Mais um semestre positivo para sua Carteira

Juiz de futebol, goleiro e gestor/analista de investimento não podem ser elogiados antes do apito final. Parece haver uma mística inabalável: se você falar bem dessa turma antes da hora derradeira, pode saber da ruína subsequente.

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Juiz de futebol, goleiro e gestor/analista de investimento não podem ser elogiados antes do apito final. Parece haver uma mística inabalável: se você falar bem dessa turma antes da hora derradeira, pode saber da ruína subsequente.

Se você quer identificar o próximo a fazer besteira no mercado financeiro, o procure nas capas de jornais e revistas com cara de paisagem. Se o sujeito está na capa da Exame vangloriando-se de sua performance anual, pode saber: sua cota vai desabar daí um pouco.

Freud dizia haver três profissões impraticáveis no mundo – ao menos, meu psicanalista, o Cláudio, assim me conta. São elas: analista, educador e governante. Eu acrescento uma quarta: a do elogiador oficial da República.

Os acertos principais estiveram nos books de renda fixa, ações e fundos imobiliários. Com a decisiva ajuda da equipe – sem ela, nada disso seria possível –, montei um portfólio mais agressivo e pudemos pegar na veia o processo de reavaliação dos ativos brasileiros, catalisado pela manutenção de um ambiente favorável para fluxo aos países emergentes e pelo prognóstico de melhoria da política econômica a partir da mudança no governo.

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Olha, se há uma saída para a crise brasileira – e eu acredito firmemente que há – esta turma vai encontrar. A equipe econômica do governo Temer é muito melhor do que podíamos contemplar em nossos devaneios mais otimistas.

Em contrapartida, a alocação em dólar impediu que tivéssemos desempenho ainda mais favorável. Ou seja, houve também erros relevantes de alocação e eu os reconheço com a devida transparência.

Felizmente, esses equívocos foram inferiores e menos frequentes do que os acertos. Isso me deixa satisfeito. Isso porque o saldo fez nossos clientes ganharem dinheiro. Ao final do dia, nada mais interessa. A pessoa física é normalmente o ente mais prejudicado no mercado de capitais brasileiro, e há um gosto especial em saber que, em termos absolutamente tangíveis, sem filosofia ou platonismo, podemos contribuir de alguma forma. É por essa razão – e por nenhuma outra – que fundamos a Empiricus, com o objetivo de democratizar os investimentos no Brasil.

Confesso um gosto especial. O investidor comum pôde (estou mantendo o acento para demarcar o passado e evitar a ambiguidade) acessar retornos iguais ou até mesmo melhores do que aqueles antes restritos apenas aos profissionais da área. Missão dada, missão cumprida.

O desempenho da Carteira Empiricus, montada essencialmente para a pessoa física, o médico, o advogado, o professor, o funcionário público, esteve acima dos principais benchmarks de Bolsa e também do apresentado pela média dos gestores profissionais, mesmo se selecionarmos uma amostra daqueles considerados os melhores do mercado. Com efeito, tem sido assim desde a concepção do portfólio – desde março de 2014, quando de sua criação, o portfólio oferece rendimento equivalente a mais de 160% do CDI.

Faço uma pausa para esclarecimento importante. Falo tudo isso com a devida humildade. Não estou me comparando aos sujeitos. Sei que os grandes gestores são milhões de vezes mais inteligentes e capazes do que eu. Sinceramente. Sei perfeitamente também que as performances são, em grande medida, definidas pela aleatoriedade, de modo que um track record em si não mede competência – para um ser humaninho que se diz leitor de Taleb, seria idiotice completa ser iludido pelo acaso. Por fim, esclareço que sei ainda que dois anos e meio são horizonte de tempo excessivamente curto para qualquer inferência.

Aqui, falo apenas do dado, da performance, do desempenho. Ele é frio, incontestável. Está aí, cravado na história. E o passado não se muda. Ninguém nos tira. Ou melhor: ninguém tira de nossos clientes, que foram os beneficiários finais. Isso me alegra, muitão, diria Riobaldo.

Você pode questionar eventualmente o marketing agressivo, considerar os e-mails longos, reclamar do quanto havemos de avançar nas possibilidades tecnológicas e na experiência do usuário. Pode também dizer que sou um grande sortudo. Sinceramente, eu não vou tirar a sua razão.

É importante que as pessoas saibam que nós sabemos das fragilidades da Empiricus. Estamos trabalhando fortemente para endereçá-las ou, ao menos, se isso não for possível por completo, amenizá-las. Não estamos economizando tempo nem dinheiro nisso. Infelizmente, porém, as melhorias, principalmente as estruturais, demoram um pouco mais de tempo para aparecer. Chegaremos lá. Quero, sim, ser cobrado por tudo isso lá na frente.

