Richard Thaler: Prêmio Nobel de Economia 2017

Mais um prêmio Nobel de economia foi dado por contribuições no campo das finanças comportamentais. Entenda as contribuições de Richard Thaler.
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Mais um prêmio Nobel de economia foi dado hoje (09/10) por contribuições no campo das finanças comportamentais.

O premiado é o Richard Thaler. Ele recebeu o prêmio por suas contribuições no sentido de descobrir como nossa mente funciona quando o assunto é dinheiro.

E uma das teorias citadas, inclusive pela academia sueca, uma das grandes contribuições dele é a mental accounting.

Ele começa um artigo, que até está na internet e é pequenininho, tem 17 páginas, que trata de mental accounting com uma historinha que ajuda bastante a entender o conceito.

É a seguinte: de um casal que faz uma viagem de pescaria e pescam um salmão. Eles mandam esse salmão pela companhia aérea para chegar na casa deles. O que acontece?

Surpresa: a companhia aérea perde o bendito do salmão. O que eles fazem?

Pedem um reembolso e a companhia aérea dá 300 dólares para eles.

O que esse casal deveria fazer? Pela teoria tradicional, deveria incorporar esses 300 dólares no orçamento deles, e se organizar como se organizaria em qualquer momento.

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Só que esse casal faz uma coisa diferente: pega a maior parte desse dinheiro e vai jantar em um lugar maravilhoso. Aquele jantar a luz de velas, romântico. Gasta quase o dinheiro inteiro.

Fica a pergunta: na teoria tradicional, esse dinheiro seria incorporado ao orçamento? Como o Richard Thaler explica isso?

Ele explica dizendo que na verdade, a gente tem uma contabilidade separada na cabeça. Aquele dinheiro do salmão foi colocado em uma conta separada, uma conta da alimentação e também uma conta do dinheiro ligado à sorte, é o que ele sugere nesse artigo.

Mas, isso fere muito a teoria tradicional, ela deveria dizer que dinheiro não tem etiqueta. Dinheiro, na verdade, está tudo em um bolso só. Essa é uma das grandes contribuições do Richard Thaler.

Uma outra, também citada pela academia sueca, é em relação ao nudge. O nudge tem até um livrinho. Livrinho, não, porque é bem grande. O Richard Thaler contribuiu, participou na produção desse livro, que explica: o nudge é como um cutucão.

E ele já é usado em alguns fundos de pensão no Brasil. Como é que funciona?

Ao invés de você perguntar para a pessoa, quando ela entra em uma empresa, se ela quer escolher aderir ou não ao fundo de pensão, você já faz a adesão automática dela. E ela tem que escolher se fica ou se sai. Ela pode sair se quiser. Tem liberdade para sair, mas automaticamente, já é inscrita nesse fundo de pensão.

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Essa é uma aplicação prática no mundo inteiro, inclusive no Brasil, de uma teoria da qual o nudge participa em grande parte dos estudos. É um pouco polêmica, se ela interfere ou não na liberdade das pessoas, ou se é só um cutucão para elas tomarem uma decisão, que teoricamente, é boa para elas.

Lembrando que nos fundos de pensão, em geral, a própria entidade já paga uma parte. O investidor coloca dinheiro e a entidade coloca um dinheiro adicional.

Bom, essas são algumas contribuições aí do Richard Thaler.

Realmente, vale dar uma procurada nele no Google, e também esse é um sinal de que as finanças comportamentais têm ganhado espaço. Mencionando que o Daniel Kahneman, que é psicólogo, já tinha ganhado um prêmio lá em 2002.

É um convite a nós investidores para prestar mais atenção nessa grande área das finanças, que é a das finanças comportamentais.

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