parte dos ganhos com a venda de ações. Quem vasculhar os sites das corretoras perceberá que há taxa de corretagem por ordem desde R$ 2,90 até R$ 30. As taxas de custódia variam entre a isenção, caso você faça alguma ordem no mês – e, portanto, dê alguma receita à corretora pelo consumo da banda de internet, pela visualização das cotações no homebroker – até cerca de R$ 15 por mês.

Sabemos que custo é importante, e aí não há outra forma senão vasculhar as opções mais interessantes. Porém, estamos falando de um serviço que requer garantia de qualidade e execução. Qual seria a triagem adequada, portanto, para se começar com o pé direito?

Há algum tempo, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) criou o chamado boletim de atendimento ao público, um documento que reúne consultas, reclamações e denúncias protocoladas por meio dos diversos canais de atendimento ao público investidor. Uma espécie de mapa dos principais problemas enfrentados pelos investidores, citando as instituições que sofreram maior número de reclamações – infelizmente o relatório mais atualizado não está tão atualizado assim.

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Mas vale consultar. No ranking dos assuntos mais reclamados, liderança disparada de “intermediação no mercado”. E mais da metade dessas queixas ligadas à intermediação endereçam “negociações com valores mobiliários”. Óbvio que quem é maior vai ter mais reclamação, então é preciso ponderar isso.

Para acessar o boletim de atendimento ao público, basta entrar no site da CVM e clicar na opção dentro do item “Proteção e Educação ao Investidor”.

Além da CVM, a própria BM&FBovespa, como entidade autorreguladora, criou uma forma de mensurar os avanços de infraestrutura das corretoras. Desenvolveu o chamado Programa de Qualificação Operacional (PQO), uma certificação que indica aprovação da qualidade dos serviços oferecidos. Quem quiser, eventualmente pode dar prioridade a quem exibir esse selo.

Nos últimos cinco anos, em meio ao crescimento de investidores de alta frequência, houve uma maior necessidade de investimentos em tecnologia por parte das corretoras. Isso porque o investidor de alta frequência opera por meio de computadores equipados por algoritmos matemáticos capazes de realizar operações ultrarrápidas no mercado. São várias ordens enviadas em menos de um segundo, provocando um acúmulo de mensagens processadas pelo sistema da bolsa. Com isso, a infraestrutura do mercado corre atrás para se fortalecer, sob olhar atento da BM&FBovespa.

A nós, seres humanos mortais, fica a dica de observar os nomes de corretoras aprovadas no PQO. O comitê da bolsa responsável pelas certificações concede cinco selos: Agro Broker, Carrying Broker, Execution Broker, Retail Broker e Home Broker. Sugerimos atenção às credenciadas nas categorias Execution Broker e Home Broker no segmento Bovespa.

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Para acessar a área do programa no site da BM&FBovespa, clique aqui.

Pronto, com essas informações em mãos, você, futuro investidor, está apto a escolher com autonomia. Ciente dos temas abordados aqui, você pode agora, por si só, entrar em contato com as corretoras que se interessar e notar como dispensam atenção a um futuro cliente.

Se ainda não souber por onde começar, entre na seção indicada do site da BM&FBovespa e utilize os filtros de busca de corretoras, conforme sua ideia inicial de investimento. Com os nomes que surgirem, faça uma pesquisa aprofundada e tome sua decisão.

Quando escolher, estará pronto para a parte mais burocrática do processo de comprar ações: abrir sua conta na corretora.

COMO ABRIR A CONTA NA CORRETORA?

Depois de escolhida a corretora que vai conectar seu dinheiro ao universo da Bolsa de Valores, o investidor se depara com a tarefa de abertura da conta na corretora.

Abrir conta é como abrir conta no banco, certo? Sim, incluindo toda a burocracia.

Faz sentido. Nos últimos anos, as autoridades do mercado de capitais elevaram a régua regulatória sobre as instituições intermediadoras de valores em sintonia com a maior exigência de infraestrutura tecnológica para processar ordens no mercado. Esse cenário, aliado à recente crise financeira que afastou pessoas físicas da bolsa, despertou o setor para a profissionalização – ainda bem.

