Dezembro de 2017

Ouro – a proteção mais clássica

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Caro Leitor,

Para o investidor que deseja se proteger de um cenário de crise global, o ativo mais adequado para se ter em carteira é o OURO.

Há quem suponha que investir em metais preciosos é coisa dos anos 1920.

Com tantas alternativas modernas em renda fixa, câmbio e bolsa, alguém ainda se interessa por ouro?

Eu, definitivamente, me interesso.

E quem também se interessa é Ray Dalio – um dos mais respeitados gestores do mundo.

 “If you don’t own gold, you know neither history nor economics” (em tradução livre: Se você não possui ouro, você não sabe de história ou de economia) – afirmou Dalio em 2016.

 

São características canônicas do ouro a escassez (diferentemente das moedas, não há como se imprimir uma maior quantidade), a fácil divisão e a perenidade associada à não corrosão ou deterioração, fazendo dele uma reserva de valor clássica.

Recebemos diversos e-mails de leitores solicitando maiores informações sobre o porquê de investir nesse metal precioso. Uma resposta aprofundada por ser encontrada em nosssa série Strategic Intelligence, sob autoria do estrategista global Jim Rickards.

Ainda assim, quero resumir aqui um ponto primordial associado ao ouro: o de moeda forte em última instância, subindo sempre que a economia global passa por algum aperto.

Abaixo mostro o comportamento da cotação do ouro (em USD/oz) nos últimos 10 anos, no gráfico do contrato futuro de ouro negociado na bolsa de commodities de Nova York (COMEX), que é referência mundial para negociação do metal.

Cotacão em USD/oz = dólar/onça troy

1 onça troy = 31,10 gramas (aproximadamente)

E abaixo, para efeito de comparação, mostro o gráfico do contrato de ouro (OZ1D), nos últimos 10 anos, negociado na bolsa brasileira (BM&FBovespa). Cotação em R$/g.

Como podemos perceber nos gráficos, o efeito dólar contribuiu para a elevação do preço do ouro no Brasil nos últimos anos, uma vez que lá fora o preço do ouro diminuiu.

Portanto, estar exposto em ouro no Brasil é também uma forma de estar exposto ao dólar.

De que formas você pode investir em Ouro?

São basicamente 3 formas:

1) Contratos na BM&F Bovespa

2) Fundos de Investimento

3) Ouro Físico

 

Vamos a elas, portanto.

1) Contrato negociado na BM&F Bovespa

A forma mais comum (mas não a mais fácil) de investir em ouro é via contratos negociados na bolsa. Para negociá-los, é necessário que o investidor tenha conta em uma corretora de valores. A operação é semelhante à compra e venda de ações.

Tipos de contrato disponíveis:

– OZ1D (lote-padrão / maior liquidez)
Tamanho do contrato: 250g de ouro fino
Exemplo do valor por contrato: 250g x 145,00 (cotação de meados de fevereiro) = R$ 36.250,00

– OZ2D (lote fracionário / pouca liquidez)
Tamanho do contrato: 10g
Valor por contrato: 10g x 146,00 (cotação de meados de fevereiro) = R$ 1.460,00

Cotação: R$/g

O investidor pode optar pela liquidação financeira, que ocorre em D+1 (um dia útil), ou pela liquidação física (retirando o metal).

Nesse último caso, o investidor, por meio da corretora, indica à Bolsa o quanto quer retirar e o custodiante escolhido. Note que a própria corretora pode ser a custodiante.

A taxa de corretagem pode variar entre corretoras. Geralmente custa em torno de 0,2% e 0,4% do volume financeiro, por ordem executada.

A taxa de custódia, da bolsa, é apurada diariamente e cobrada mensalmente. Calculada a partir do preço máximo do dia x 0,07% x quantidade de gramas / 30. Conforme o exemplo: R$ 145 x 0,07% x 250 / 30 = R$ 0,84 por dia.

A tributação é semelhante à aplicada ao mercado de ações: alíquota de imposto de renda de 15% sobre os ganhos auferidos em operações normais, mas com isenção para vendas de até R$ 20 mil no mês.

2) Fundos de Investimento

Não há tantos fundos de ouro disponíveis, principalmente em comparação a outras categorias de investimento.

Ainda assim, existe uma gama suficiente, capaz de dar acesso ao investidor de forma relativamente fácil, sem se preocupar em realizar operações em bolsa, precisar arcar com particularidades de corretagem e custódia ou dificuldades de armazenamento.

A contrapartida de delegar a um terceiro a gestão e se livrar das demais questões supracitadas é o pagamento de taxas de administração, que variam, grosso modo, de 0,6% a 1,5% ao ano.

Os grandes bancos já oferecem fundos atrelados a ouro desde 2011, mas, inicialmente, o produto era restrito a clientes de alta renda, ainda que a aplicação mínima fosse baixa, da ordem de R$ 5 mil. Mais recentemente, houve maior popularização e outras instituições, para além dos bancos.

