É hora de comprar ações da Vale

O título é bastante sugestivo, antecipando-lhe a conclusão...

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O título é bastante sugestivo, antecipando-lhe a conclusão. Mas também é perigoso.

Peço que não o tome a rigor caso você não leia a argumentação das próximas linhas. Se for para tapar os olhos, comprar a ação e vir cobrar resultados amanhã, simplesmente NÃO O FAÇA.

O futuro é (e sempre será) opaco, ainda mais quando falamos sobre commodities – não bastasse, falamos de uma commodity cuja principal exposição está na (caixa preta) China.

Pergunto-lhe: a ação da Vale se mostra cara ou barata?

Simplesmente não dá para saber sem saber o destino do preço do minério de ferro.

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Quando você acha a ação barata, aquele aparente subapreçamento reflete, na verdade, um pico de ciclo para o minério…

Daí o minério cai de preço e, sem mudar nada na empresa, as ações ficam 50% mais caras em termos de múltiplos. Por isso, qualquer afirmação de atratividade do valuation de empresas de commodities merece cuidado redobrado.

É rigorosamente o caso da Vale.

“Poxa, mas ela não negocia a 0,2x valor patrimonial?!”

Com o preço do minério de ferro na casa de US$ 100 por tonelada, a mineradora conseguia gerar um ROE (retorno sobre o patrimônio) da ordem de 10% em dólares…

Com o minério de ferro abaixo de US$ 50/ton, como no exato instante, seu ROE é negativo. A empresa queima caixa.

De que adianta estar descontada em relação ao patrimônio se ela não consegue extrair valor de sua base de ativos?

Embora, de fato, Vale seja uma empresa de excelência, a correlação com o minério de ferro impõe muita influência de elementos macro, deixando apenas em segundo plano as questões efetivamente sob controle da companhia.

E por isso essa recomendação é cercada de ponderações. Mas vamos à essência da coisa.

Por que raios eu falo em “hora de comprar ações da Vale” quando TODOS os outros analistas dizem o contrário?

Para tanto, precisamos analisar – rapidamente – as origens da queda. Ela se deve tanto a fatores internos quanto externos à companhia…

(i) Todos os fundamentos apontam para queda adicional nos preços das matérias-primas. O cenário é de excesso de oferta e fraqueza de demanda, sem perspectiva de recuperação.

Isso motiva todo o consenso de mercado a recomendar alocação underweight (abaixo da média) em commodities. E impacta as ações de empresas de matérias-primas, sem distinção.

(ii) No caso de Vale, há um investimento relevante a se fazer em um momento extremamente adverso.

Um dos maiores projetos da história da Vale, o S11D, de expansão da atividade mineradora de Carajás, calhou de ocorrer justo agora, em momento de resultados pressionados e queima de caixa, o que amplia a pressão sobre seu balanço, enquanto as principais rivais internacionais já realizaram projetos importantes nos últimos dois anos.

Esse descompasso se dá graças à burocracia e atrasos na obtenção de licenças; timing ruim, custo-Brasil.

Mas justamente daí surgem meus dois contrapontos:

(i) Se é fato que as incertezas com o mercado de commodities predominam no momento (e devem prevalecer no curto prazo), também é fato que as commodities têm, historicamente, um componente de reversão à média.

Ou seja, embora o valor das matérias-primas varie aleatoriamente no curto prazo em razão de fatores políticos e econômicos, como, por exemplo, a perspectiva de um período de menor crescimento global ou o temor de uma restrição momentânea de oferta por choque climático, no longo prazo os preços tendem a acompanhar os valores dos custos marginais de produção.

E – voilà! – os preços atuais estão bem abaixo da média.

Se mais uma vez se confirmar esse componente de reversão à média, faz sentido ter alguma exposição ao setor.
Veja bem: falamos de produtos essenciais. Para haver uma quebra desse componente histórico de reversão à média, haveria de ocorrer um rompimento estrutural. Nova tecnologia em substituição à matéria-prima ou a descoberta de uma nova reserva com potencial para alterar significativamente o nível de acesso ou oferta desse material. Não parece ser o caso para o minério de ferro.

Vejam o que falou Luís Sthulberger, no relatório de seu fundo Verde de janeiro de 2016:

“Estamos vendo talvez a maior transferência de renda da história — dos países produtores de petróleo para os consumidores do mundo todo — e tal processo deveria permitir um sustentado crescimento de consumo. Se essa resiliência do consumo ficar clara ao longo dos próximos seis meses, é altamente provável que estejamos apenas passando por um soluço de crescimento temporário, exacerbado pelas costumeiras tendências bipolares do mercado.”

E se considerarmos ainda que as posições vendidas são enormes, com todo o mercado apostando contra, um eventual short squeeze (movimento para cobertura de posições vendidas) poderia trazer um componente explosivo para as cotações de empresas ligadas a matérias-primas no primeiro indício de uma reversão.

(ii) Se o projeto S11D exige da Vale investimentos elevados em um momento adverso, também é verdade que ele colocará a empresa em outro patamar – já em 2017.