Chega de conversa. Hora de preencher o cadastro e abrir a conta.

O site da corretora escolhida para ser a ponte da sua grana ao mercado de ações está aberto na tela do computador, brilhando à sua frente. E agora?

Em primeiro lugar, recomendamos que o futuro investidor, caso ainda não tenha feito, entre em contato com a corretora, por telefone, para confirmar as informações de custos (taxas de custódia e corretagem) e algum outro detalhe que despertou sua atenção no site.

Geralmente, as corretoras não cobram nada de taxa de abertura ou encerramento da conta. E as transferências de recursos por meio de DOC ou TED também ocorrem sem custo adicional. Só para não perder o fio da meada, o que estamos preparando para abrir na corretora é uma conta que será usada para comprar ações – a exemplo de uma conta-corrente. Ou seja, um canal que receberá dinheiro da nossa conta no banco com o objetivo de investir em Bolsa de Valores.

Ciente das informações, o investidor deverá preencher a ficha cadastral (disponível no site da corretora) e enviá-la, devidamente assinada, ao endereço da corretora com a seguinte documentação:

– Cópia autenticada do documento de identificação (RG, Carteira Nacional de Habilitação ou carteiras de órgão de identificação civil).

– Cópia autenticada do CPF (Quando já constar no documento de identificação não é necessário enviar a cópia deste).

– Cópia simples do comprovante de residência (O comprovante deve estar em seu nome, em nome do cônjuge ou dos seus pais. O endereço do comprovante deve ser o mesmo informado em seu endereço residencial).

As informações demandadas pela instituição podem variar de uma para outra. Mas normalmente as corretoras precisarão desses dados para iniciar o cadastro. Além disso, os procedimentos para envio de dados e ficha cadastral nem sempre são iguais. Em geral, a corretora facilita o processo de abertura de uma nova conta, oferecendo, às vezes, serviço de motoboy para retirada dos documentos. Outras efetuam o processo via internet, com digitalização das cópias.

O detalhe é que a cópia de documento deve ser autenticada. Nada que uma fila pequena no cartório perto do trabalho não resolva. Pronto, agora falta preencher o cadastro.

Conservador ou PPE?

A ficha cadastral começa com perguntas básicas: nome, números de documentos, nome dos pais, endereço residencial e comercial. Tranquilo. Na sequência, solicita ao investidor informações a respeito de patrimônio, tais como rendimento mensal e bens materiais – imóveis, aplicações financeiras.

Depois o cadastro ingressa na fase de definição do perfil. O investidor deve responder se se enquadra como “pessoa politicamente exposta”, conforme as características abaixo:

“Declaração obrigatória – pessoa politicamente exposta

Nos termos da Circular no 3.339, de 22/12/2006, do Banco Central do Brasil, foram definidos procedimentos a serem observados pelas instituições financeiras a respeito da movimentação de recursos pelas chamadas:

(i) Pessoas Politicamente Expostas – PPE

(ii) Pessoas Relacionadas a Pessoas Politicamente Expostas – PPE Relacionado,

assim definidas como “aqueles públicos que desempenham ou tenham desempenhado, nos últimos cinco anos, no Brasil ou em países, territórios e dependências estrangeiros, cargos, empregos ou funções públicas relevantes, assim como seus representantes, familiares e outras pessoas de seu relacionamento próximo”.

O questionamento pertence a um esforço do setor financeiro, em nível mundial, para combater fraudes e lavagem de dinheiro. No caso, pretende-se indicar pessoas que podem representar um risco mais elevado de corrupção por ser titular de cargo político. Quando lançada pelo Banco Central, em 2006, a medida visava uma maior vigilância dos bancos sobre operações efetuadas por políticos.

PPE ou não, o investidor tem ainda mais informações a prestar. Em especial, o chamado formulário de “Análise de Perfil do Investidor (API)”, mais uma demanda regulatória coerente com as melhores práticas do mercado financeiro. É o chamado “Suitability”, ou “adequação”, em português.

