Agosto de 2017

E se a Dilma voltar? E se Temer cair?

Prepare suas finanças para a próxima avalanche econômica

EP13_Dilma-Relatorio

 

 

Caro leitor,

Você pode estar pensando: mal passamos por uma ruptura econômica importante — com o impeachment  de Dilma — e já estamos discutindo a próxima?

Nem tanto. Os desdobramentos do processo de impeachment seguem abertos. Esse é o grande ponto. E isso muda tudo.

Todas as classes de ativos (dólar, juros, ações…) ainda serão de alguma forma influenciados pela consolidação ou não do governo Temer. Afinal, estamos falando da definição do status quo. Da consolidação da linha econômica que ditará os rumos dos mercados nos próximos anos.

Portanto, não finja indiferença: de alguma forma você será impactado pelas conclusões das próximas linhas.

 

O (aparentemente) melhor de três mundos

Cansamos de alertar para a sequência de erros cometidos a partir da nova matriz econômica implementada por Dilma Rousseff.

A situação crítica das contas públicas nacionais, os três anos seguidos de recessão econômica, a completa destruição das empresas estatais, dentre outros fatores, estão aí para provar o quão nociva fora a gestão da petista para a estabilidade econômica.

Mas a despeito de uma valorização pontual de algumas ações na Bolsa e uma volta do dólar para baixo de R$ 3,50, após meses operando acima do patamar de R$ 4, não há grande revolução nos mercados desde que Temer assumiu de forma interina.

A fragilidade de seus primeiros dias de governo, alimentada pela queda de ministros citados na Operação Lava Jato, alimenta o coro (ainda que tímido) de “volta Dilma”.

Dilma sabe que não possui base de sustentação para governar. Com mais de 2/3 da Câmara com voto contrário à sua gestão, uma volta da presidente representaria a completa paralisação da agenda econômica e a certeza da não realização de reformas fundamentais.

Com base nisso, a própria presidente levanta a bandeira da convocação de eleições gerais, alternativa que afronta a constituição – e, consequentemente, questionaria a estabilidade das instituições (ponto nevrálgico para a confiança dos investidores).

Por sua vez, os primeiros dias da gestão Temer têm sinalizado melhora. Com respaldo de uma equipe econômica qualificada e de credibilidade reconhecida pelo mercado, o presidente interino defende a necessidade de ajuste das contas públicas e uma agenda de reformas propositiva – pode não ser ainda uma revolução nos fundamentos da economia, mas é a sinalização que o mercado esperava.

Ademais, a capacidade de articulação política de Temer tem garantido base de apoio a suas medidas na Câmara e no Senado federal.

Fique claro que a análise aqui é estritamente econômica. A Empiricus é apartidária. Somos pró-mercado. O mercado já mostrou-se mais receptivo à consolidação do governo Temer ante às demais alternativas…

 

Então porque raios o mercado não reagiu à queda de Dilma?

Algumas ações, mais destacadamente aquelas com maior volume de negociação da Bolsa brasileira, registraram ganhos expressivos no início deste ano…

dilma

Fonte: Infomoney

 

… justamente pela perspectiva de queda de Dilma.

Esse movimento, no entanto, foi paralisado desde que Temer assumiu de fato.

Como explicar?

A tese do Efeito Possibilidade, do prêmio Nobel Daniel Kahnemann, é talvez a representação mais precisa para avaliarmos os desdobramentos e duração do impeachment sobre os mercados brasileiros.

Nela, Kahneman demonstra que os investidores não incorporam as probabilidades de materialização dos eventos de forma linear sobre os preços de ativos; mas sobrevalorizam os extremos: as grandes variações no preço tendem a vir quando a chance de materialização de determinado evento passa de 0% a 5% (Efeito Possibilidade) e quando passa de 95% para 100% (Efeito Certeza).

