Agosto de 2017

Onde investir se a Dilma sair?

Caro leitor,

Meu nome é Felipe Miranda.

Sou sócio-fundador da Empiricus, maior consultoria de investimentos do Brasil, com quase 2 milhões de leitores cadastrados e 120 mil assinantes pagos.

Tenho sido frequentemente perguntado sobre um eventual cenário de impeachment. Sobre como isso pode afetar seus investimentos.

A todos, respondo com bastante cautela sobre o assunto, simplesmente porque não há visibilidade apropriada a respeito. Claro que as pessoas gostaríamos de ter clareza, do tipo: “vai ser assim ou assado, e você deve agir desta ou daquela forma.”

Infelizmente, porém, os analistas e economistas precisam de um pouco de humildade epistemológica. Havemos de reconhecer que, no mundo real, a incerteza nunca vai desaparecer.

O processo em discussão é particularmente opaco, embora nos últimos dias o cenário esteja se consolidando sobre a caminhada para o impeachment.

Podemos montar um novo governo capaz de fazer as reformas? Ou será uma nova administração igualmente fraca, sem possibilidade de levar adiante as necessárias medidas de ajuste fiscal?

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O fato de convivermos com a incerteza, porém, não significa incolumidade sobre o futuro. Temos, sim, capacidade de fazer bons investimentos mesmo num ambiente de pouca visibilidade.

Como diria Nassim Taleb, o grande desafio não é entender o mundo, pois ele é mesmo ininteligível. O ponto é como viver num mundo que não entendemos. Como tomar decisões sob incerteza.

Onde podemos investir nesse momento sob perspectiva de impeachment?

Não tenho dúvida de que o governo atual é um fator de pressão sobre o preço dos ativos brasileiros, sobretudo os ativos de risco.

A questão é bem pragmática. Não significa que o mercado não goste do governo por questão ideológica ou qualquer outro motivo…

Mas pela mera realidade dos fatos. A inflação está em dois dígitos, a taxa de juros real (descontada a inflação) é a maior do mundo, nossa economia sofreu queda de 3,8% no ano passado e teremos recessão pesada novamente em 2016. São fatores dados. Concretos.

Mas por que esse governo merece prêmio de risco? Listarei três entre os principais fatores.

Primeiramente porque não há confiança no ajuste ortodoxo. Permeia no pensamento coletivo a ideia de que se for necessário eles abandonarão o ajuste das contas e resgatarão a “nova matriz econômica”, política que nos colocou nessa situação descrita acima.

Além disso, porque há uma situação de conflito com o Congresso, particularmente na Câmara. E nesse momento, o Senado acena estendendo a mão ao Governo, sabe-se lá por qual razão.

Existe uma tensão entre o legislativo e o executivo, que parece ultrapassar as decisões estritas a respeito do mérito dos temas…

Aparentemente há ali uma rixa pessoal ou algum enfrentamento direto que esbarra em outros elementos que vão além do fato de ser favorável ou não à medida. Então esse governo impõe uma dificuldade a mais no Congresso para passar as medidas.

O terceiro fator é o que observo sobretudo na questão do patamar das taxas de juros. Alexandre Tombini fez uma má gestão no seu governo passado e hoje precisa resgatar sua credibilidade. Prova disso, que sob sua gestão não conseguimos cumprir a meta de inflação.

Porém, só podemos resgatar aquilo que algum dia já tivemos, certo?

Logo, é necessário que ele construa a credibilidade que não tem; e isso impõe custos adicionais ao Brasil.

Essa é a justificativa para a necessidade de ter mais prêmio de risco com este governo. Os investidores exigem mais retorno para apostar em papéis brasileiros.

Isso não significa que, com essa possibilidade de impeachment, já precisemos correr para comprar Bolsa, vender dólar ou comprar títulos pré-fixados.

Acredito que o momento ainda é de muita cautela, pois não sabemos como se dará essa travessia. O impeachment hoje é um elemento de incerteza. E certamente trará volatilidade.

Entendo, entretanto, que a maior parte dos problemas já se encontra devidamente incorporada ao preço dos ativos e chegou a hora de ganhar alguma exposição, com a devida parcimônia, a um pouco de ativos de risco, como títulos prefixados e ações.

Isso, evidentemente, deve compor apenas uma pequena parte de seu portfólio. O restante deve ser integrado por aplicações pós-fixadas (fundos DI ou Tesouro Selic) e títulos atrelados à inflação.

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