Basicamente, por meio de um questionário, estipula-se um perfil de risco (conservador, moderado ou arrojado) que permite uma triagem de operações no mercado compatíveis com a tolerância do investidor a perdas. Se levado a sério, é um esforço louvável, porque muitos marinheiros de primeira viagem acabam entrando em ondas arriscadas absolutamente despreparados.

Eis o formulário de cadastro:

 

Formulário de Cadastro – Avaliação de Perfil de Investidor

 

Quais são seus conhecimentos e experiência em investimentos financeiros?

( ) Não entendo o mercado de renda variável, porém, tenho interesse em investir em ações, de forma conservadora.

( ) Já me sinto seguro para tomar decisões de investimentos no mercado à vista.

( ) Já me sinto seguro para tomar decisões de investimentos no mercado à vista e, também, no mercado de derivativos – opções, termo e futuro.

( ) Domino o assunto e me sinto seguro para realizar qualquer tipo de operação no mercado de renda variável.

 

Qual o objetivo do seu investimento?

( ) Preservação do capital para não perder valor ao longo do tempo, assumindo baixos riscos de perdas.

( ) Aumento gradual do capital ao longo do tempo, assumindo riscos moderados.

( ) Aumento do capital acima da taxa de retorno média do mercado, mesmo que isso implique em assumir riscos de perdas elevadas.

( ) Obter no curto prazo retornos elevados e significativamente acima da taxa de retorno média do mercado, assumindo riscos elevados.

 

Por quanto tempo você pretende deixar seu dinheiro investido?

( ) Acima de 3 anos
.

( ) Entre 1 e 3 anos.

( ) Entre 6 meses e 1 ano.

( ) Menos de 6 meses.

 

Caso as suas aplicações em renda variável sofressem uma queda superior a 50%, o que você faria?

( ) Venderia toda a posição e aplicaria em renda fixa.

( ) Manteria a posição aguardando uma melhora do mercado.

( ) Aumentaria a posição para aproveitar as oportunidades do mercado.

 

Seu perfil de acordo com este questionário é: (…)

 

Após o preenchimento da ficha cadastral é hora de enviar a documentação para a corretora. Independentemente da forma (motoboy, internet), o contrato enfatizará que o cliente declara ter conhecimento dos riscos inerentes ao investimento no mercado de ações, podendo acarretar em perda do capital investido. E, naturalmente, que o cliente pagará à corretora comissão pelos serviços de intermediação.

Fique sempre atento, portanto, a eventuais mudanças de taxas.

Atualmente, o tempo de envio da documentação até a abertura de conta demora cerca de um dia.

Basta aguardar o e-mail: “Cadastro concluído com sucesso” e receber a senha para finalmente acessar o homebroker e colocar os dois pés na Bolsa de Valores.

ACESSANDO O HOMEBROKER

Corretora escolhida, conta aberta. Seu dinheiro se aproxima da Bolsa de Valores. Em breve você poderá ser sócio de uma grande empresa brasileira, como Ambev, Vale, Itaú, Bradesco, Gerdau…

Para comprar a ação de uma empresa você utilizará os serviços do homebroker, ferramenta lançada em 1999 que permite o envio de ordens ao sistema da bolsa pela internet. Até então o investidor dependia do telefone para executar a operação com um operador da corretora.

De cara tudo isso soa desafiador. Mas não é. Neste capítulo do guia apresentaremos como funciona o homebroker e os conceitos envolvendo índices de ações e empresas blue chips.

Mais adiante entraremos nos temas de análises de ações até efetivamente o processo de compra da primeira ação. Um passo de cada vez, sem enrolação.

O acesso ao homebroker ocorre por meio do site da corretora. Login e senha, pronto. Bem-vindo à plataforma que conectará seu dinheiro ao universo das ações de empresas.

 

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Variando cor e estilo de layout de corretora para corretora, o homebroker tem uma área para programar uma ordem de compra ou venda de ações. Isso quer dizer preencher corretamente o código da ação, definir a quantidade e as condições do negócio, como a que preço deve ser concretizado (abordaremos todo o processo de compra de uma ação no Capítulo 5 desta série).

