O gatilho de cano duplo da Bolsa

Há apenas um evento e dois destinos possíveis para a Bolsa Caro leitor, Talvez você não tenha percebido, mas voltamos no tempo. Voltamos 10 anos ou mais em praticamente todos...

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O gatilho de cano duplo da Bolsa

Há apenas um evento e dois destinos possíveis para a Bolsa

 

Caro leitor,

Talvez você não tenha percebido, mas voltamos no tempo.

Voltamos 10 anos ou mais em praticamente todos os segmentos da economia, realidade comprovada a cada indicador divulgado.

A esta altura do campeonato, isso é um tanto óbvio. Não é do que estou falando aqui…

Voltamos um ano e dois meses nos mercados. Lembra-se do rali eleitoral?

Fonte: Extra, O Globo

Pois os preços dos ativos – principalmente ativos de risco – voltaram a essa dinâmica.

Eles se comportam a partir de um modelo binomial, ponderando com qual governo lidará nos próximos 3 anos:

a) Se um governo em prol do ajuste das contas públicas

ou

b) Um governo que fará mais do mesmo esperando resultado diferente.

Isso, com ou sem Dilma.

A perspectiva do mercado é por uma alteração do status quo – o que, por definição, seria mais fácil sem Dilma.

Não estou falando necessariamente do processo de impeachment, que perdeu força após a decisão do STF e entra em modo “stand by” com o recesso de fim de ano…

Com a substituição de Joaquim Levy (homem do ajuste fiscal) por Nelson Barbosa (um dos pais da “nova matriz econômica” que nos colocou na situação atual), o mercado precisa definir com qual governo lidará nos próximos três anos.

É o momento da definição.

Há, portanto, um gatilho… Um evento determinante para os mercados e, a partir dele, dois desdobramentos possíveis: (i) forte retração em caso de manutenção do modelo atual; ou (ii) forte valorização no caso de .

Note que tivemos alguns desdobramentos relevantes nos últimos dias, com impactos sobre o fluxo de capitais e os fundamentos dos mercados, como novo rebaixamento no rating brasileiro, ou o aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve…

Fonte: Bloomberg

…mas o mercado ignorou tais eventos.

As oscilações relevantes do gráfico acima são todas escoradas nessa definição.

As manchetes abaixo, todas de dezembro, provam o ponto:

É o que dizem as manchetes. Informação incontestável e acessível a todas as pessoas… por isso, sem vantagem nenhuma para você.

Obviedades pontuadas, vamos então aos passos práticos.

Quem mais se beneficiaria de uma quebra com o status quo?

Naturalmente as estatais, mas cuidado…

Para ter exposição a estatais você deve exigir preços excepcionalmente baratos. Sempre há a chance da estatal ser usada a favor do Estado (e não dos acionistas) e isso exige uma contrapartida importante em termos de valuation.

Jamais reserve uma fatia grande de seu portfólio para esse tipo de investimento.

“Aaa, Petrobras está barata a 0,4x valor patrimonial!”

A questão é a capacidade da petroleira extrair valor do seu patrimônio e o risco de colapso em sua estrutura de capitais – a empresa precisa lidar com um endividamento bruto de meio trilhão de reais.

Portanto, as empresas mais sensíveis a esta combinação binomial, aquelas que representam o maior “beta” a uma mudança no governo, são, quase por definição, mais arriscadas.

Lembre-se que o tal beta alto é especialmente problemático pelo seguinte: ele paga muito bem quando o mercado vai bem, e muito mal quando o mercado vai mal.

E há um outro problema sério aqui:

Tanto o impeachment como uma mudança na política vigente são processos que fogem completamente ao nosso controle.

Eles não se sustentam meramente em argumentos lógicos, legislação ou fundamentos. Há nuances políticas envolvidas, sem contar os unknown unknowns (aquilo que sequer sabemos que não sabemos).

Grosso modo, tem muita água para rolar debaixo dessa ponte.

Então o que você pode fazer?

Aproveitar as distorções geradas por este momento para se posicionar em empresas sólidas que apanharam por tabela, de forma excessiva.

Procure pelos seguintes critérios:

1. barreiras à entrada
2. margens elevadas
3. baixo endividamento
4. capacidade de remarcar preços
5. respeito às boas práticas de governança corporativa
6. alto retorno sobre o capital investido

… mais do que isso, procure pela intersecção deles.

Agora, combine isso com um apreçamento convidativo em Bolsa.

Você chegará às empresas que são resilientes independentemente do cenário, mas estão negociando a preços completamente distorcidos em Bolsa.

Quem segurar o ímpeto e agir de forma certeira está com a faca (o gatilho) e o queijo (as oportunidades) na mão.

Um abraço.

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