Para onde vai o preço do ouro? Como investir em ouro sem comprá-lo?

O nosso time de craques, hoje acomodados em cadeiras confortáveis, abordam um assunto que está entre os mais perguntados pelos nossos assinantes: ouro.

O nosso time de craques, hoje acomodados em cadeiras confortáveis, abordam um assunto que está entre os mais perguntados pelos nossos assinantes: ouro. E mais do que isso, oportunidades para se aproveitar, sem necessariamente precisar de fato, comprar ouro. O time escalado abordar o tema no Seleção de Empiricus dessa semana, conta com Max Bohm, Guilherme Ebaid e os convidados Rodrigo Barbosa, CEO da Aura Minerals e Fernando Fontoura, da Persevera Asset.

1:30 Ricardo Mioto começa o bate bola colocando a surpresa dos investidores com relação ao comportamento do ouro - aparentemente ele pode cair também. E a pergunta que não quer calar: deveriam os investidores estarem preocupados com essa trajetória e o quanto essa situação tem impacto sobre a Aura Minerals?

Rodrigo inicia sua resposta dizendo que é importante o mercado olhar o ouro da mesma forma que olham outras ações e commodities: a longo prazo. É fato que o que o vemos hoje é uma situação incomum, o efeito do covid foi muito forte sobre as economias, o que significa uma probabilidade da taxa de juros continuar baixa e uma desmonetização da economia, trazendo questionamentos de como vão ficar as moedas fortes. Com relação ao ouro, Rodrigo vê uma perspectiva de subida e coloca que talvez estejamos no começo de um novo ciclo de alta.

7:37 Seguindo a conversa, Mioto pergunta à Max e Guilherme o porque a exposição a ouro via ação e qual é o motivo de terem escolhido a Aura ao invés de uma Vale, por exemplo.

Max diz que viram na Aura alguns pilares qualitativos muito interessantes: diversificação ligadas a commodities, track record do time de gestão  - que conhece o business e tem ampla experiência e crescimento, grande diferencial da empresa. Ebaid complementa que investir na empresa é vantajoso pela questão do ganho de capital e também pelos dividendos, alavancagem operacional, etc.

12:34 Continuando, a questão é: como fica a demanda do ouro daqui pra frente e o quanto é importante para o mercado os outros usos do mineral?

Rodrigo fala que existem 3 usos diferentes: jóias, que correspondem a 30/40% da demanda e é muito consumido ao redor do mundo, principalmente na índia e China, moeda de valor, em ETFs, investimentos de Bancos Centrais e pessoas físicas e tecnologia, o ouro é o melhor condutor de energia não oxidável. Fernando ainda complementa que parte do consumo de jóias também é uma busca de reserva de valor.

20:24 Seguindo para uma pergunta mais geral sobre stock picking, Mioto coloca que estamos em um momento de recuperação de ações que tinham ficado para trás e que a Bolsa brasileira é muito carregada em commodities e bancos. A questão é: o gestor médio vai apanhar do Ibovespa por conta desse movimento e o quanto isso é preocupante?

Fernando começa respondendo que o investidor já está apanhando e seguindo nessa mesma situação, a tendência é continuar. Em sua opinião, os gestores brasileiros ainda não se convenceram que esse “rotation trade” é uma nova realidade, ou estão tentando manter uma abordagem mais secular - agregar valor ao longo prazo. Além disso, Fontoura ainda fala sobre o posicionamento da Persevera nesse momento e que as commodities foram os grandes destaques do terceiro trimestre.

43:20 Recentemente fizemos uma mesa focada em ESG e existe uma visão de que é preciso evitar alguns setores. Ricardo pergunta à Rodrigo se esse é um setor realmente arriscado do ponto de vista ambiental.

Barbosa responde que é uma operação que de fato mexe com a natureza, portanto, é preciso um cuidado grande. Em sua opinião, a mineração é indispensável nos dias atuais, portanto a discussão deve ser como fazer e não se deve existir. É preciso fazer direito, traçar um plano e tomar decisões de acordo com os valores corretos e pesar os impactos que o projeto terá com relação à sociedade, ao meio ambiente e também aos funcionários.

47:27 Comparando com o Bitcoin, Ricardo questiona se essa é a nova reserva de valor e o quanto existe um “oba-oba” excessivo em cima disso.

Fernando coloca seu ponto dizendo que acha que existe sim um pouco de competição entre os dois ativos, mas que eles se complementam. São ordens de grandeza diferentes, possuem características diferenciadas e irão conviver. O time também fala, nesse momento, de ouro como head de proteção.

54:35 Para finalizar o bate-papo, a pergunta é para Rodrigo: depois de uma jornada profissional bastante variada, a conclusão que se tira é: empresa é empresa ou mineração é um ramo totalmente diferente?

Barbosa encerra dizendo que no fundo todo o processo é sobre as pessoas que estão ali dedicadas à algum produto ou cliente. É preciso trabalhar com valores sólidos, qualidade, meritocracia e valores sólidos. É preciso entender primeiramente QUEM está tocando a companhia. Além disso, fala também sobre o momento atual da Aura e os projetos de crescimento para os próximos anos.