O sistema também concentra informações da carteira de ações do investidor, a posição financeira, ou seja, os valores à disposição na conta para comprar ações, além de dados de notas de corretagem de operações anteriores. Após a etapa de cadastro concluído e conta recém-aberta, geralmente as corretoras já liberam um login e senha de acesso ao homebroker, mesmo ainda sem nenhum depósito de dinheiro para negociar no mercado de ações.

Por fim, há ferramentas que costumam conter um serviço de notícias em tempo real e dispositivos de gráficos e cotações que podem auxiliar uma tomada de decisão.

Por meio do homebroker, o investidor pode, a qualquer momento, consultar o status de determinada ação no mercado. A rede de dados das corretoras é atualizada em tempo real, recebendo informações diretamente da BM&FBovespa. Quanto está custando uma ação da Petrobras?

Ao clicar em cotações, não adianta escrever PETROBRAS. No mercado, as ações das empresas listadas são nomeadas por códigos. No caso de Petrobras, PETR3 e PETR4 representam as ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN) da estatal petrolífera (falaremos mais de ONs e PNs).

O quadrado que pula da tela do homebroker mostra uma ação PETR3 valendo R$ 16,98 às 16h34, do pregão da Bovespa. A ação está subindo 1,86% em relação ao fechamento do dia anterior. Entender a dinâmica é simples. Se a pessoa tivesse um dinheiro na conta da corretora, poderia cadastrar uma ordem interessado em comprar a ação da Petrobras. A ordem programada no homebroker é transmitida via on-line ao sistema da corretora, que repassa para a BM&FBovespa.

Em adição ao homebroker, as corretoras também costumam enviar informativos diários aos clientes contendo um resumo de acontecimentos do dia que repercutiram no mercado financeiro, cotações de dólar, juros, bolsas internacionais e indicadores econômicos do Brasil e do mundo.

Tais dados não merecem destaque como grande diferencial de serviços. Há de se ponderar a utilidade de saber o “IPC-S da terceira quadrissemana de agosto” para comprar uma ação. De qualquer maneira, a partir de agora, convém atualizar-se dos principais acontecimentos econômicos para, aos poucos, assimilar o noticiário com viés mais crítico e menos passivo.

Ainda no homebroker, o investidor iniciante deve encontrar referências de análises de ações. Há a abordagem fundamentalista e a técnica… mas vamos por partes. Afinal, onde entra o tal Índice Bovespa falado todos os dias pelo William Bonner na TV?

O Ibovespa ou Índice Bovespa serve como um termômetro do desempenho do mercado de ações brasileiro. Por quê? Ele reúne 66 das ações mais negociadas e representativas de cerca de 400 empresas listadas na bolsa. Com essa amostra, reflete a vontade de investidores de comprar e vender papéis. Quanto mais gente quer comprar, o índice sobe, e quanto mais gente quer vender, ele cai.

Risco, incerteza, volatilidade, tensão, pessimismo, otimismo, alívio, confiança, desânimo… Esses são termos usados pela mídia econômica para descrever a evolução da bolsa baseado no Ibovespa. Todos os dias o índice sofre uma mudança súbita de humor, alternando decepção e orgulho diante de uma informação econômica ou uma previsão diferente disso ou daquilo. Esse comportamento errante, meio maníaco-depressivo, abriga receios e desejos do investidor.

Diversas vezes lemos nos jornais e nos sites de economia: “…as ações da empresa Y caem com investidores ‘zerando posições’…”. Ora, se há alguém vendendo, há alguém comprando. Essas “posições” passaram de uma mão para outra. Talvez a cabeça que controla uma das mãos esteja com medo de um incidente difícil de calcular o risco. Enquanto a outra cabeça está ditada pela vontade de obter um ganho enorme rapidamente.

É importante entender que índice de ações não representa a Bolsa brasileira como um todo. Há empresas com menor valor de mercado e menos negociadas que estão fora do Ibovespa e, portanto, distantes dos holofotes. São as chamadas small caps e mid caps que, ao longo do tempo, podem se apreciar em bolsa, ganhar relevância em termos de valor de mercado e chegar ao Ibovespa.

