LIG: Letra Imobiliária Garantida

Você sabe o que é LIG (Letra Imobiliária Garantida)? O mais novo investimento da Renda Fixa vem para tentar justificar um crescimento do setor imobiliário.

Daniel Malheiros: E o que é melhor: ter o FGC ou ter a carteira de imóveis?

Marília Fontes: É uma pergunta?

Malheiros: Eu prefiro estar no FGC.

Marília: Eu não gosto muito de depender do FGC. Acho que vocês já conhecem esse meu lado…

Olá! Estamos aqui hoje para falar sobre a LIG, a Letra Imobiliária Garantida, o mais novo investimento de Renda Fixa, regulamentada semana passada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).

Tudo bom, Daniel?

Malheiros: Tudo bem!

Ainda bem, né? Porque o setor imobiliário está precisando de novas fontes de funding, de captação para dar crédito, e vermos a retomada do setor. E a LIG vem aí, inclusive, para tentar justificar um crescimento do setor imobiliário.

Marília: A LIG é um título. É uma letra que é emitida por um banco. Ela é muito similar à LCI porque é lastreada em imóveis. Então, o banco, por exemplo, dá um empréstimo imobiliário e aquele imóvel que ele usou como lastro, ele pode emitir aquele valor em LIG. É muito parecida com a LCI, com uma grande diferença: tem alienação fiduciária. O que significa que, ao contrário da LCI, se der algum problema com o banco, você não pode ir diretamente no imóvel. Na LIG você pode ir diretamente no imóvel e ficar com ele como garantia.

Isso é bom, Daniel?

Malheiros: Estavámos até em um debate aqui, se isso é bom ou não. E lembrando que a LIG não tem a garantia do FGC. Apesar de você ter uma dupla garantia, tanto o emissor, que seria o banco, quanto o colateral, o ativo lastreado nessa letra, não tem FGC.

E o que é melhor, ter o FGC ou ter a carteira de imóveis?

Marília: É uma pergunta.

Malheiros: Eu prefiro estar no FGC.

Marília: É, eu não gosto muito de depender do FGC. Acho que vocês já conhecem esse meu lado de não gostar muito do FGC. E dependendo do imóvel, eu acho que a garantia pode ser mais real do que uma garantia fictícia do FGC.

Veja mais sobre FGC: Os Fundos de Investimento têm Fundo Garantidor de Crédito?

Mas é claro que você, investidor, tem que considerar isso. A depender do emissor, você vai estar não mais com a garantia do FGC, você vai passar a ter garantia do imóvel, além da garantia, claro, do banco.

Malheiros: É, pois é! Imagine aí, que a instituição financeira quebrou e você tem esse imóvel. E como é que você vai saber se esse imóvel é suficiente para te pagar?

Acho que aí é que há a dúvida: “Como eu vou conseguir avaliar?” Eu acho que vai ser muito difícil avaliar isso.

E aí, na minha cabeça, esse negócio tem que ser mais atrativo que a LCI para decolar. Até porque, parece que o prazo são dois anos, por aí, né?

Marília: É, o prazo é maior. A LCI, por exemplo, você acha em um prazo mínimo de três meses, regulamentado. Enquanto a LIG, vai ter um prazo mínimo de 24 meses (dois anos), sendo que o emissor pode resgatar no mínimo de 12 meses (um ano). Então, vai ser um investimento de mais longo prazo, mesmo. Diferente da LCI hoje em dia.

Malheiros: E assim, o que eu fico me perguntando: se tem LCI, se tem CRI… tudo bem, são títulos diferentes, não são tributados, também, lembrando disso… E aí você tem essa LIG, que tem um prazo maior e que não tem a garantia do FGC, então assim: do lado do investidor, por que eu compraria uma LIG e não compraria uma LCI, por exemplo?

Marília: É, essa é uma discussão muito importante.

Se é muito mais longa, se você vai ter que ficar com o dinheiro travado por muito mais tempo, o que vai fazer isso crescer aos olhos do investidor? E o Daniel tem uma teoria a respeito disso.

Malheiros: De fato, pode ser uma teoria, pode ser uma especulação, também. Mas, como a gente tem uma situação fiscal muito complicada no Brasil, e a gente sabe que o governo está aí tentando taxar os instrumentos, os títulos que são negociados, eu não ficaria muito surpreso se daqui há alguns meses o governo falasse “agora eu vou taxar LCI e CRI”. Vamos tentar estimular a LIG, que tem um prazo mais longo, que teoricamente faz mais sentido, porque o setor imobiliário tem um prazo longo, e aí a gente começa a tributar e ganhar mais atratividade na LIG. Então, isso me causa um certo mal-estar.

Será que a gente não está tendo que esperar o governo vir com uma nova medida?

Então a gente está em um compasso de espera, com o que pode acontecer com LCI e CRI. Na realidade, é essa a minha preocupação agora.

Marília: Lembrando que a LIG vai poder ter qualquer indexador, tanto IPCA, quanto Selic, quanto o câmbio, também. Você vai poder ter o indexador cambial aí e fazer sua LIG variar de acordo com a variação cambial – o que é interessante e atualmente a gente não vê em outros produtos de renda fixa.

Então, vai ser muito interessante ver como esse produto vai chegar na sua corretora, no seu banco, e se realmente vai ter atratividade e vai ter demanda né, Daniel?

Malheiros: Perfeito. E você falou de câmbio, estava até pensando aqui… Tem um risco: como é que o cara estrutura o hedge, a proteção desse negócio? E aí seria mais um risco que a gente teria que estar olhando. A gente sempre tenta olhar para risco e retorno aqui. Nesse momento, talvez estejamos mais preocupado com os riscos do que com o retorno.

Na minha cabeça, eu imagino que esse instrumento venha a competir com a LCI – seja bastante atrelado ao CDI para ganhar mais competitividade. Mas tem que ter algum benefício para ganhar um pouco de mercado da LCI.

Marília: Muito interessante, então para você que gosta de acompanhar investimentos e quer ver outros vídeos como este, se inscreva no nosso canal… Tá bom?

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