Dentro do que está ao seu alcance, a Vale tem feito a lição de casa. A companhia vem reduzindo sistematicamente seus custos e despesas operacionais desde a metade de 2012.

Prova disso, seu custo por tonelada de minério de ferro vem caindo gradativamente:

Fonte: Vale

O custo caixa de minério de ferro entregue na China decresceu mais
de US$ 25/tonelada desde o quarto trimestre de 2014.

É bem verdade que muito da redução de custos se dá muito por conta da escalada dólar, uma vez que a maioria dos gastos da empresa são em reais.

Mas o projeto S11D está justamente aí para tornar essa conquista sustentável.

Isso, porque a geologia do projeto permite a utilização de correias transportadoras – sem caminhões – entre a mina e a planta; e o minério na reserva é de elevado teor e homogêneo, reduzindo a necessidade de barragens (outro item de custo elevado).

Com tudo dentro do cronograma para o start up do projeto S11D no final deste ano (e alguma produção palpável a partir de 2017), o custo caixa de Vale pode ficar abaixo de US$ 13/tonelada de maneira sustentável – ela já atingiu esse nível no terceiro tri de 2015.

Esse nível de custo caixa é próximo do estado da arte para a indústria de minério.
Vale tem elevado teor de ferro em suas jazidas, tem a maior produção do mundo em volume (vantagens de escala) e custos de produção cada vez mais enxutos.

Se está difícil para a Vale, está pior para quase todas as demais mineradoras.

Vale sai fortalecida da crise.

Se a marca d’água para Vale gerar fluxo de caixa positivo hoje é com o minério na casa de US$ 50 por tonelada, após a maior carga de investimentos no S11D e esse processo de redução de custos, essa marca tende a ir para US$ 40/ton.

Corolário: se você quiser uma aposta na virada do ambiente para as commodities, a maneira mais inteligente de obter isso, no mercado de capitais brasileiro, é através das ações da Vale.

Outras empresas ligadas a commodities estão com a estrutura de capitais estrangulada, com sério risco de crédito, e enfrentam conflitos societários, problemas de governança corporativa e ingerência política mais evidentes (casos notáveis de Usiminas e Petrobras).

Por sua vez, Vale tem feito a lição de casa.

Cumpre reforçar, porém, que você provavelmente NÃO ganhará dinheiro agora com as ações da Vale.

Trata-se de recomendação focada num processo gradativo de reversão à média (para as commodities) e redução de custos (para a empresa).

Como sobremesa, essa mesma recomendação, feita agora, implica prontidão no caso de uma eventual inversão súbita de tendência.

Por fim, essa recomendação (e a Bolsa como um todo) deve ser encarada como um mecanismo de construção de patrimônio em longo prazo.

O curto prazo está muito sujeito à aleatoriedade, ainda mais neste caso.

Convite: duas alternativas interessantes para ganhar com Vale

Você não precisa necessariamente se expor de forma direta às ações da Vale.

Felipe Miranda tem utilizado a volatilidade desses papéis de forma segura na Carteira Empiricus, mediante estratégia de venda coberta.

Nessa estratégia, você compra a ação e assume o compromisso de vendê-la a alguém, desde que por um preço superior ao atual.

Se as ações sobem, você embolsa uma taxa de retorno excepcional. Se as ações ficam paradas, você coloca o prêmio original no bolso. Se as ações caem, o prêmio ajuda a mitigar as perdas.

Na Carteira, Felipe conduz ao passo a passo da estratégia e dos ativos específicos que você deve utilizar, com resultados formidáveis.

Sou sincero com você: a Carteira Empiricus é nosso produto mais completo, mas você só conseguirá extrair o máximo dela se possuir pelo menos R$ 100 mil em aplicações. O produto é indicado para pessoas que tenham essa disponibilidade.

Caso você não tenha esse montante em aplicações, uma alternativa interessante é o Palavra do Estrategista, que contém dicas pontuais do Felipe e do Rodolfo, sem restrição ao tamanho de suas disponibilidades financeiras.

Nosso assinante João M. acaba de ganhar com Vale utilizando justamente uma recomendação do Palavra:

“Estou aprendendo o máximo possível com seus relatórios e dicas, mas sou muito moderado com meus investimentos, e a algumas semanas atrás, vi uma dica sua sobre uma opção de VALEC27, como você recomendou, se alguem quisesse arriscar, que colocasse qq grana que tivesse de sobra, então entrei nessa opção a R$ 0,19, e comprei a quantidade de 2.500, e logo após três dias já estava valendo R$ 0,52, quase 200%. Agradeço a sua dica e sinto que vocês estão bastante seguros e passando muita firmeza para nós.”

 
Deixo aqui meu convite para que você conheça o Carteira Empiricus (mais completo) ou o Palavra (para iniciantes).

Ambas essas séries estão cientes de que dá para ganhar com Vale, mesmo diante da trajetória negativa das ações.

Forte abraço,
Roberto Altenhofen

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