Dezembro de 2017

O problema da inflação alta no Brasil

E o que você deve fazer para se proteger dela

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Caro leitor,

Nós atingimos em 2015 o maior nível para o IPCA desde 2002. A inflação acumulada no ano passado foi de exorbitantes 10,67%, bem acima do teto da meta definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), em 6,50%.

Em 2016, o resultado será mais ameno, mas ainda muito acima da meta de 4,5% definida pelo Banco Central – no Relatório Focus de 18 de julho, por exemplo, a projeção consensual do mercado era de um IPCA de 7,26% em 2016.

Neste cenário, com o bolso cada vez mais vazio, o consumidor tem de fazer escolhas. E diante de uma economia extremamente enfraquecida, uma escolha prudente é justamente não gastar, buscando formas de proteger o patrimônio da forte subida de preços no país.

Entre as formas clássicas, temos sido ostensivos em recomendar 3 opções de investimento visando proteção à alta dos preços. São elas:

1) Dólar

Desde a abertura do processo de impeachment de Dilma pelo Senado, temos um ambiente que nos parece menos favorável ao dólar e mais profícuo ao real.

Isso porque a principal força motriz para o dólar, anteriormente ventilada, associada ao prognóstico de possível elevação do juro básico dos EUA, parece descartada. Até mesmo o mês de junho fora cogitado para retomada do aperto monetário norte-americano, o que obviamente não se confirmou. Depois de uma série de indicadores indicando maior morosidade da economia dos EUA, especialmente depois do Brexit, uma subida do juro básico parece descartado no curto prazo. De acordo com cotações do mercado de juros futuros, setembro já é praticamente carta fora do baralho. Mesmo dezembro pode estar em risco.

Juros zerados nos EUA por mais tempo são uma sinalização contundente em favor do fluxo de capitais para mercados emergentes, em especial àqueles com elevado diferencial de juros, grupo do qual o Brasil é a representação mais emblemática.

E se, eventualmente, os bancos centrais dos demais países industrializados (nominalmente, BoJ, BoE e BCE) adotarem novos estímulos monetários, teremos um reforço adicional em prol das moedas emergentes, justificando assim a maior atratividade relativa do real.

Saliento ainda que a aversão a risco catalisada com o Brexit, cuja destruição total de valor nos mercados foi a maior da história ao ultrapassar US$ 3 trilhões, me pareceu exagerada. A questão em si traz pouco efeito material – pode afetar na margem exportações britânicas à Europa e impactar indústria financeira de Londres, mas Reino Unido continuará tendo na União Europeia seu principal mercado consumidor.

Além disso, a preocupação mais intensa, de que o evento pudesse espraiar-se para outros países, alimentando a probabilidade de falência completa do projeto da Europa unida, arrefeceu diante da reação negativa no Reino Unido e ao prognóstico de que as negociações para a saída podem ser bastante duras. Dados os efeitos negativos para o Reino Unido, o evento pode, contraintuitivamente, ser até mais favorável para o projeto europeu.

Paralelamente, a postura dos formuladores da política econômica brasileira traz argumentos em prol da apreciação adicional do real a curto prazo. Destarte, o primeiro Relatório Trimestral de Inflação assinado por Ilan Goldfajn mostrou postura mais hawkish (mais dura em relação ao juro) do que se antecipava. Em outras palavras, a Selic continua inalterada a curto prazo, afastando suposições de alívio monetário imediato. Com a Selic mantida por aqui e Bancos Centrais globais ampliando seus incentivos, o diferencial de juro interno diante do internacional aumenta, aumentando a atratividade relativa dos ativos brasileiros, o que, obviamente, reforça a demanda por reais.

Para referendar o argumento, em entrevista após o Relatório Trimestral de Inflação, Ilan sugeriu menor intervenção no mercado de câmbio, flertando com a possibilidade de valorização adicional na moeda brasileira e uso, mesmo que não deliberado, da âncora cambial para combater a inflação.