Especificamente no Ibovespa, o investidor tende a observar o índice de olho nas ações de empresas renomadas, como Ambev, Vale, Itaú e Bradesco. São companhias que estamos acostumados a acompanhar em nosso dia a dia pelo tamanho de suas operações no Brasil.

Essas são as chamadas blue chips da bolsa. No mercado de ações, porém, não há garantia de sucesso nem mesmo a bordo de uma blue chip. É importante fazer a lição de casa para se ter convicção na hora de aplicar o dinheiro na renda variável. E isso é bem mais simples do que parece.

ESCOLHENDO A AÇÃO

Entre o aprender a mexer no homebroker e o ato de comprar a primeira ação, há a etapa na qual o investidor dedicará mais tempo ao longo da jornada na Bolsa de Valores: definir a estratégia de investimento.

 Dentre tantas empresas listadas na bolsa, eu me tornarei sócio de qual delas.

A parte burocrática para se habilitar a negociar ações está resolvida. Já entendemos o funcionamento do sistema de compra e venda de ações pela internet, conhecendo o universo de índice de ações, como o famoso Ibovespa e as categorias blue chips e small caps.

Estudar uma empresa para saber se vale a pena aplicar seu dinheiro não requer um diploma em Economia na Universidade Stanford. Um leigo também pode ser bem-sucedido.

Daqui a pouco você se tornará sócio de uma grande companhia brasileira, libertando seu dinheiro das migalhas da poupança para colher crescimento de lucros de empresas ao longo do tempo.

Mas antes de comprar a primeira ação, vamos analisar o mercado.

Há quem diga que o êxito no mercado de ações é proporcional à dedicação na análise das empresas. Sob esse ponto de vista, em tese, quanto mais tempo estudando ações, melhor o resultado das aplicações. Na prática, o aprendizado fruto de erros e acertos molda o investidor de sucesso.

Como começar? Em primeiro lugar o investidor deve conhecer os dois tipos de análise de ações: a análise fundamentalista e a técnica. Esta última consiste em aproveitar uma alta da ação no curto prazo. Com o gráfico contendo o histórico da cotação, tenta-se prever tendências futuras do papel. A análise fundamentalista prega algo mais palpável. Investiga-se a saúde operacional e financeira da empresa para mensurar sua capacidade de gerar retorno ao longo do tempo.

Nos dois casos, o passado traz informações relevantes. Mas o futuro é difícil de prever. O que nos resta é nos esforçarmos para compreender bem o presente.

É uma tarefa ambiciosa, reproduzida diariamente na interpretação do desempenho dos mercados. Há interações da bolsa com diversas questões mundiais. Um conflito na Síria provoca ruídos nas ações de todas as partes do globo. É a tal da incerteza. O medo de investir sem localizar o risco.

Vamos para as ações. Dentre outras do Ibovespa, a Vale é uma companhia enorme e reconhecida, que transmite a ideia de boa empresa a qualquer pessoa. Em primeiro lugar, o que ela faz? É importante saber responder a essa pergunta pensando que nossos avós estão perguntando. A Vale retira da natureza o minério de ferro que serve de insumo para a produção de aço. A análise fundamentalista poderá recomendar compra para a ação da Vale, sob duas premissas: I) otimismo em relação à demanda por commodities metálicas – leia-se China; II) a atual administração vem se esforçando no sentido de ter maior disciplina com custos. São apenas exemplos.

Mesmo os analistas e economistas reclamam de falta de visibilidade sobre a economia chinesa. Os investidores acabam reféns da agenda de indicadores internacionais. Isso vale também para Estados Unidos e Europa. Todos os dias chega um dado novo sobre as potências econômicas, desmentindo ou confirmando expectativas do além. A variação dos dados para cima e para baixo é enorme.

Como sintetizar a atividade mundial está cada vez mais complexo, convém iniciar a jornada com uma ação ligada à saúde econômica do Brasil. Pois, além dos indicadores diários, a experiência cotidiana enriquece a análise. Se sua cunhada é demitida com outros milhares em uma multinacional, se seu amigo entra em férias forçadas na montadora que trabalha e seu carrinho de supermercado enche menos com a mesma quantidade de dinheiro do mês passado, é sinal de que a coisa não anda muito bem. Em outras palavras, o investidor consegue desenvolver uma visão mais autocrítica das projeções.