Abaixo cito três fundos:

–  Caixa FI Ouro Multimercado Longo Prazo
Aplicação inicial: R$ 5.000,00
Taxa de administração: 1,50% ao ano

–  Órama Ouro Fundo de Investimento Multimercado
Aplicação inicial: R$ 1.000,00
Taxa de administração: 0,60% ao ano, mas pode chegar a 1,10% a.a.

–  XP Gold Fundo de Investimento Multimercado
Aplicação inicial: R$ 10.000,00
Taxa de administração: 1,00% ao ano

A tributação segue as regras estabelecidas para fundos multimercado:

Até 180 dias: 22,5% de IR
De 181 a 360 dias: 20,0% de IR
De 361 a 720 dias: 17,5% de IR
Acima de 720 dias: 15,0% de IR

3) Ouro Físico

Do ponto de vista operacional é relativamente fácil comprar ouro físico. Para atuar no mercado de balcão, a compra e venda pode ser feita por meio de instituições financeiras especializadas (bancos, corretoras e distribuidoras), nas mineradoras ou mesmo nas fundidoras.

Há a possibilidade de compra em pequenas quantidades, a partir de 1g., e as instituições financeiras podem cobrar taxas de corretagem e custódia, caso opte por deixar o metal custodiado na instituição – as taxas variam entre 0,07% e 0,15%.

A alternativa seria justamente levar o metal consigo – caso você tenha um lugar seguro e de fácil acesso, inclusive preferimos essa opção. Ela não envolve taxas adicionais e lhe dá garantia de acesso ao metal – em situações de crises extremas, justamente quando o ouro provar-se mais rentável, o acesso ao patrimônio custodiado no banco (dinheiro e/ou ouro) pode ser restringido. Obviamente, estamos considerando aqui situações extremas, mas é exatamente quando você mais estaria precisando e mais valorizado estaria o metal.

Como exemplo, citamos aqui o caso de investimento em ouro via Banco do Brasil. Que fique claro: não há nenhuma predileção ou recomendação por se fazer o investimento pelo BB. Aqui ele é tomado como exemplo pela popularidade da instituição financeira.

Este texto é constante no site do banco sobre compra de ouro – replicamos aqui para dar ideia precisa do operacional envolvido:

“O BB coloca à sua disposição a possibilidade de investir em Ouro, por meio de duas modalidades: Ouro Lingote e Ouro Escritural. O Ouro Lingote é a modalidade de comercialização em barras de Ouro de 250 gramas, padrão de negociação da BM&FBovespa. Já o Ouro Escritural é a modalidade criada pelo BB, especialmente para os seus correntistas que desejam investir em Ouro em quantidades múltiplas de 25g, isto é, 1/10 do volume mínimo de negociação exigido na modalidade lingote, permitindo assim que os investidores diversifiquem seus investimentos sem que seja necessário alocar volume de recursos no padrão de negociação de 250g.

Para realizar o investimento em Ouro, em quaisquer das modalidades disponíveis, é necessário ser correntista do Banco. As operações podem ser realizadas em qualquer agência do país. Um diferencial que o BB oferece é a garantia de recompra do Ouro vendido aos seus clientes oferecendo liquidez diária, com liquidação no mesmo dia (D+0), bastando que o Ouro adquirido pelo cliente esteja custodiado no Banco. Para se comercializar Ouro na BM&FBovespa, por exemplo, faz-se necessário contratar uma corretora credenciada para intermediar a operação, pois a Bolsa não acata ordens diretamente dos investidores, além de oferecer liquidação somente no dia seguinte (D+1).

A custódia é um serviço de guarda e proteção do Ouro disponibilizado pelo Banco aos seus clientes. Além da segurança oferecida aos investidores, a custódia é a forma mais barata de manter um investimento em Ouro. Atualmente, na modalidade Lingote o custo é de 0,20% e na modalidade Escritural 0,15%, sobre o montante custodiado, cobrados mensalmente. O valor da tarifa de custódia é apurado com base no saldo de posição médio mantido no mês, de forma proporcional à quantidade de dias em que o ativo esteve depositado em custódia, multiplicado pela cotação média do metal neste mesmo mês. Nas operações de compra e venda, não há cobrança de tarifas de corretagem ou taxas de emolumentos.”

Em se decidindo pela aquisição do ouro, basta ao cliente procurar uma agência do banco. Os procedimentos são semelhantes para as demais grandes instituições.

Ainda dentro da categoria de ouro físico, para além do lingote, existe a possibilidade de exposição ao metal através das moedas de ouro antigas.

Essa é uma opção muito mais associada a especialistas e colecionadores desse nicho em particular, de tal sorte que não recomendamos esse tipo de exposição.

A tributação é semelhante a aplicada ao mercado de ações. É cobrada a alíquota de imposto de renda de 15% sobre os ganhos auferidos em operações normais, mas há isenção para vendas de até R$ 20 mil no mês, assim como no caso dos contratos negociados pela BM&FBovespa.

Um forte abraço,

Gabriel Casonato

 

 

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