Outubro de 2017

Contragolpe

O processo de reconstrução do Brasil já começou

A carta-testamento de Getúlio Vargas foi, curiosamente, escrita num mês de agosto. Mais precisamente, há 62 anos. Carregava o típico discurso populista e personalista da esquerda latino-americana. Sempre há um golpe em curso orquestrado pelo imperialismo ianque comedor de criancinha.

O suicídio de Vargas marcou o fim de uma era e assentou as bases para o que viria a seguir. É, no mínimo, anedótico que a votação final do impeachment da presidente Dilma Rousseff também aconteça em agosto.

Há outros paralelos mais importantes – antes de prosseguir, faço um esclarecimento que deveria ser desnecessário, em nome do politicamente correto: evidentemente, ninguém aqui supõe suicídio, morte, doença ou qualquer coisa parecida à presidente Dilma; em todas as nossas críticas a seu governo, algumas delas duríssimas, foi preservado o respeito pessoal. Assim será também agora – nem poderia ser diferente.

Quando as coisas vão acontecendo no dia a dia, perdemos a capacidade de analisá-las com o devido afastamento. Somos amortecidos pela rotina. O trânsito de duas horas passa a ser natural. Os dois maços de cigarro por dia também.

Acontecimentos históricos, daqueles que lemos nos livros, têm sua importância subdimensionada no momento de sua materialização. Somente depois poderemos olhar e, sob o benefício da retrospectiva, contemplar o quão importante foi um determinado movimento.

Talvez não sejamos (nós, os brasileiros) as pessoas mais apropriadas para indicar a importância dos processos que acontecem no Brasil, tomados pela profundidade do atoleiro em que estamos e pelo viés imposto pela paixão tipicamente despertada pelo tema da política. Não há debate racional quando se odeia o outro lado.

Os estrangeiros estão em vantagem. Para eles, não importa muito se somos coxinhas, fascistas, petralhas, lulistas, brizolistas ou tropicalistas. O que lhes interessa é samba, caipirinha e as mulatas; nem o futebol temos mais a oferecer. Ah, claro, um pouco de taxa de juros também vai muito bem, obrigado.

Aos gringos, basta a certeza de que não explodiremos o País e retomaremos a ortodoxia na política econômica. Afastado o risco de cauda de acelerarmos na direção do precipício com o qual flertávamos desde a nova matriz econômica, o juro real de 6%, para uma dívida denominada em reais, é suficiente. Sacia a gula de quem não tem yield lá fora. Haverá uma enxurrada de dinheiro com a materialização do impeachment e o fim da interinidade do presidente Temer. O gringo topa pagar um pouco mais caro para ver eliminado um risco de radicalização.

A liquidez internacional é simplesmente brutal e qualquer direcionamento do investidor externo para cá representará uma catapulta no preço dos ativos. O alocador internacional está completamente underweight (subalocado) em Brasil e essa situação pode ser revertida com a catálise do afastamento definitivo de Dilma Rousseff.

Há de se pontuar como estamos preparados para uma recuperação cíclica da economia, com queda da inflação e de suas expectativas, início de um processo de revisão para cima das projeções de crescimento, acerto das contas externas e melhoria da política econômica, com prognóstico de condução austera da política monetária e caminhada em direção ao equacionamento da trajetória explosiva da relação dívida/PIB.

Talvez você pense que alguns ativos brasileiros já não parecem mais tão baratos, sobretudo depois do rali recente. E eu terei de lhe dizer que concordo. Mas faço uma pergunta: num mundo de juros negativos, o que está barato hoje? Todos os retornos potenciais estão deprimidos, simplesmente porque não há yield fácil disponível. É o cenário Tina (there is no alternative, ou não há alternativa além de comprar ações ou títulos de alto risco) tornando o carry (aposta no diferencial de juros) com Brasil muito atraente.

Por causa do juro zero, as bolsas internacionais não precisam pagar muito para serem atrativas relativamente à renda fixa. Mesmo mais caras, oferecem, sim, retorno potencial menor, mas ainda com prêmio de risco convidativos, dada a alternativa altamente deprimida.

Há uma frase sintomática usada por Jesse Livermore no clássico Reminiscências de um operador de Bolsa: “Se, olhando para o futuro, você pode ver, de modo razoavelmente claro, que as condições que estão se desenvolvendo vão mudar o poder real presente, a questão de serem ou não as ações baratas hoje vai desaparecer”.

Esse é exatamente o caso agora. O que parece caro hoje vai se mostrar bem barato amanhã, quando o crescimento econômico e as margens de lucro voltarem ao normal.

Duas coisas são fundamentais para formação de preço de ativos de risco em mercados emergentes, conforme ficou claro nos últimos anos: i) liquidez global; e ii) política econômica local (nem tanto no nível, mas sua derivada). Estão colocados os elementos em favor de um longo reapreçamento dos ativos brasileiros. Não é um processo de oito meses. Mas, sim, de dois anos. Queremos capturar isso.

A quanto estaria a Bolsa se estivéssemos crescendo 3% ao ano, com Selic a 10%, inflação de 4,5% e déficit em conta-corrente de 1%? E se isso acontecer em 2017?

É examente disso que trata o Contragolpe.

É o processo de reconstrução do Brasil.

Uma resposta após a destruição dos fundamentos da nossa economia por um governo que levou o Brasil ao pior ciclo de recessão de sua história.