Traduzindo, os ativos brasileiros já passaram pelo Efeito Possibilidade, registrando valorizações relativas à chance de queda de Dilma e ascensão de Temer.

O governo interino de Temer já sinalizou melhora, mas a queda de ministros levanta temores quanto à possibilidade do “volta Dilma”, ao passo que votações importantes dependem da confirmação de seu governo (de uma nova gestão de fato), com a votação definitiva do processo de impeachment no Senado.

Só ali teremos teremos o Efeito Certeza (ou não) e a potencial segunda onda de vaorização expressiva dos ativos brasileiros.

 

O que você pode fazer para se proteger – e ganhar! – com esse próximo movimento econômico?

Tomamos como cenário-base (com maior probabilidade de materialização) a consolidação do governo Temer. Dilma não possui base para governar e a convocação de eleições gerais confronta a Constituição Federal.

Dessa forma, vemos essas duas últimas alternativas não como impossíveis de acontecer, mas menos prováveis.

Tal como a antecipação da valorização de ações exposta na manchete acima, cumpre destacar que os mercados atuam com base nas expectativas, buscando antecipar movimentos.

Dessa forma, parece-nos claro que as recorrentes sinalizações da gestão atual em prol de uma agenda de reformas estruturais e ajuste nas contas públicas tende a privilegiar ex-ante alguns nomes de ações ligadas a infraestrutura.

Reforçando: os mercados ainda aguardam uma consolidação da gestão Temer, que depende da mesma para colocar na pauta votações mais importantes. O fluxo de investimentos, especialmente estrangeiro, aguarda essa definição para retomar o foco no mercado local.

Hoje oferecemos uma Bolsa extremamente atrativa em dólares (barata para o investidor estrangeiro) e um patamar de juros que não é visto em nenhum lugar do mundo.

Concentraríamos o foco em ações de empresas sólidas, desalavancadas e com exposição a infraestrutura, podendo se beneficiar de uma retomada dos investimentos e trajetória de recuperação econômica.

 

Algumas opções:

Cosan (CSAN3): companhia consegue reunir desalavancagem, valuation razoável, excelente management e boa geração de caixa. Além disso, pega na veia rali do açúcar e melhor ambiente para etanol, combinado à previsibilidade de fluxo de caixa dos business de distribuição de combustíveis e gás. Dívida líquida/ebitda já saiu de 3x ao final de setembro para 2,1x no encerramento do primeiro trimestre. A expectativa é que a maior rentabilidade esperada para o core business continue garantindo cifras melhores para a companhia ao longo do ano, reduzindo gradativamente a preocupação sobre o endividamento e sustentando a trajetória ascendente da ação. Veículo apropriado para capturar eventual boom de infraestrutura nos próximos anos, com adequação da estrutura de capital e a devida alavancagem operacional e financeira.

CCR (CCRO3): O presidente interino Michel Temer já se disse disposto a melhorar as condições para as concessionárias através do Programa de Parcerias e Investimento (PPI). Paralelamente, o esforço do governo em colocar a economia nos trilhos deve provocar queda dos juros, favorecendo ainda mais o cenário para as empresas. Vemos CCR como um ótimo nome para surfar esta melhora nas condições para o setor e também nas perspectivas de recuperação econômica do país como um todo. A potencial retomada do PIB combinada à perspectiva de gradativa redução dos juros locais tende a jogar os holofotes sobre seus papéis.

Para posições mais conservadoras, sugerimos títulos do Tesouro Nacional pós-fixados atrelados à inflação (IPCA), com vencimento em 2050 (NTN-B 2050). Trata-se de uma oportunidade rara de se expor a um título com baixíssimo perfil de risco a juros elevados, se protegendo da inflação.

Quem não quiser se amarrar em prazo tão longo pode buscar o mesmo perfil de título com vencimento em 2024 (NTN-B 2024).

Só lembrando que a renda fixa também varia, a menos que você segure tais títulos públicos até o seu vencimento.

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