Agosto de 2017

Daniel Kahneman

Os 3 erros financeiros que você está cometendo ao investir

Daniel Kahneman é considerado um dos maiores pensadores vivos. Vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2002, ele esteve no Brasil em junho de 2016 em um evento destinado a clientes da Empiricus. Uma oportunidade única para ouvir o guru das finanças comportamentais.

Antes de nos aprofundarmos, é importante que ressaltemos um ponto aqui: Kahneman não estudou, tampouco se formou em economia, mas sim em psicologia. Seus estudos sobre o processo decisório que ocorre comumente na mente de investidores renderam-lhe o Nobel de Economia, prêmio raramente concedido a profissionais de outras áreas.

Nas próximas linhas, revelaremos alguns dos ensinamentos transmitidos durante o encontro da Empiricus. Primeiramente, é importante compreender uma premissa explicada no seu livro best-seller “Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar” (2011). Kahneman entende que a mente humana pode ser dividida entre “sistema 1” e “sistema 2”, sendo o primeiro automático, rápido e intuitivo e o segundo racional, lento e consciente.

Kahneman combina insights de como a mente funciona e estudos sobre o comportamento de investidores comuns. A partir daí apresenta vários erros frequentemente cometidos em relação à tomada de decisões de alocação de recursos. Um dos clássicos ocorre quando achamos que estamos pensando com o sistema 2 (lento), mas, de fato, é o sistema 1 (rápido) que sugere uma resposta e o sistema 2 apenas diz “sim”, corroborando a tese auto-sugerida pelo investidor em questão.

Ao elegermos tal resposta como correta, assumimos uma postura equivocada de buscar argumentos que amparam aquilo que decidimos acreditar. Ou seja, tomamos a decisão antes, e deixamos para olhar os argumentos depois.

Em síntese: muitos investidores erram por agir emocionalmente, desconhecendo o racional concreto do investimento.

Para ajudá-lo a identificar algumas destas situações, reunimos abaixo 3 ensinamentos proferidos por Daniel Kahneman:

1. Não verifique o retorno diário do seu portfolio

Olhe de fora para dentro. Kahneman tem uma preferência clara por quem investe com viés de longo prazo. Para ele, investidores que optam por isso estão em melhor situação do que quem investe comprando e vendendo ativos com mais frequência.

Ele recomenda investir sob um enfoque amplo, pensando em carteira de ações em vez de ações individualmente; em anos em vez de semanas. Quanto mais racional e mais de longo prazo, menor é a chance de cometer equívocos.

Kahneman considera que um investidor sábio não deveria verificar muitas vezes os retornos das aplicações. “Pessoas que verificam todos os dias cometem mais erros do que as pessoas que não o fazem.” O motivo? Maior risco de entrar em pânico e mexer na carteira desnecessariamente.

Nos cálculos dele, há um custo entre 2% e 2,5% ao ano a quem olha o portfólio de investimento com muita frequência.

2. Tenha em mente que o excesso de confiança induz a decisões com maior probabilidade de insucesso

Corremos o risco a todo momento de unir otimismo com excesso de confiança. Kahneman chama isso de “o motor do capitalismo”. As pessoas creem que podem fazer as coisas, algumas têm sucesso e outras, falham. As que fazem a diferença no mundo são otimistas e excessivamente confiantes.

Em paralelo, por que as pessoas tomam riscos? Ora, porque elas subestimam o risco que estão tomando, explica o Prêmio Nobel. As pessoas não conhecem as probabilidades de sucesso e se sentem encorajadas a aceitar riscos, mesmo sem conseguir avalia-los com precisão.

Com dificuldade de julgar a qualidade das evidências, a maioria dos investidores compra e vende ativos no momento errado. Compram quando o preço está alto e vendem quando o preço está baixo.

Uma das justificativas, aponta Kahneman, é que as pessoas acreditam mais nas suas próprias ideias do que deveriam. Mesmo se as razões não são boas, elas respondem a algum apelo emocional. Não se pode pagar por performance passada, nem comprar ou vender com muita frequência.

3. Experiências negativas são mais memorizáveis do que experiências positivas

“A dor de perder é mais intensa do que o prazer de ganhar”, diz Kahneman. Para fundamentar o ponto, o psicólogo indaga: imagine que alguém o desafie a jogar cara ou coroa. Se der cara, você perde 100. Se der coroa, ganha 200.

Qual a sua resposta? Muita gente prefere não jogar.

Agora suponha que a proposta seja para jogar dez vezes. “Assim, eu quero”, muitos dirão.

Isso revela, no conceito de Kahneman, uma mentalidade equivocada. Tendemos a pensar limitadamente – o risco de perda, no caso. Quando a maneira racional é definir uma visão ampla sobre as coisas, e não preferências. Se a aposta é pequena e positiva, por que não jogar uma vez? Cadê nossa política de riscos sobre tais apostas? Devemos ter uma política de investimentos, e não preferencias de um em relação ao outro.

Pessoas que veem as coisas de forma global, não limitada (pensam na carteira de ações e não individualmente nas ações), são mais propensas a ficar ricas do que quem se debruça em uma coisa de cada vez. Daí deriva uma diferença crucial entre investidores pessoa física e os investidores profissionais, segundo ele.

Para que o leitor deste relatório possa ver mais sobre os ensinamentos de Kahneman, reunimos em um vídeo de 5 minutos alguns momentos de sua palestra. Caso queira assistí-lo, basta clicar aqui.

Um abraço,
Equipe Empiricus

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