Papel e Celulose – gatilhos de consolidação avançam

Descubra na análise de Ariane Gil como a aquisição da Eldorado Brasil pela Paper Excellence impactou o setor de papel e celulose.

O evento que estávamos esperando no setor de papel e celulose, aconteceu.

A Eldorado Brasil (que é a fábrica de celulose da J&F) foi comprada pela Paper Excellence, que é da mesma família dona da asiática APP. O valor da aquisição foi R$ 15 bilhões incluindo dívida, que implica um múltiplo de 9,5 ou 10 vezes o EV/EBITDA.

Isso significa que foi pago um prêmio sobre o valuation da Fibria e da Suzano, que são as maiores produtoras de celulose do Brasil.

Você que veio acompanhando o desenrolar desse case pelo Day One, e eventualmente, pelo Empiricus Insider, não teve surpresas. Afinal, eu já vinha alertando que essa transação estava mais avançada do que o mercado pensava. E era factível que a família asiática aceitaria pagar um prêmio para entrar no Brasil.

Aqui, sem falar de todas as vantagens competitivas que o setor florestal oferece, a estrangeira fortalece sua exposição à fibra curta e se consolida próxima aos competidores premium.

Do ponto de vista setorial, a notícia é positiva porque dá força ao gatilho de consolidação, fazendo com que os papéis se aqueçam no curto prazo. Então, se você tem ações das empresas de Papel e Celulose, pode ficar tranquilo.

O ponto de atenção é que a entrada do grupo estrangeiro poderia desencadear na segunda fase de expansão da Eldorado, que adicionaria cerca de 1,7 milhão de toneladas de celulose no mercado. Pelo preço pago, a expansão parece estar nos planos. Vale o alerta para esse risco, que é mais de longo prazo… no que tange um eventual “desbalanço” entre oferta e demanda global de celulose.

De toda forma, isso não afeta a nossa expectativa sobre os preços de celulose no curto prazo. De um lado, a demanda continua saudável; de outro, as paradas para manutenção de diversas fábrica nesse terceiro trimestre sustentam a janela para a alta de preços da commodity nos principais mercados.

Olhando para as gigantes brasileiras, a Fibria era o player que apresentava o maior potencial de sinergias operacionais e logísticas com o ativo da Eldorado. Agora, com ela fora do jogo, na minha visão, é forte a possibilidade de aceleração de um M&A (fusão e aquisição, em português) com a Suzano.

O racional é mais simples do que possa parecer: a potencial expansão da Eldorado poderia firmar um gigante no mercado, deixando pouco espaço para crescimento e liderança de outros concorrentes locais. Com esse cenário, o M&A entre as maiores produtoras brasileiras (Fibria e Suzano) seria o caminho natural para o aproveitamento de sinergias e consolidação.

No final das contas, a compra da Eldorado pode ser o gatilho que o mercado esperava para o redesenho da indústria florestal.

A nossa tese de investimento sobre o setor não muda. Muito pelo contrário: pragmaticamente, uma onda de consolidação pode ser uma alavanca de criação de valor. E o reflexo disso é a apreciação das ações, e o dinheiro no bolso dos acionistas.

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