Listamos abaixo 10 pontos que comprovam que este movimento de reconstrução já começou…

… e, mais do que isso, terão impacto sobre o seu padrão de vida e determinarão a sua capacidade de investimento nos próximos meses e anos.

 

1) O Banco Central está recuperando o controle das expectativas de inflação

Na gestão de Alexandre Tombini à frente do Banco Central, não houve um ano sequer de cumprimento da meta de inflação. É vergonhoso.

A nova equipe econômica tem recuperado a credibilidade, algo notável na queda brusca das expectativas de inflação. Esse ambiente permite que o Banco Central reduza os juros à frente.

Você poderá notar uma sensível melhora em seu poder de compra nos próximos meses, com reflexo direto sobre as suas contas no final do mês.

 

2) A indústria dá os primeiros sinais de virada

Não há como negar a tragédia da política industrial dos últimos anos, que culminou em quedas drásticas no nível de produção, acúmulo de estoques e onda de demissões e falências no setor.

Mas há algo novo acontecendo.

O nível de confiança da indústria começa a melhorar. É o primeiro sinal de uma potencial retomada da atividade industrial. E não para por aí…

 

3) O seu padrão de consumo pode melhorar

Com o descontrole da inflação e a queda do nível de renda das famílias nos últimos anos, mais da metade dos brasileiros precisou mudar os seus hábitos.

Mas, pela primeira vez nos últimos cinco anos, os níveis de confiança e consumo das famílias atingiram um ponto de inflexão, invertendo a tendência.

Isso já começa a se refletir no cotidiano das pessoas e nas expectativas para a economia como um todo…

 

4) Devemos ter uma forte recuperação do PIB em 2017 

A expectativa de ajuste das contas públicas, a inflação mais comportada e a melhora da confiança de empresários e consumidores têm gerado uma onda de revisões nas projeções para a economia brasileira.

As projeções para a economia brasileira já apontam 2017 como o ano da recuperação.

A recuperação do PIB pode ser muito mais vigorosa do que todos estão cogitando. E não faltam sinalizações neste sentido…

 

5) Vamos priorizar o que realmente interessa

O nível de investimento em relação ao PIB brasileiro regrediu muito nos últimos anos. Mas uma nova medida, recém aprovada, tem potencial para mudar esse retrato.

Pela primeira vez em mais de uma década, a política de governo deixa de focar no lado da demanda para focar no real problema: ganhos de produtividade, estimulando o lado da oferta de bens e serviços.

E já podemos falar a palavra “privatização” sem correr o risco de sermos banidos do País. Se ainda estamos distantes de endereçar uma solução, agora, pelo menos, temos iniciativas práticas nesse sentido.

 

6) Temos a melhor equipe econômica em décadas 

Depois de vários anos de convivência com um quadro econômico de pouca credibilidade, finalmente temos a chance de nos deparar com uma política monetária séria.

Agora temos o excelente Mansueto Almeida como secretário do Tesouro (maior especialista em contas públicas do Brasil), Ilan Goldfajn como presidente do Banco Central (dono de um discurso mais duro do que se supunha em relação à inflação) e Henrique Meirelles como ministro da Fazenda (nome que sempre agradou ao mercado e surpreendeu positivamente com o anúncio da meta fiscal).

Um choque de credibilidade era necessário, e foi dado à altura.

 

7) O afastamento definitivo de Dilma é muito positivo para o Brasil

Com mais de 2/3 da Câmara com voto contrário à sua gestão, uma volta da presidente representaria a completa paralisação da agenda econômica e a certeza da não realização de reformas fundamentais.

Politicamente, Dilma é um peso morto. O mercado, no entanto, ainda atribui algum fator de risco (ainda que pequeno) à possibilidade de resgate dos fantasmas dos últimos anos…

E isso pode gerar uma grande onda de valorização de ativos.

 

8) Nenhuma moeda do mundo valorizou-se mais do que o Real em 2016.

Esse é um sinal inequívoco de que o mundo começa a olhar o Brasil de maneira diferente.

E, mais do que isso, começa a agir.

Com taxas de juros zeradas nas principais economias internacionais, o mundo começa a enxergar o Brasil como um destino mais seguro (e rentável) para aplicações.

 

9) O Brasil pode ser destino de parte do Tsumoney global

Enquanto a maioria das economias do mundo vem de uma recuperação nos últimos anos, vislumbrando a possibilidade de desaceleração, experimentamos justamente o oposto.

O Brasil possui, hoje, um retrato completamente diferente do restante do mundo em termos de juros, preço das ações e percepção de risco.

E isso pode ser extremamente positivo.

 

10) O Governo Temer já passou muita coisa

A recuperação dos índices de confiança e o reflexo favorável sobre uma série de ativos financeiros (como dólar, ações, juros longos) deu-se com o presidente ainda em posição interina.

A potencial confirmação do seu governo dará, não apenas maior liberdade e credibilidade para o novo governo levar à votação reformas essenciais, como também representará uma consolidação dos pontos levantados até aqui.

Estamos diante de um evento capaz de provocar uma mudança social e econômica como vimos poucas vezes em nossa história – e ele está marcado para acontecer nos próximos dias.

Setembro poderá ser um mês formidável. Uma nova era está prestes a nascer. Uns saem da vida para entrar na história. Outros serão carta fora do baralho, segundo eles mesmos. Não importa muito. Importa que vai subir.

 

Um abraço,

Equipe Empiricus

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