Agosto de 2017

Você precisa ter (mais) dólares

nota-dolar

O câmbio existe para fazer o sujeito explicar amanhã o erro da projeção feita ontem.” 

Ou: “a taxa de câmbio foi criada para fazer os meteorologistas parecerem acertadores”.

Não podemos prever o comportamento do dólar. Assim como somos incapazes de predizer a performance das ações, dos juros, das commodities, etc.

Este texto, portanto, não tem por objetivo prever o valor futuro do dólar. A intenção aqui é argumentar em prol da necessidade de manter (ou incrementar) posições na moeda norte- americana. Apenas e tudo isso.

Parece haver uma assimetria convidativa entre os ganhos (grandes) e as perdas (pequenas) potenciais associadas a uma exposição ao dólar.

Isso ficará claro nas próximas linhas.

Em reforço, a posição em moeda estrangeira serve como instrumento de hedge e diversificação. A situação política e econômica do Brasil é simplesmente caótica. E você não pode ter todos os seus recursos investidos em moeda local. A desconfiança contra um país é também a desconfiança contra sua moeda.

Vinha recomendando aos leitores em minhas argumentações recentes, quando o dólar bateu a marca de R$ 4,00, exposição da ordem de 10% a 15% do patrimônio ao dólar. Em face ao contexto atual, passo a defender uma posição um pouco maior de 15% a 20%.

Operacionalmente, a forma mais fácil de garantir essa exposição é por meio de fundos cambiais, oferecidos pelos principais bancos. Nesse caso, a taxa de administração cobrada é um critério bastante importante de seleção. Dado que não há grande inteligência na execução dos fundos cambiais (em termos de gestão, todos fazem basicamente a mesma coisa), o investidor deve privilegiar fundos de menores taxas. Tradicionalmente, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal costumam cobrar menos por essa administração.

Já se o investidor possui um ticket mais razoável, algo igual ou superior a US$ 100 mil, vale a pena abrir uma conta no exterior e rentabilizar diretamente seu patrimônio a partir de ativos em moeda estrangeira. Há grandes ganhadores de dinheiro comprando títulos da Petrobras lá fora (em dólares), por exemplo, dado que ainda não se contempla um cenário de falência e, em última instância, teríamos aqui apenas risco soberano – em último caso, o governo socorreria a empresa.

Caso esse lhe pareça um ativo muito arriscado, há bons títulos de crédito, de empresas com rating interessante, pagando cerca de 4/5% ao ano em dólares.

Também podemos nos expor a dólares na Bolsa brasileira, de forma indireta, através de ações de empresas com exposição líquida positiva na moeda americana – ou seja, aquelas cujo impacto do dólar sobre o faturamento é mais significativo do que o impacto sobre sua dívida. Dentre as clássicas: Embraer (EMBR3), Suzano (SUZB5), Dufry (DAGB33)…

A mensagem que gostaria de passar neste texto, porém, é mais simples: o investidor deve aumentar sua exposição em moeda estrangeira. A forma em si cabe às possibilidades e às preferências individuais.

Começo a argumentação em favor do dólar com a noção de que, mesmo depois da vigorosa depreciação cambial, o Brasil, ressalvando exceções pontuais, ainda não é competitivo no exterior.

Estamos há quase uma década sem ganhos de produtividade. Os termos de troca (relação entre o o preço do que vendemos ao exterior e do que compramos de fora) pioraram significativamente nos últimos anos – e não há nenhuma perspectiva de recuperação no curto prazo. A política de concessão de aumentos de salário acima da produtividade encareceu em demasia a mão de obra local, encarecendo os produtos.

Para que possamos melhorar o setor externo pela via das exportações, a taxa de câmbio precisaria se depreciar entre 10% e 20% adicionais.

O ponto nevrálgico aqui é que dificilmente teremos uma recuperação da economia sem a puxada do setor externo. Foi assim nas últimas recessões. E deve ser assim agora. Ou seja, a depreciação cambial não é uma questão de vontade ou somente uma consequência do ajuste macro imposto pelo mercado. Vai além disso: trata-se de questão de necessidade.

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