Do mundo para o Brasil, do Brasil para o Estado de São Paulo, por exemplo. Olhando somente as características do Estado em que você mora e supondo demandas da sociedade, dá para pensar em empresas que tendem a ser relevantes ao longo do tempo. Por exemplo, uma carteira de ações com Sabesp, Comgás e até mesmo uma empresa farmacêutica. São nomes em que a procura não depende tanto de avanço da renda da população. Afinal, remédio é um bem que você vai precisar de qualquer jeito, diferentemente de uma calça jeans ou outra coisa que sofreria caso a economia piorasse.

O setor está bem, a economia ajuda e a empresa é excelente. Hora de apertar o botão de compra? Ainda não. Agora é o momento crucial de respeitar a regra elementar de finanças: comprar barato e vender caro. O investidor deve se preocupar em comprar uma ação barata. As empresas são pessoas. Basta você reparar na empresa na qual trabalha. As decisões e o ritmo dos acontecimentos para o rumo da firma dependem de fatores aleatórios, além dos fundamentos econômicos. Ao adquirir algo barato, crescem as chances de surpresas positivas, e não o contrário.

Um índice de ações interessante para dar o pontapé inicial é o Índice Brasil Amplo (IBrA), irmão do Ibovespa, mas com composição mais abrangente, ponderando liquidez (papéis negociados por muitas mãos). Além disso, no homebroker, o investidor pode visualizar o gráfico da cotação nos últimos 12 meses e, assim, ter uma ideia boa sobre a tendência do papel.

Uma empresa cujas ações caem na faixa de dois dígitos no acumulado do ano talvez esteja passando por um momento de impopularidade. Quem está empenhado em ganhar dinheiro ao longo do tempo pode aproveitar essa situação pontual para se posicionar e aguardar a recuperação.

Porém, cuidado! Há casos em que o barato merece ficar barato, ou seja, não possui indícios de retomada. Um filtro de desvalorizações anuais pode trazer, por exemplo, várias empresas incorporadoras de imóveis dentre as maiores quedas no ano. Antes de entrar com tudo, convém pesquisar um pouco mais. É sabido que os preços do setor imobiliário estão nas alturas. Se você conhece alguém que está financiando um imóvel, será que ele está satisfeito com os procedimentos da incorporadora? Se o Banco Central está subindo o juro para conter a inflação, isso deve ter algum efeito negativo em novos financiamentos. Esses aspectos devem ser considerados na hora de montar posição.

Olhar só o preço não basta para saber se a ação está barata. É uma visão parcial, de cima para baixo. Assim como faríamos caso decidíssemos virar sócios do dono da padaria da esquina, precisamos conhecer mais detalhes da empresa falando com o dono da padaria.

Por isso, a importância de se comunicar com a área de Relações com Investidores das empresas. Pessoas mais experientes do mercado dizem que os departamentos de RI servem para as empresas se mostrarem como gostariam e não como são de fato. Debate à parte, é o local que serve de ponte ao investidor pessoa física que está começando do zero. Vamos utilizá-lo, portanto.

Em geral os sites de empresas de capital aberto, listadas na BM&FBovespa, possuem uma seção chamada “Relações com Investidores” ou “Investidores”. Lá dentro há uma aba de “Perfil Corporativo”, com uma descrição da empresa. Uma outra se chama “Governança Corporativa”, contém informações de composição acionária da empresa, nomes dos diretores e dos conselheiros. Também há uma aba com comunicados da empresa ao mercado e “Central de Resultados”.

Normalmente, o próprio site dispõe de uma seção de envio de mensagem para o departamento de Relações com Investidores. Caso contrário, basta procurar em “Contatos”.

Veja abaixo um exemplo de conversa de e-mail entre um investidor e a área de RI da Vale.

Investidor:

Caros, bom dia!

Estou iniciando minha vida no mundo dos investimentos.

