Outubro de 2017

A megaprivatização de Petrobras?

Depois de a ação da Petrobras (PETR4) ter subido mais de 100% este ano (versus 35% do Ibovespa, principal índice da Bolsa) a pergunta de um milhão de dólares é:

Ainda é uma boa apostar nas ações da Petrobras,
agora que o cenário parece bem mais promissor e estável?

EP27-Privatizacao-Petro-HR

De fato, muitos analistas que estavam negativos com a empresa têm mudado de recomendação…

Mas o que estará acontecendo?

Há uma mudança na gestão da estatal. E isso tem agregado valor à empresa.

A principal é o novo CEO, Pedro Parente, profissional com experiência dilatada tanto no mundo público quanto no privado (ex-CEO da Bunge Brasil). Suas primeiras indicações à frente da empresa vão frontalmente contra novas indicações políticas para a estatal.

A sua primeira ação bem-sucedida foi conseguir reter o CFO Ivan Monteiro (o boato era que ele iria embora, junto com Bendine). Muito positivo dadas as suas reconhecidas capacidades gerenciando caixa (até teríamos pensado nele para chefiar a companhia), fator-chave num momento em que o principal desafio era precisamente como conseguir evitar estourar o caixa até meados de 2017.

Logo após a posse de Parente, foi confirmada a saída de Luciano Coutinho (presidente do BNDES) do Conselho de Administração da Petrobras, o último membro que respondia 100% ao questionado antigo estilo de gestão.

Adicionalmente, o novo CEO tem se focado em afastar qualquer temor do mercado sobre que a sobrevivência da estatal passe por uma capitalização vinda do Tesouro (socorro do governo), em um momento que as contas públicas estão seriamente comprometidas.

Parente também tem ressaltado que qualquer decisão sobre os preços de combustíveis será “profissional” e de natureza “empresarial”, tentando explicar que a influência política na empresa acabou.

 

As primeiras iniciativas dessa nova gestão, portanto, são no sentido de profissionalização e atendem a solicitações frequentes do mercado.

As ações agradecem.

Você pode contrargumentar que trata-se somente de discurso. Por aqui, foi a primeira coisa que pensamos…

Nesse sentido, as declarações de um representante dos acionistas minoritários no Conselho da empresa trazem bastante alento.

Ele ressaltou que no último ano a companhia tem dado passos significativos no que se refere a governança, redução de custos e redução de ingerência política e deu exemplos de como a qualidade das discussões dentro do Conselho de Administração tem melhorado desde abril de 2015, esperando que o processo continue.

Foi animador ouvir isso de um representante de minoritários. Claramente uma mudança grande em relação à época em que tínhamos o renomado Mauro Cunha sofrendo retaliações e sendo completamente ignorado.

 

Uma mega-privatização?

O atual representante de minoritários no Conselho se mostrou confiante no sucesso do plano de desinvestimento.

Há 26 ativos que podem ser vendidos e, mesmo tendo que oferecer descontos significativos, a empresa tem a convicção de que precisa reforçar o caixa.

Em relação ao processo de venda de ativos, o plano não parece mais tão parado. Depois de um ano e meio travado, o mesmo está avançando…

 

1) A estatal confirmou à CVM que iniciou o processo competitivo de venda de terminais de GNL no RJ e no Ceará junto com as termelétricas associadas aos terminais.

 

2) No caso de BR Distribuidora, levando em consideração os reiterados problemas para vender nas condições iniciais (bloco minoritário) e o fechamento que houve entre Ale e Grupo Ultra (dificultando que faça oferta pelo ativo), a empresa está dando um jeito para agradar ao mercado e flexibilizando para se desfazer do controle ou até do total dela.

 

3) Os ativos de refino no Japão contariam com vários interessados, a negociação pela Tag (filial de gasodutos) estaria em andamento por um montante a ser fechado na casa de US$ 5 bilhões, Liquigás também estaria avançando no processo (a imprensa menciona até 7 interessados), colocou à venda nove concessões (no Sergipe e no Ceará) que dão conta de 0,5% da produção total.

 

4) Adicionalmente, a brasileira anunciou que iniciou negociações exclusivas com a mexicana Alpek para a venda do polo petroquímico de Pernambuco, formado pelas subsidiárias PetroquímicaSuape e Citepe. Juntas, ambas filiais deram um prejuízo que superou R$ 1,6 bilhão em 2015 e que levou a baixas contábeis de R$ 3,8 bilhões nos últimos dois anos.

 

5) E a notícia que deixou muita gente empolgada (pelo pragmatismo) foi a venda de 66% de participação no bloco do pré-sal BM-S-8, mais conhecido como Carcará, para a norueguesa Statoil por US$ 2,5 bilhões.

 

Portanto, uma onda de privatizações pela estatal é não apenas possível, como bem provável.

Não deve ser um movimento único, “a privatização de Petrobras como um todo”, mas, sim, a venda de diversas partes da empresa para a iniciativa privada.

Petrobras terminará sendo menor, mas bem mais focada e pragmática.

 

 

 

Nem tudo são flores

(não faça nada com as ações antes de ler isto)

 

Então está fácil…parece tudo muito bom.

