Casamento Cetip & BM&FBovespa: Felizes para Sempre?

As antigas BM&F e Bovespa se uniram no longínquo ano de 2008. A união das Bolsas, formando a poderosa BM&F Bovespa (BVMF), na época foi vista como muito positiva para ambas.

Casamento Cetip & BM&FBovespa: Felizes para Sempre?

As antigas BM&F e Bovespa se uniram no longínquo ano de 2008. A união das Bolsas, formando a poderosa BM&F Bovespa (BVMF), na época foi vista como muito positiva para ambas.

Afinal, com uma contraparte central todos os interessados nos mercados financeiros brasileiros olhariam para uma só Bolsa para negociar ativos.

Bons tempos…

Mas eles tinham razão?

Após quase 6 anos de união, podemos dizer que a BVMF cresceu e melhorou sua execução. Hoje temos a maior e melhor Bolsa da América Latina, mesmo com nossa economia em frangalhos.

Novamente nos deparamos com uma fusão no setor. Altamente regulado e com fortes tendências monopolísticas, o mesmo parece não apreciar competição.

As “tratativas preliminares” foram confirmadas, sem surpresa para os nossos leitores.

O mercado acredita que o impacto será altamente positivo para as Bolsas… As duas ações subiram mais de 8% no dia do anúncio.

Mas será que desta vez isso se tornará realidade?

Mexican Standoff

Uma coisa é certa: a fusão tira da mesa o fantasma da competição entre as empresas. Só retirar o risco da competição impactar o mercado já eleva significativamente o valor de mercado de ambas.

BVMF estava desenvolvendo sistemas para competir nos mesmos mercados de Cetip e, ao mesmo tempo, Cetip estava estudando entrar nos mercados da BVMF.

Elas provavelmente não competiriam em preço, pois os custos para os bancos são irrelevantes comparados à receitas geradas.

Mesmo assim, a presença de 2 atores traria alguma fricção ao bom andamento das Bolsas.

Algo do tipo: “Esta cidade é pequena demais para nós dois.”

Mas será que os juízes dessa peleja, devidamente fardados com o uniforme do CADE, permitiriam tal relação?

Bom já deixaram uma vez em 2008, então…

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Death and Taxes

Assim como na fusão de Bovespa e BM&F, uma compra destas proporções criaria um ágio gigantesco no balanço da bolsa resultante.

O ágio é a diferença entre o valor do Patrimônio Líquido (no balanço) e o valor de mercado. Como Cetip negocia a mais de 5x seu valor patrimonial, o ágio seria da ordem de 8 bilhões de reais.

Isso mesmo, R$ 8 bi a menos de impostos.

Mas não é tão simples. A BVMF briga na justiça até hoje para manter seu ganho fiscal.

Custo Brasil em seu primor. Mas um ganho (bem) relevante a se considerar.

Investimentos sinergéticos

O mercado já começou com sua retórica de sinergias e ganhos de escala. Vemos, sim, bastante espaço para ganhos aqui.

A consolidação permitiria que garantias fossem utilizadas para outros mercados, economizando dinheiro dos bancos.

Sistemas seriam consolidados, baixando a necessidade de investimento futuro.

O relacionamento dos players do mercado se daria com uma só contraparte. O problema é que o mercado já conhece as culturas das Bolsas.

Enquanto a Cetip atende seus clientes prontamente, BVMF disponibiliza somente um 0800 que toca noite adentro.

Equivalente a você tentar cancelar seu serviço de telefone celular, sabe?

Bença, bancos?

De qualquer forma, são os bancos que terão a palavra final sobre a fusão.

Seria interessante para eles ter as Bolsas unidas?

Se não fosse, esta novela de fusão já teria sido esquecida há anos.

Talvez os bancos tenham uma esperança de implantar a cultura da Cetip na BVMF.

Imagine só, você tem problemas de liquidação. Liga na BVMF e: “Alô?”

Tudo vale a pena se a alma não é pequena

A forma com que será feita a fusão dirá muito sobre o resultado final e sobre a atratividade da Bolsa resultante.

No caso de troca de ações, a precificação das empresas também será importante. No caso de compra da Cetip pela BVMF, o valor da oferta nos dirá se vale a pena vender.

A fusão parece linda nas planilhas dos banqueiros de M&A, mas na prática a teoria é outra. A BVMF não é lucrativa como a Cetip e isso impactará os preços.

O processo de união das empresas traz riscos que dificilmente podemos enxergar agora. Não sabemos se BM&F possui habilidade para liderar esta fusão. Mesmo sabendo que a BVMF já passou por este processo em 2008.

Unir dois negócios é um processo longo e complexo. Dá errado em 70% das vezes.

Isso mesmo: fundir empresas normalmente destrói valor.

Esperando pacientemente o anúncio de mais informações, vamos exercitando nossa capacidade imaginativa…

Além disso, saboreamos intensamente a valorização dos papéis, presentes em nossa carteira de Aposentadoria Milionária.

Mesmo focando no longo prazo, não nos deixa nem um pouco tristes embolsar ganhos polpudos em prazos menores.

Afinal, ninguém é perfeito.

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