Você tem, inclusive, direito de questionar tudo isso já hoje. Entenderei com serenidade a impaciência. Mas não poderá questionar o track record. Pois ele, nesses 30 meses e no semestre em particular, foi entregue, inclusive acima do que prometi quando estabeleci a Carteira Empiricus.

Talvez ele mude à frente, claro. O diabo dos mercados livres é que eles são livres para ir aonde quiserem – e isso envolve a impiedosa possibilidade de irem para baixo.

Eu sinceramente não sei como as coisas serão à frente. Podemos devolver essa performance toda em pouco tempo. Basta que abaixemos a guarda por alguns instantes e… poft! Seremos acertados por um direto na ponta do queixo. Knockout!

Mais do que isso, devo admitir-lhe: por mais que nos esforcemos, sejamos medianamente inteligentes, diligentes e treinados, que amemos nosso trabalho, a verdade é que é difícil para caramba bater o mercado.

Falo de coração aberto (um amigo meu metido a jiujiteiro diria “de quimono aberto”, o que eu acho horrível). Retorno passado nunca foi nem será garantia de rendimento futuro. Esse só será mesmo revelado lá na frente. E o futuro, evidentemente, será moldado a partir de circunstâncias que se revelarão somente a posteriori. O passado não. Está lá e não poderá ser apagado. Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças é um excelente filme; nada além disso.

E é por isso que, humildemente, me orgulho do que produzimos neste semestre, por ter feito nossos clientes ganharem dinheiro. Mais uma vez, pondero: ao menos até aqui (não quero mesmo tomar um gol de escanteio aos 45 do segundo tempo).

Essa é em última instância nossa razão de existência. Não há nada mais gratificante para um homem dotado de um mínimo de honra do que atender ao chamado de sua vocação.

A que se deveu essa melhor performance da Carteira Empiricus frente aos benchmarks e mesmo na comparação com outros fundos considerados top do mercado?

Primeiramente, à sorte. É ela quem dita movimentos de curto prazo.

Depois ao fato de que a Carteira, principalmente no método, é realmente diferente dos demais portfólios disponíveis.

Em que sentido?

Gestores têm teses. Eles, em geral (e é importante marcar a existência de excelentes exceções por aí), acreditam numa habilidade especial de ler e antever condições macro e microeconômicas futuras que hão de se refletir no preço dos ativos.

Eu não tenho teses. Por uma razão simples: não me acho capaz de enxergar o futuro melhor do que ninguém. Teses são feitas para 50% de acerto. Por mais inteligente que minha equipe possa ser – e eu posso lhe garantir que ela é –, há uma porção de gente inteligente por aí.

Então, eu realmente acredito que teses, mesmo do melhor gestor ou analista, são feitas para 50% de acurácia.

Talvez os gestores, equivocadamente, se ofendam com isso. O argumento é um elogio à classe, e não uma crítica. Acho o gestor brasileiro um sujeito muito inteligente. Muito inteligente mesmo. Mas, então, se todos são muito inteligentes, a média já está muito alta e está refletida adequadamente no preço dos ativos. Como superar a média do mercado se a média do mercado é excepcionalmente elevada?

Falar que os gestores como um todo são bons (no sentido de que batem a média do mercado) é um paradoxo em si. Como podem todos os componentes da média serem melhores do que a média?

Retomo o argumento principal. Eu não faço teses sobre como estarão refletidas as condições macro e microeconômicas lá na frente. Eu olho matriz de payoff (retornos potenciais).

Olho qual a chance de cada cenário e quanto aquilo paga. Procuro hedge barato e opcionalidades que não me firam muito em caso de insucesso.

Em resumo, monto estratégias que, se erradas, implicam prejuízo pequeno. Se certas, geram um lucro enorme. Note que isso é muito diferente de supor como será o futuro. É admitir que eu não sei qual é o futuro. Quero me machucar pouco no pior e me beneficiar do melhor.

Assim, se eu acerto metade das vezes, acabo com um saldo final muito positivo. Os acertos (grandes) mais do que compensam as perdas (pequenas). Isso não é conhecimento em Finanças. É aritmética.

Faltam poucos dias para o semestre terminar. Sei que poucos dias fazem toda a diferença.

Seja como for, aqui estamos, prontos para o próximos. Queremos mais. E trabalharemos por isso.

Obrigado pela confiança.

CONHEÇA A CARTEIRA QUE BATE O MERCADO COM CONSISTÊNCIA

 

Um abraço,

Felipe Miranda

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