Selic em queda – onde investir?

Nossa equipe te ajuda a entender o que está acontecendo no mercado para que você saiba onde investir o seu dinheiro.

. O que você vai ver neste vídeo:

. Como a queda da Selic vai afetar seu investimento em Renda Fixa?

. Qual o melhor título para investir em um cenário de queda da taxa Selic?

. Colchão de liquidez: o que é?

. Financiamento imobiliário: dá para renegociar os juros?

. Como funciona a portabilidade de dívida?

. Tesouro no longo e no médio prazo.

. Tesouro Direto x plano de previdência

. Qual a diferença entre NTN-B Principal e NTN-B?

. Previdência ou Tesouro Direto?

A gente está no meio de um processo de corte da taxa básica de juros, a chamada Selic, o que já está claramente afetando o retorno dos seus investimentos – pensando em Renda Fixa.

Muita gente tem tido a dúvida de como isso vai afetar a decisão de investir, principalmente nos títulos públicos vendidos no Tesouro Direto.

Desde o início do ano, a gente tem reforçado algumas recomendações. Mas, o cenário já está mudando. Algumas perspectivas começam a fechar para quem está chegando agora nesse mercado.

Agora há um cenário concreto, passou a fase de expectativas. A gente vem falando nisso há mais de um ano… um ou dois anos que este cenário de corte de juros ia chegar. Este ano, a gente tem um cenário concreto.

Na última reunião do Copom (22/02/2017), houve um corte de 0,75%, um corte muito acentuado do Banco Central. Alguns títulos já tiveram um ajuste muito grande na sua taxa.

Títulos do Tesouro ainda são bons investimentos?

A principal pergunta que a gente recebe no dia a dia é se ainda vale a pena ou não comprar esses títulos.

Sim, ainda vale a pena. A gente recomenda os prefixados e indexados à inflação, porém, a atratividade se tornou menor. A gente ainda recomenda, e quem estiver acompanhando nossos relatórios vai saber exatamente quais são os principais títulos recomendamos.

O fato da taxa de juros estar menor não significa que o seu retorno estará negativo. Significa que você vai ganhar menos. Cada vez menos.

A taxa de juros anda lado a lado com o CDI, que é o referencial das aplicações de Renda Fixa. Tem um Fundo DI, que entrega pertinho do CDI… o Tesouro Selic, que acompanha o CDI também.

A tendência é que, com a queda da taxa Selic, o seu retorno fique menor a partir dos próximos meses. Enfim, você já tem sentido isso desde que o processo do corte de juros começou.

Taxas menores, financiamento imobiliário mais barato?

A gente recebeu aqui uma dúvida pelo Facebook, do João, perguntando se, com a queda da taxa de juros, ele poderia renegociar as dívidas com o banco.

Realmente, João, o corte de juros também vai afetar a sua possibilidade de renegociar dívida, para o bom sentido.

Ao mesmo tempo que você perde em retorno – com juros menores, você ganha menos –, você também pode pagar menos na sua dívida.

Inclusive, os presidentes dos grandes bancos Bradesco e Itaú já soltaram a notícia de que vão reduzir bastante os spreads bancários, ou seja, isso vai ser refletido no crédito. Então, quem puder negociar com o banco, renegociar sua dívida – inclusive “tomar” uma dívida mais barata e quitar a dívida mais cara –, converse com o gerente, converse com o banco para chegar em algum consenso e aproveitar este momento para organizar a vida financeira.

Portabilidade de dívida

A portabilidade de dívida é uma coisa importante. Você pode levar a dívida de um banco para o outro e, com certeza, as condições vão estar mais atraentes hoje do que se você negociou ou financiou algum bem há um ano.

Longo prazo no Tesouro Direto

Pensando em quem está começando a investir no Tesouro Direto, nosso relatório deste mês, o “Você Investidor”, está bem direto sobre as principais sugestões da Empiricus para quem quer investir.

Pensando a longo prazo, porque tem uma diferença entre você pensar a curto prazo e a longo prazo. Para quem tem um viés mais especulativo, talvez o espaço para você ganhar seja menor. Porque quem entrou há um ano pegou taxas prefixadas de quase 17%. A gente está falando hoje de taxas por volta de 12%. Já teve um espaço de valorização muito alto. Se você resolver vender o seu papel antes do vencimento, vai sair bem feliz, bem satisfeito com o seu retorno.