A empresa será outra a partir de 2017?

Não é tão simples assim.

Petrobras está no começo do processo de reestruturação que, pelo tamanho da empresa e do desastre (há meio trilhão de reais de dívida para pagar), não deveria ser rápido.

De fato, o próprio Parente explicou à imprensa que serão necessários ANOS para colocá-la de novo nos trilhos.

Você pode afirmar que somos muito negativos, pessimistas…

… que Petro está conseguindo vender ativos e arrecadar US$ 15 bilhões, que precisava. Rolou dívida de curto prazo, e até conseguiu adiar a multa para o ano que vem.

Aí está o problema!

No longo prazo há razões para estar bem preocupado. Estas boas novas realmente podem esconder verdadeiros cavalos de Troia.

A venda de ativos não é ótima se for feita a preços razoáveis e pode deixar a estrutura da empresa mais bem focada no negócio principal (extração e produção de petróleo).

O grande inconveniente é que o plano estratégico ainda não está claro (tem meses de atraso). Portanto, não sabemos ao certo quais ativos serão ativos ou não.

O plano de desinvestimentos é desafiador (soma o que venderam em 2015 as três maiores petroleiras integradas do mundo) e o cenário internacional de sobreoferta de ativos bons de energia à venda não favorece bons preços.

Como exemplo dá para ver o de Petrobras Argentina, vendida a um desconto de 30% em relação às avaliações internas e depois de um ano de negociações, SEM prêmio pelo controle como pretendido inicialmente.

A venda de Carcará demostra pragmatismo sim. Mas deixa a grande interrogação de que até esse momento entendíamos que o foco era exploração e produção, do qual o pré-sal seria o futuro.

De fato, não é menor esta venda já que Carcará poderia ter terminado respondendo no futuro por até 10% da produção de petróleo da companhia: significativo!

Se ela começar a vender as reservas, com que ficaremos?

Com a parte ruim da empresa e uma produção decrescente.

Reforçar o caixa NÃO é sempre bom nem a qualquer custo, ainda menos se ele for o futuro da companhia.

Vamos para outro ponto. O Parente literalmente tem mencionado que não quer usar o Tesouro para injetar dinheiro na empresa. Isso elimina o risco para o minoritário?

Primeiro, lembre que Bendine e Graça Foster também negaram isto e foram bem sucedidos, mas não necessariamente significa que não analisassem a opção ou que o balanço da empresa melhorasse muito.

Segundo, esta não é a única maneira de agradar aos credores da empresa e prejudicar os minoritários. Esqueceu que a dívida com os bancos públicos está na casa de R$ 92 bilhões? Isto é um pouco mais do que a participação que a União detém nas ações valorizadas a preço de mercado.

O que significa isto? Que a União poderia decidir converter a dívida em ações da empresa, fixando um preço altamente diluidor e aumentar a participação dele nos futuros lucros da empresa.

No final das contas, quem salva e perde tempo consertando uma companhia quer um retorno adequado.

Você acha que faria de graça, favorecendo aos acionistas minoritários?

Até pode ser (há alguns poucos casos no mundo nesta linha), mas é difícil apostar nisto quando as contas fiscais do País estão tão apertadas.

 

 

O que fazer com as ações?

PETR4 pode subir mais?

Pode sim.

A nova gestão da empresa tem sido eficiente em comunicar e executar medidas e poderia continuar a venda de ativos, fazendo com que o mercado “esquecesse” os problemas de multas e conflitos tributários que ficariam adiados para o ano que vem.

O importante para o curtíssimo prazo poderia continuar sendo simplesmente fortalecer o caixa para depois focar no longo prazo.

Ademais, as ações de Petrobras são, para investidores estrangeiros, uma forma de adquirir exposição a Brasil.

Se eles quiserem aumentar a exposição ao mercado brasileiro um jeito rápido é continuar o fazendo através de PETR4. A companhia tem muita dívida para rolar, mas com uma macroeconomia melhor, o fará mais barato, terá mais fôlego financeiro e as chances de melhora operacional aumentam com um management com mais experiência de mercado. Tão simples quanto.

Tudo isto pode acontecer no curto-médio prazo (até final de 2016)? Pode sim.

Então por que raios eu não recomendo as ações?

Porque há alternativas com melhores fundamentos que podem precificar os mesmos fatores, como Banco do Brasil (BBAS3).

Fique claro que o leitor é livre para tomar posições especulativas como Petrobras. O importante é sempre ter ciência dos riscos.

Não tem tempo para ler agora?

Envie o conteúdo A megaprivatização de Petrobras? para seu e-mail e leia mais tarde.

*Importante: O endereço de e-mail informado deve ser válido para que você possa receber o artigo em sua caixa de e-mail, bem como nossos conteúdos gratuitos sobre investimentos.
[class^='dclk_']
[class^='dclk_']
[class*='dclk_']
[class*='dclk_']
[id^='dclk_']
[id^='dclk_']
[id*='dclk_']
[id*='dclk_']
[class^='dclk_']
[class^='dclk_']
[class*='dclk_']
[class*='dclk_']
[id^='dclk_']
[id^='dclk_']
[id*='dclk_']
[id*='dclk_']