Dezembro de 2017

Como investir seu patrimônio após as eleições?

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O objetivo desse relatório é guiar você investidor no cenário que se desenha após a reeleição de Dilma Rousseff. Nossas projeções básicas são de juros longos reais em 7% a 8% ao ano, Ibovespa atingindo a casa dos 40 mil pontos e dólar ultrapassando a barreira dos R$ 3,00.

Para isso, antes iremos contextualizar o momento em que viveremos com uma análise da política econômica que deve ser aplicada.

As eleições presidenciais do Brasil colocaram em pontas opostas duas propostas bem distintas. Uma é a nova matriz econômica, levantada pela equipe econômica da situação; outra é a do tripé clássico, que prega metas da inflação, câmbio flutuante e controle da política fiscal.

Com a eleição de Dilma Rousseff, está afirmado o cenário de maior intervenção do Estado na economia com a continuidade da nova matriz macroeconômica, que implica no abandono do tripé clássico supracitado.

O que se observou no governo petista foi uma queda forçada da taxa de juros, ignorando a função desta de controlar a inflação, com intuito de realizar política de crédito na perigosa tentativa de estimular a economia, o que colocou em risco a meta da inflação.

Isto justifica em parte a inflação fechando perto do teto da meta. Houve um aumento no gasto público, novamente na tentativa de gerar demanda agregada com o objetivo de retomar o crescimento, colocando em risco os superávits primários, a poupança feita pelo Estado para o pagamento dos juros.

O governo tentou disfarçar esta queda nos superávits usando uma política ainda mais perigosa de contabilidade criativa com intuito mal sucedido de esconder a complicada situação das contas públicas. A falta de controle dos gastos públicos na administração petista já resultou no downgrade da dívida pública, o que já havia sido precificado pelo mercado anteriormente.

Os downgrades costumam ser feitos de maneira retardatária em relação às expectativas do mercado. Isto significa que eles costumam ser feitos algum tempo depois da precificação para baixo do mercado.

Por fim, o câmbio flutuante foi sacrificado pela excessiva intervenção do BACEN no mercado de SWAPS cambiais. A política do BACEN visa manter o câmbio em uma banda fixa de modo que ele não se valorize excessivamente prejudicando a competitividade da indústria brasileira, e nem se desvalorize de maneira exagerada resultando em aumentos da inflação.

Com isso, o juro deixou de ser o principal mecanismo de controle da inflação fazendo com que o câmbio passe a ter uma função cada vez maior no controle de preços. O grande problema do excessivo controle cambial é que ele resulta em queimas sucessivas nas reservas nacionais de dólar, que podem ser necessárias caso o quadro econômico se agrave com o aumento dos juros dos Estados Unidos.

Além disso o controle cambial faz com que a moeda nacional fique facilmente sujeita a ataques especulativos.

Um ponto que pode alterar em parte o cenário desenhado ocorre se Dilma retomar a ortodoxia após a vitória na tentativa de fazer uma concessão com a oposição de modo a melhorar a governabilidade.

Porém está solução é complicada porque implicaria em mentir e em certo sentido “trair” os eleitores que votaram na presidenciável com o objetivo de manter a atual política econômica.

O grande problema é que o ajuste é inevitável já que a situação atual é insustentável no longo prazo. A grande questão é como será feito este ajuste e quando. Ou o mercado terá que fazer o ajuste, no caso da negativa do governo, ou este próprio decidirá fazê-lo, mas com confiabilidade muito baixa, e consequente custo de implementação alto.

Tendo exposto nossa análise do ambiente econômico, passaremos agora a discutir o valor esperado da Bolsa de Valores com a vitória de Dilma.

A reeleição de Dilma implica numa previsão de 40 mil pontos para a Bolsa. Estes são menores do que os 45 mil pontos observados em Fevereiro porque é esperada uma degradação dos fundamentos com a subida dos juros nos Estados Unidos e queda no crescimento da China e da Alemanha.

Além disso, há a perspectiva de que os preços do minério de ferro e do petróleo continuem caindo, comprometendo ainda mais a balança comercial brasileira.

Após o fim das eleições, a volatilidade esperada na Bolsa de Valores é alta porque com a vitória os ativos passaram a estar excessivamente valorizados, indicando uma tendência de queda em um futuro próximo.

Em relação ao câmbio espera-se que o real se desvalorize sobre o dólar, até ultrapassar a barreira dos R$ 3,00.

Usando uma analogia de Gustavo Franco, a moeda de um país é como uma ação de uma empresa: se os fundamentos da empresa caem a ação desvaloriza. O mesmo vale para uma economia ou um governo, se os fundamentos caem a moeda tende a se desvalorizar frente as outras moedas. Pelos motivos apresentados, a nova matriz econômica fará com que os fundamentos da economia sejam prejudicados o que deve levar a uma desvalorização cambial.

Chegamos ao tema da inflação, que é projetada perto do teto da meta no médio prazo. Em adição, passamos por um cenário de estagflação, com uma inflação de 6,5% para um crescimento 0,3%.

O governo Dilma acredita que o principal problema do crescimento é a falta de demanda e que os aumentos na demanda podem estimular o aumento de oferta. Porém, estes aumentos na demanda têm um efeito maior no custo do que na demanda prejudicando a oferta. Diante deste quadro espera-se que 2015 seja sombrio: com recessão, tentativa de esforço fiscal, déficit em conta corrente e estagnação.

Um dos únicos méritos do governo petista foi a suposta manutenção do nível de emprego, com índices históricos de desemprego baixos. Porém o que se observa é na verdade uma redução na oferta de trabalho, por conta do baixo crescimento da População Economicamente Ativa.

Não se sabe ao certo porque houve esta queda na PEA, mas existem explicações como queda no crescimento da população, aumento nos anos de estudos dos jovens, aumento do Estado de Bem Estar Social e até mesmo em alguns casos desolação e desistência na busca de emprego.

Como houve um exagero na valorização dos ativos com a possibilidade de Aécio vencer as eleições, é esperado que essa correção seja realizada daqui pra frente.

Diante deste cenário cabe questionar o que fazer para proteger sua carteira de ativos. Primeiro deve-se ter uma atitude defensiva, reduzindo ou “shorteando” a exposição à bolsa e aumentando a compra de dólares.

Também é recomendada a compra de ativos ligados ao DI e a títulos públicos pós- fixados, preferencialmente as NTN-Bs, que rendem a inflação mais uma taxa. Estes ativos devem garantir uma certa proteção às flutuações que a economia brasileira pode vir a ter. Em resumo, diante do cenário atual o momento é de preservação de patrimônio.

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