Agora, para quem quer “carregar”, ou seja, ficar até o vencimento, muda alguma coisa?  Quer dizer, para o cara que quer levar o título pensando numa aposentadoria, deixou de ser atrativo? O que pode ser interessante para ele olhar hoje?

Ainda se torna bastante atrativo com a taxa real em torno de 5%. Se você for olhar as taxas de juros no mundo, a gente ainda possui uma das maiores taxas reais. Num cenário de juros em queda, o mais indicado é comprar título prefixado indexado à inflação. Dessa forma, é possível “travar” a taxa no longo prazo. Tem tudo a ver com planejamento financeiro para aposentadoria ou para algum outro planejamento de longo prazo.

Portanto, em cenário de juros em queda, o ideal é comprar taxas prefixadas e títulos indexados à inflação, que também possuem prefixados na rentabilidade, e você trava a taxa no longo prazo. Então, independente de para onde os juros forem – eles podem chegar a 10%, 9% ou 8% –, você terá uma taxa travada para o vencimento do título: 2023, 2024, 2035 e até 2050. Isso vai depender do planejamento financeiro de cada um.

Trocar Tesouro Selic por prefixado? O que é colchão de liquidez?

Como avalio se vale trocar o Tesouro Selic comprado há menos de um ano por um papel prefixado?

Estamos falando de dois papéis com características bem diferentes.

O Tesouro Selic é recomendado para você que precisa formar o colchão de liquidez. Ou seja, aquela reserva de emergência. Se você precisar do dinheiro de uma hora para outra, é no Tesouro Selic que você vai buscar esse resgate. O Tesouro Selic, assim como todos os títulos públicos, permite o resgate diário, com a diferença de ser um título menos volátil. O preço dele varia menos. Então, ele é mais indicado para a parcela do dinheiro voltada para emergência. A gente sempre fala para você ter uma reserva com base em seis meses dos seus gastos mensais. Você pega esse dinheiro e coloca ou no Tesouro Selic ou num fundo DI com uma taxa de administração superbaixa – a gente está falando de 0,3% ao ano para valer a pena, para ser concorrente do Tesouro Selic.

Mesmo tendo uma rentabilidade menor, é no Tesouro Selic que a pessoa vai buscar formar o colchão de liquidez.

Sempre que se fala em reserva de caixa, em dinheiro para curto prazo, em conceito do colchão de liquidez, o ideal é você aplicar em títulos pós-fixados que você não tem o risco de marcação a mercado, o risco de oscilação no preço do título, caso você precise resgatar de forma antecipada. Então, é por isso que a gente indica tanto o Tesouro Selic e Fundos DI, que são indexados ao CDI. Para onde o juro for, você vai receber aquela rentabilidade.

Lógico que, se a tendência é que os juros caiam, a sua rentabilidade vai cair em relação à  aplicação. Mas é um recurso que, ao mesmo tempo, você não pode arriscar em título pré-fixado ou num mercado de renda variável. Infelizmente, o juro vai cair, mas é uma parte só do seu recurso que vai estar nessa aplicação. O resto dos seus investimentos, do seu portfólio, você deve diversificar em outros produtos que peguem uma sinergia maior de oportunidades do mercado em termos de valorização.

Se você tem um Tesouro Selic com esse objetivo, para formar um colchão de liquidez, não troque pelo papel prefixado! A gente está falando de títulos com características diferentes. Forme primeiro o seu colhão de liquidez, destine mais ou menos seis meses dos seus gastos mensais médios para o Tesouro Selic, ou para outro investimento que tenha viés bem conservador, com liquidez, com garantia de retorno, e depois você começa a diversificar!

Se você gosta de Renda Fixa, você pode ir para outros papéis indexados à inflação ou mesmo prefixados. Lembrando que, se você for carregar para o longo prazo, as taxas continuam sendo interessantes. Se você pensar daqui a 20 anos… a gente sabe o que vai acontecer daqui a 20 anos? Não sabe. Então, continua interessante. Mas se o seu objetivo for o de especular, o espaço para ganhar já está muito menor.

Lembrando que a gente tem uma taxa ainda, uma Selic de 13% ao ano. Uma taxa superalta. Quem tiver aplicações indexadas à Selic e ao CDI ainda está recebendo uma taxa atrativa. O corte vai ser feito de forma gradual, no decorrer do ano. É claro que, durante esse período, quanto mais rápido puder fazer a realocação da sua carteira, você aproveita melhor os momentos em outros títulos. Poderá comprar ações baratas ou comprar títulos prefixados com uma taxa melhor.

