Tenho direito de perder a razão

Pode ser que seja loucura recomendar a compra de bolsa agora, mas existem excelentes empresas brasileiras que estão sendo vendidas a preço de banana.

Tenho direito de perder a razão

Depois dos -6% de queda do Ibovespa em um recém-nascido 2016, de quanta lucidez eu preciso para afirmar que a Bolsa brasileira vai subir?

Resposta fácil: nenhuma lucidez.

Pois eu não acredito que a Bolsa volte a subir nos próximos dias.

Acredito, na verdade, que ela pode cair.

Um flerte perigoso com os 10 mil pontos em dólares.

Só Xi Jinping poderia assustar mais do que Dilma Roussef.

Ainda assim, minha grande tese no momento é convictamente comprada em ações brasileiras, aquelas que chamo de As Melhores Ações para 2016.

Perdi a razão?

Um dos fundadores da Empiricus está reconhecidamente louco?

Reservo-me sempre o direito de viver a insanidade, um direito inalienável de todo ser humano.

Mas TALVEZ eu não esteja louco.

Explico.

Quando alguém me pergunta o que eu faço e eu respondo a verdade, esse alguém costuma reagir da seguinte forma:

“Nossa, você mexe com mercado financeiro, então? Que máximo! Como você aguenta? Deve ser muito estressante!”.

Não tenho a mínima ideia se é estressante, não tenho base de comparação. Fiz isso minha vida inteira.

Ser gerente de marketing em turno de 32 horas acordado deve ser estressante.

Ser professora de ensino médio com alunos drogados e armados na sala de aula deve ser estressante.

No entanto, meu pai e minha mãe nunca reclamaram para mim de estresse.

Quantos administradores, advogados, engenheiros, jornalistas, policiais e publicitários que me leem não poderiam ser agraciados com o “elogio” do estresse?

Não acho minha profissão estressante; nem um pouco mais estressante do que as outras.

A coisa verdadeiramente maluca em fazer o que eu faço é a de enxergar a economia um pouco antes do público geral.

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Em abril de 2014, eu e Felipe estávamos realmente transtornados. Possivelmente, o mais próximo que chegamos de um pico de estresse.

Víamos uma clara deterioração da macro brasileira logo à frente, em pleno clima de festa vendido pelo Governo.

Queríamos alertar nossos leitores, mas não sabíamos como.

Assim nasceu a tese do Fim do Brasil (clique aqui caso ainda não conheça esse documento histórico).

Mais precisamente, nasceu num happy hour.

Você já foi a um happy hour enquanto tomava antibiótico?

Começa a noite, todo mundo na mesma toada. Só que você está sóbrio, não pode beber.

Passada uma hora, todos estão rindo juntos.

Passadas três horas, eles estão rindo juntos.

Passadas cinco horas, você simplesmente não aguenta mais; é o pior momento da sua vida. Essas pessoas são realmente seus velhos colegas de trabalho?

Aí você tenta ajudar: olha, pega leve, já bebeu demais; ainda é quinta-feira, fim de semana inteiro por vir; amanhã tem que entregar relatório, a dor de cabeça vai ser braba.

Não adianta.

Não adianta NADA.

Seja bem-vindo à minha profissão.

Aqui na Empiricus, nós tomamos antibióticos pesados.

De abril de 2014 até este janeiro de 2016, acabou a bebedeira geral.

E começou a ressaca-guerra.

Talvez o ápice dessa ressaca tenha ficado para trás, com o naufrágio do Governo Dilma.

Talvez ainda esteja por vir, mediante o estouro da Bolha chinesa.

Sinceramente, eu não sei. Não faço a mínima ideia.

A única convicção que me pauta, neste momento, é a de que excelentes empresas brasileiras estão sendo vendidas a preço de banana na Bolsa.

Elas NÃO vão voltar a subir nos próximos dias.

Nem posso estimar quando, exatamente, elas subirão.

Mas digo com conforto que são ações baratíssimas, e que oferecem uma margem de lucro muito grande aos investidores aptos a aguardar o retorno à normalidade.

No 2009 pós-crise, por exemplo, o Ibovespa disparou +82,66% em reais e +145,16% em dólares. Tudo isso em apenas um ano.

Houve ações específicas disparando mais de +300% nesse mesmo intervalo. Por exemplo, Duratex (DTEX3) subiu impressionantes +334,2% em 2009.

De fato, eu não acredito que a Bolsa volte a subir nos próximos dias.

Porém, se vier a cair, não há de cair muito abaixo dos 10 mil pontos em dólares atuais.

Por outro lado, existe um espaço gigantesco para que As Melhores Ações de 2016 decolem.

Quem sabe +100%, +200% ou +334,2%, na hora em que o destino julgar a mais correta.

Minha profissão não é a de prever o futuro; por isso não me estresso.

Se esse antibiótico me deixar louco, eu juro que tomo um porre.

Até a próxima,
Rodolfo Amstalden

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