PGBL ou VGBL: como escolher o plano da Previdência Privada?

Luciana Seabra explica as diferenças entre PGBL e VGBL, tabelas de tributação do Imposto de Renda e tudo que você precisa saber antes de investir em um plano de previdência.

As letrinhas da previdência aberta são o terror de muitos investidores. Aposto que o gerente do banco já te ofereceu um PGBL ou um VGBL, certo? Esses são os apelidos dos planos de previdência.

Pense em um biscoito recheado. Ou bolacha, para os paulistas.

O biscoito é o plano de previdência – o PGBL ou o VGBL. O recheio é o fundo.

Vamos falar primeiro do plano.

PGBL é melhor para quem faz declaração de IR completa

Você faz a declaração completa de Imposto de Renda? Então, o PGBL deve ser o melhor para você. Coloque nele até 12% da sua renda bruta do ano. Sobre este dinheiro, você não vai pagar Imposto de Renda hoje. Quando, lá na frente, for resgatar a previdência, você vai pagar imposto sobre todo o patrimônio investido.

VGBL é melhor para quem faz declaração de IR simples

Você faz a declaração simples? Então, se quer um plano de previdência, o seu destino é o VGBL. Você não terá qualquer desconto no Imposto de Renda hoje. Mas, em compensação, no futuro, pagará imposto somente sobre o rendimento.

Tributação Progressiva ou Tributação Regressiva?

Depois de decidir entre “P” e “V”, você tem que escolher como o Leão vai morder seu biscoito. Uma forma é a tributação progressiva. Ela costuma fazer sentido para quem vai ter uma renda baixa na aposentadoria.

 

Se a sua renda na aposentadoria for de R$ 2 mil, por exemplo, ela será isenta da mordida do Leão.Se você acha que sua renda na aposentadoria vai ser de mais de R$ 2 mil por mês, então vamos à tabela regressiva. Como é a mordida do Leão regressiva?

Ela pune prazos muito curtos de investimentos e premia longos. Quem fica até dois anos, paga 35% de imposto. Quem passa de dez anos chega a uma das melhores tributações do mundo dos investimentos: 10%.

O biscoito pode ter um custo. É a taxa de carregamento. Esse é o grande vilão da previdência! Se o imposto é um leão, a taxa de carregamento é um tiranossauro. Já o recheio, que é o fundo, é a estratégia.

Você é conservador? Quer um recheio simples? Seu fundo pode ser composto somente de títulos públicos e privados. 97% do valor investido em previdência está em fundos de Renda Fixa.

Mas há biscoitos “turbinados”. São fundos que investem em vários tipos de ativos. Em títulos públicos e privados, mas também em ações, moedas, e têm uma estratégia mais ativa.

O fundo tem outra taxa: a taxa de administração.  Aqui também é preciso ficar atento para não pagar taxa alta demais! Se o fundo investe somente em Renda Fixa, não deve ter uma taxa maior do que 1% ao ano.

Se tem um recheio “turbinado”, aí os 2% ficam mais aceitáveis.

Mas essa é a minha previdência. E se o gestor quebrar?

Calma! O mercado de previdência tem três agentes principais.

DISTRIBUIDOR

Você conhece bem o distribuidor ou corretor, que é quem vai te vender o plano de previdência. Ele pode ser o gerente do banco, um corretor de seguros ou a plataforma on-line em que você está acostumado a investir.

Esteja atento aos conflitos deste profissional! Ele pode ter interesses em te oferecer os produtos que dão mais lucro para a instituição.

 

E o risco de o dinheiro da minha aposentadoria sumir?

Quem assume os riscos do contrato é outro agente: a seguradora.

SEGURADORA

Você deve se preocupar com a solidez financeira não do gestor, mas da seguradora, que pode ser, por exemplo, Brasilprev, Bradesco Seguros, Itaú Seguros, Icatu, SulAmérica, Porto Seguro, entre outras.

É a seguradora que deve remanejar as reservas a fim de que não haja qualquer furo nas contribuições e no pagamento de renda.

GESTOR

O gestor do fundo é quem escolhe os ingredientes do recheio.

Ele decide se é hora de comprar títulos privados, títulos públicos, moedas ou ações, por exemplo.

O gestor de previdência pode ser do banco, como Branco do Brasil, Bradesco, Itaú, Santander, ou um gestor independente, não ligado ao banco, como o Verde, o Vinci e o Ibiúna.

Quando você escolhe um gestor para sua previdência, precisa estar exclusivamente preocupado com a capacidade de ele gerar retorno no longo prazo.

 

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A armadilha dos bancos, parte 2: o mico da previdência privada

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