 Já estou com conta aberta na corretora e estou agora na fase de escolher minha primeira ação. Vi que a ação da Vale acumula queda no ano e estou ponderando se essa é uma boa oportunidade. O que poderiam me dizer?

Obrigado.

Vale:

Prezado Sr. Investidor,

Agradecemos seu interesse pela Vale!

Investimentos em ações apresentam riscos, não existindo nenhuma garantia explicita ou implícita de que o investidor vá obter ganhos ou perdas de parte do capital investido num curto prazo. Entender isso é fundamental antes de se tomar a decisão de investir em ações, seja quais forem.

É importante lembrar que os movimentos de curto prazo não necessariamente refletem a solidez financeira da empresa e os fundamentos do seu mercado. Porém, no longo prazo, as boas empresas e com excelentes fundamentos tendem a refletir isso e a trazer mais retorno aos seus acionistas do que as demais concorrentes. Por sua solidez e capacidade de crescimento, as ações da Vale apresentam boas perspectivas de retorno para os investidores no longo prazo.

Em 2008-2009 o mundo passou por uma crise e os ativos de todas as empresas tiveram uma redução enorme. A Vale está, desde então, trabalhando para que o capital da empresa se valorize e retorne aos níveis anteriores à crise e possa, a partir daí, continuar sua história de crescimento. Somos uma empresa vitoriosa e continuaremos nessa linha; estamos confiantes em nossa recuperação e crescimento.

Esperamos tê-lo como um dos nossos acionistas em breve.

 Atenciosamente,

 VALE

 

A postura do departamento de RI auxilia na tomada de decisão. Um RI que não responde e-mails nem atende a telefonemas pode até representar uma boa empresa, mas talvez falhe na comunicação com o mercado.

Sempre vale enfatizar que erros e acertos fazem parte do processo.

Aprender a investir em bolsa conserva alguma semelhança com guiar uma bicicleta. Se você não sabe, parece impossível. E, uma vez que se aprende, jamais se esquece.

COMPRANDO A AÇÃO

Se até aqui foi tranquilo, agora não tem segredo. Chegou a hora de conectar o bolso com o universo fascinante da renda variável, fazendo jus à condição de investidor.

Antes do primeiro capítulo, o mercado de ações parecia algo distante, reservado a um seleto grupo de pessoas. O preconceito está superado. Seu dinheiro encontra-se mais perto do que nunca de uma fração do capital de uma boa empresa brasileira, livre da mesmice da conta poupança.

A perda da virgindade em bolsa é um momento único. No capítulo a seguir acompanharemos como foi efetuada, na prática, a compra de uma ação, ao fim de 2013. Ao contrário do capítulo anterior, mais teórico, o objetivo aqui será compreender a execução do processo.

Afinal, este é um guia para aprender a investir dinheiro em bolsa, e não um relatório com recomendações.

Com estas instruções você estará apto a escolher uma corretora, abrir conta, analisar estratégias de investimento e comprar uma ação. Mas, lembre-se: comece com pouco.

Começando com 100 ações

Como qualquer outro tipo de aplicação financeira, o investimento em ações carrega riscos de perda do capital investido. Se é considerado mais arriscado do que a caderneta de poupança, significa que também tende gerar retornos superiores à média.

Ciente dessa relação natural de risco e retorno, o investidor iniciante deve começar a empreitada na bolsa com pouco dinheiro. O aprendizado ocorre gradativamente, com base em erros e acertos comprando e vendendo ações. Não adianta ler um manual de instruções para conseguir andar de bicicleta, é preciso tentar pedalar sozinho e abandonar as rodinhas ao longo do tempo.

Para entrar em ação, vamos assumir que separamos R$ 5 mil da grana acumulada nos últimos anos para investir em ações. Como será a primeira vez, começaremos comprando um lote padrão mínimo de 100 ações. É possível adquirir menos ações do que 100, ou alguma outra quantidade quebrada fora do lote de 100, porém, é mais fácil encontrar pessoas detentoras de lotes de 100 ações do que donas de 55 ou 78 ações, por exemplo. Focaremos, portanto, em lote padrão.