Cumpre ainda dizer que houve conquistas muito importantes na pauta política local que acabaram sobrepujadas por outras notícias mais quentes do ponto de vista jornalístico e pelo próprio Brexit. Além da DRU e da nova meta fiscal já aprovadas previamente, tivemos a nova lei das estatais, possibilidade de 100% do capital das aéreas para estrangeiros e acordo sobre dívida com estados. A melhora do ambiente institucional e o bom relacionamento com o Congresso pavimentam a via para atração de fluxo internacional.

Antes de encerrar a parte relativa ao dólar, cumpre dizer que o posicionamento na moeda norte-americana desempenha importante papel de hedge e diversificação relativamente aos demais ativos da carteira, em especial aqueles de maior risco, num momento de elevada incerteza da economia mundial.

Como recomendação pragmática, portanto, fica: cada vez que o dólar se afastar dos R$ 3,50 e aproximar-se dos R$ 3,00, vale a pena reforçar posição. A exposição não precisa ser muito grande, dado que o juro no Brasil é muito alto e estamos em torno do equilíbrio de longo prazo. Algo como 10% a 15% do seu portfólio parece fazer sentido neste cenário.

2) Tesouro Direto

O encerramento da seção anterior nos leva a um corolário óbvio: precisamos aproveitar o juro bastante alto no Brasil. Trata-se da forma mais simples, sem risco, de aumentar o patrimônio e garantir retornos reais razoáveis. Claro, essa é a parte sem risco de seu portfólio e não é daí que virão os maiores retornos.

O ponto é que os títulos Tesouro Selic (pós-fixados) ou os fundos DI devem absorver uma parte relevante de seu portfólio. Pouco risco e retorno alto.

Há de se lembrar que os pós-fixados são o investimento para períodos de turbulência, exatamente como este que estamos vivendo.

Em adição, ainda que o juro venha a subir mais nos EUA, o ambiente internacional convive com juros excepcionalmente baixos. O mundo inteiro oferece juros praticamente zerados, em alguns casos até negativos. É um grande privilégio termos 14,25% ao ano, com risco desprezível e liquidez diária.

Em muitas situações, o melhor a se fazer é justamente fazer o óbvio. E este é justamente o caso.

Obviamente, havemos de estar blindados da alta dos preços. Os títulos de inflação (Tesouro IPCA+) representam precisamente esta alternativa, ao oferecem um rendimento bastante alto e acima da inflação.

Minha preferência é pelos títulos de prazos menores, pois a ponta longa da curva de juro enseja o risco de sustentabilidade fiscal.

3) Ouro

A exemplo do dólar, o ouro ultrapassa a mera questão da rentabilidade, atingindo um ponto de preservação de valor em um momento que observamos um descolamento entre preços e fundamentos econômicos e risco de colapso do balanço de Bancos Centrais.

São características do ouro a escassez (diferentemente das moedas, não há como se “imprimir” uma maior quantidade), sua divisibilidade e a perenidade associada à não corrosão ou deterioração do bem. Por conta destes 3 itens o ouro é considerado uma reserva de valor clássica. Justamente por isto não temos dúvidas de que se trata do ativo que pode proteger da melhor forma ou, até mesmo, aumentar o patrimônio do investidor no caso do estouro da maior de todas as bolhas.

Neste sentido, é importante notar que, no decorrer de 2014, os Bancos Centrais ao redor do mundo compraram cerca de 477 toneladas do metal precioso, se aproximando do volume máximo anual dentre os últimos 50 anos. Disso, cerca de 173 toneladas foram adquiridas pela autoridade russa.

O argumento de fluxo em prol da valorização do ouro, é, também, uma evidência de busca por reserva de valor em momento delicado no que diz respeito à capacidade de manutenção de lastro de valor pelas moedas em nível global, tendo em vista o excedente de liquidez injetado nos mercados depois de 2008.

Para o investidor, vale a pedida para manter uma exposição a ouro como preservação de valor, seja via fundos de ouro, metal físico ou mini-contratos BM&F – ou, lá fora, via exposição ao ETF GDX.

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