Agosto de 2017

Pós-Evento Kahneman

O QUE APRENDEMOS COM DANIEL KAHNEMAN

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O evento com o prêmio Nobel de Economia Daniel Kahneman foi um sucesso.

Por força maior, porém, teve que ser restrito a um seleto grupo de convidados, posto que seria um tanto inviável acomodarmos toda a nossa base de assinantes em apenas um auditório.

Eu estava lá e posso afirmar que a expressão observada no rosto dos demais presentes, de maneira geral, deixava nítida que a proposta de realizar um encontro à altura do convidado havia sido atingida.

 

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Para nós, em particular, que somos fãs declarados do sujeito, foi uma conquista pessoal marcante e um grande prazer poder trazê-lo ao Brasil – afinal, no alto de seus 82 anos, não é qualquer convite que faz Kahneman deixar sua casa em Nova York.

Mas foi justamente isto que, confesso, me causou uma certa frustração…

Falo em nome de todos da Empiricus: gostaríamos de coração que todos os nossos clientes tivessem o privilégio de participar deste encontro game changer.

 

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A saída então foi produzirmos um vídeo com os melhores momentos e este relatório sobre o evento, tornando acessível o conteúdo a quem não esteve dentre aquelas quatro paredes.

O resultado você confere abaixo, com um breve resumo de tudo o que foi falado por um dos mais importantes pensadores do século XXI.
Intuição x Lógica

Para colocar em xeque a ideia de que a nossa tomada de decisões é essencialmente racional, Kahneman começou sua palestra com dois problemas de lógica que a maioria dos alunos de Harvard e do MIT errou:

 

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No exemplo do taco e da bola, se você pensou como os estudantes das renomadas universidades americanas, respondeu rapidamente 10 centavos. A resposta certa, porém, é 5.

O psicólogo explicou o porquê da resposta: “o número que vem em sua mente é obviamente 10, uma resposta intuitiva e errada. Se a bola custasse 10 centavos, então o conjunto custaria 1,20 (10 centavos para a bola e 1,10 para o taco). Podemos dizer que a resposta intuitiva também veio para aqueles que responderam 5 centavos, a diferença é que eles resistiram à intuição”.

Já no exemplo das rosas, a maioria dos estudantes (e dos presentes na palestra) endossou o silogismo como válido. Na verdade, o argumento é falho, pois é possível que as rosas não estejam entre as flores que caem rapidamente.

Assim como no problema do bastão e bola, uma resposta intuitiva vem imediatamente à cabeça. Superá-la exige trabalho duro, pois a ideia insistente de que a intuição está correta torna difícil verificar a lógica e a maioria das pessoas não se dá ao trabalho de pensar um pouco mais sobre o problema.

Os experimentos foram uma espécie de gancho perfeito para o tema central da palestra, de que pessoas muito confiantes são fortemente apegadas às suas intuições, o que nem sempre é uma boa ideia.

Em seu livro “pido e Devagar: Duas formas de pensar“, Kahneman explica sobre o Sistema 1 (o intuitivo e emocional) e o Sistema 2 (mais lento, deliberativo e lógico).

Ele expõe as capacidades extraordinárias – e também os defeitos e vícios – do pensamento rápido e revela a influência das impressões intuitivas nas nossas decisões.

Comportamentos tais como a aversão à perda, o excesso de confiança no momento de escolhas estratégicas, a dificuldade de prever o que vai nos fazer felizes no futuro e os desafios de identificar corretamente os riscos no trabalho e em casa só podem ser compreendidos se soubermos como as duas formas de pensar moldam nossos julgamentos.

Trata-se de uma tarefa muito difícil, pois quando as pessoas acreditam que uma conclusão é verdadeira, também ficam muito propensas a acreditar nos argumentos que parecem sustentá-la, mesmo que esses argumentos não sejam confiáveis.

Aplicando sua teoria ao mercado financeiro, Kahneman disse que o erro mais frequente dos investidores decorre da combinação entre “overconfidence” e “optimism” – excesso de confiança e otimismo.

Segundo ele, isso explica muito o fato de as pessoas tomarem riscos muito maiores do que aqueles que elas realmente estariam dispostas a tomar se tivessem conhecimento da real probabilidade de perda na aplicação.

No mesmo sentido, ajuda a entender porque investidores profissionais se dão melhor (embora não muito, na média) do que investidores individuais, dado que os primeiros estão muito mais próximos da racionalidade do que os segundos.

Essa tendêncoa de ir direto à conclusão (sistema 1) deriva da facilidade que temos de achar que o que vemos é tudo que existe, esquecendo portanto das informações que não estão disponíveis.

Para exemplificar o argumento, durante a mesa redonda após a palestra com Felipe e Rodolfo, Kahneman citou a parábola do Peru de Natal, apresentada por Bertrand Russel e resgatada mais recentemente por Nassim Taleb.

 

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Nela, depois de ser alimentado de forma constante e invariável por 360 dias do ano, o bicho, crente na amizade de seus donos e iludido pelas informações passadas, vira o próprio jantar de Natal.

Ou seja, um único evento, que não parecia fazer parte do rol de possibilidades até aquele 24 de dezembro, tirou a vida do peru, depois de uma saúde irrepreensível e sinais incontestáveis de de crescente confiança com os humanos.

Do peru às finanças, o passado muito tranquilo pode também ensejar inferências precipitadas sobre o futuro. A partir do histórico, simplesmente pulamos para a conclusão sobre o comportamento futuro – o que acabou custando a vida do peru.

“Ao menos ele teve uma vida muito boa até virar o jantar”, disse Kahneman, arrancando gargalhadas da plateia.

 

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Conclusão

Talvez o corolário óbvio da palestra é que sempre devemos questionar as decisões de investimento antes de colocá-las em prática, fazer um teste de sobrevivência com elas.

Comece pequeno, e vá aumentando posições gradativamente, de modo que a confiança seja construída por merecimento.

Pergunte a si mesmo quanto do seu patrimônio você está disposto a perder.

A pergunta é de extrema importância pois, intuitivamente, as pessoas sentem mais desprazer em perder determinada quantia de dinheiro do que prazer em ganhá-la – com base em testes, Kahneman disse que as pessoas normalmente aceitam fazer apostas se o valor que puderem ganhar for, em média, o dobro do que podem perder.

Para o professor, as pessoas devem procurar refletir mais sobre sua maneira de decidir, identificando impulsos do Sistema 1 e procurando passar ao Sistema 2.

E, também, definir claramente cada objetivo das decisões, o horizonte de tempo que elas contemplam, e a disposição pessoal de aceitar ou não riscos, na forma de perdas.

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