Isso quer dizer que se a ação da Vale (VALE5) aparecer na tela do homebroker valendo, por exemplo, R$ 26, precisaríamos disponibilizar R$ 2.600 para adquirir um lote padrão. Assim, se a ação da Petrobras (PETR4) estivesse cotada em R$ 23, o investimento em um lote padrão atingiria R$ 2.300 para virar sócio da empresa petrolífera.

Sabemos que o conceito elementar de finanças é comprar barato para vender caro. Consequentemente, uma empresa que atravessa um momento pontual de baixa popularidade pode se tornar um alvo do investidor iniciante. E, considerando que temos R$ 5 mil para investir, devemos levar em conta que não convém, neste primeiro momento, comprar uma ação com preço cotado acima de R$ 30. Isso representaria um aporte na faixa de R$ 3 mil, ou seja, 60% do capital inicial.

Fim da virgindade

A primeira decisão prática a ser tomada é deixar os R$ 5 mil aptos a comprar ações. Como vimos nos primeiros capítulos, após a escolha da corretora, o investidor abre uma conta na corretora. O dinheiro precisa ser depositado nessa conta para viabilizar a compra de ações na bolsa.

Assim que o investidor realiza o cadastro na corretora, ele tem acesso aos dados bancários da instituição para depositar o dinheiro, eventualmente por meio de TED. Depois, mediante o envio do comprovante do depósito à corretora, a grana ficará disponível.

Veja abaixo o extrato de um homebroker em operação realizada em setembro de 2013.

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COMO COMPRAR AÇÕES

Pronto. Podemos agora comprar a primeira ação.

O homebroker mostra um saldo de R$ 5 mil. Qual ação comprar? A título ilustrativo, usaremos o exemplo de um negócio realizado em setembro de 2013. Um investidor iniciante decidiu iniciar a jornada na bolsa comprando um lote padrão de 100 ações da fabricante de móveis planejados Unicasa, sob o código UCAS3.

O investidor considerou, na ocasião, três fatores para tomar a decisão: I) uma forma de participar indiretamente do setor imobiliário; II) a ação acumulava desvalorização, pois a empresa atravessava um momento de ajuste com fechamento de lojas e início de nova estratégia com lojas próprias e franquias – ou seja, comprar algo barato pensando em vender caro no futuro; III) com esse foco no longo prazo, chamou atenção a política de distribuição de dividendos de 25% do lucro, uma vez ao ano – informação checada com o departamento de Relações com Investidores da empresa.

Havia, portanto, perspectiva de ganhar dinheiro tanto por meio da valorização das ações quanto pela distribuição de proventos aos acionistas. Trata-se aqui de um dinheiro que as empresas costumam pagar periodicamente aos acionistas, havendo disponibilidade de caixa. O dividendo é oferecido de forma proporcional ao número de ações do investidor. Nesse caso, 100 ações.

A ação da Unicasa havia saído da casa de R$ 15 em maio de 2012 para aproximadamente R$ 6, naquele setembro de 2013. Era a hora de perder a virgindade em bolsa.

Homebroker aberto, entra na área dedicada a operações de compra e venda. A oferta precisa ser especificada para depois ser enviada ao sistema da bolsa. Coloca-se então a quantidade, um lote padrão de 100 ações, e estipula-se que a compra será feita ao preço atual. Uma UCAS3 valia R$ 6,15.

Clique em “COMPRAR”.

Senhoras e senhores, surge mais um novo investidor do mercado brasileiro. Veja abaixo como foi processada a operação na posição financeira do investidor.

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Considerando que a corretora utilizada na ocasião cobrava R$ 7 de taxa de corretagem, nota-se que houve a incidência de alguns centavos de taxa de liquidação e de emolumento – custos da própria bolsa. A operação de compra foi concretizada a R$ 615.

Caso a ação subisse nos meses seguintes e alcançasse o patamar de R$ 8, por exemplo, o investidor poderia vender os 100 papéis a R$ 800 e conseguir um retorno de 30%.

Pronto, você já sabe tudo. A lição mais importante é: não tenha medo de arriscar e agarre-se em suas convicções.

Bons investimentos!

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