Financiamento imobiliário: dá para melhorar os juros?

O Jucimar pergunta quanto a financiamento imobiliário, se ele também pode renegociar as taxas, se pode migrar o financiamento para outro banco.

Sem dúvida! Como qualquer tipo de dívida, você pode portar para outro banco. Se o outro banco ofereceu um custo efetivo total menor, vale a pena sim você estudar a migração. E a tendência é que, com os juros menores, as taxas fiquem cada vez mais atrativas para você renegociar a dívida.

Tesouro e longo prazo

O Rafael já mandou uma dúvida muito específica. Ele disse que tem 27 anos e quer saber qual o melhor investimento no Tesouro no longo prazo, tipo uns 15 anos, pensando num aporte mensal.

Tudo depende, Rafael, dos seus objetivos, da sua disposição para riscos e mesmo se você já tem constituído um colchão de liquidez. O nosso primeiro passo, a nossa primeira recomendação não mudou! Sempre vai ser a formação da sua reserva. Depois é que você parte para outros papéis. E a nossa preferência, aqui na casa, acaba sendo, na maior parte, pelos papéis indexados à inflação. Porque, assim, você mantém o seu poder de compra ao longo dos anos.

A NTN-B é um título que tem uma taxa prefixada, você já sabe, no momento da compra, quanto vai ganhar ao ano com o papel. Você tem o lucro com o papel e ainda recebe um adicional, que é a inflação do período. Ou seja, você vai repor o seu poder de compra ano a ano.

Pensou em longo prazo, tem que ter título indexado à inflação na carteira! O que vai mudar de investidor para investidor é o seu objetivo e aonde você quer chegar, em que prazos etc.

Tesouro IPCA e médio prazo

Acho que eu já respondi à pergunta do Rodolfo, que está pensando em investir no tesouro IPCA a médio prazo, e quer saber se ainda vale a pena.

Sim, vale a pena. Lembrando que as taxas já foram maiores, mas, ainda assim, são taxas atrativas, pensando que você vai carregar por muitos anos.

Ele pergunta também qual é a relação entre a Selic e o IPCA.

Não sei se ficou claro, mas o IPCA é a inflação. A Selic é a taxa de juros. Uma taxa que é referência para o mercado de juros, para o mercado bancário, e que também é uma referência para o retorno das nossas aplicações, porque a Selic anda lado a lado com o CDI, que é o principal referencial quando a gente pensa na Renda Fixa.

Tesouro ou previdência privada?

O Valter faz uma pergunta que a gente recebe muito aqui na Empiricus, especialmente no Você Investidor. Em comparação com a previdência, o que seria melhor: o Tesouro Direto ou um plano de previdência?

Não existe uma resposta muito simples para isso.

Fundos de previdência, existem vários, milhares de fundos de previdência na indústria. Então, inicialmente, tem que saber qual é a característica, qual a rentabilidade histórica do fundo e qual risco está envolvido nele. Inicialmente, tem que analisar o fundo ao qual você vai vincular o seu plano de previdência.

Todo plano de previdência tem um fundo de investimentos que gerencia o dinheiro que está dentro do plano. Se for um fundo de previdência de Renda Fixa comum, geralmente nos grandes bancos, a maioria é de fundos ruins que, se dão muito, dão 90% do CDI, com altas taxas de administração, taxa de carregamento, taxa de saída. A alíquota de Imposto de Renda é uma alíquota maior no curto prazo. Todos esses custos envolvidos te prendem muito ao produto de previdência.

A gente gosta muito de fazer previdência por meio do Tesouro Direto. Na maioria das vezes, é mais rentável, mais barato, prático e com muito mais liquidez. Você vende hoje e, amanhã, o dinheiro está na sua conta.

Para quem não tem plano de previdência, vale muito a pena se informar sobre esse plano para você mesmo fazer por meio do Tesouro Direto.

Quem já tem um plano de previdência é um caso mais particular. Você tem que estudar cada plano individualmente para saber se vale a pena resgatar ou não, ou até fazer portabilidade para um plano melhor.

NTN-B com rendimento de 50%?

Chegou uma pergunta também sobre a NTN-B 35, que rendeu 50% nos últimos 12 meses. A pessoa pergunta qual é a expectativa para os próximos 12 ou 24 meses.

Eu adoraria ter uma bola de cristal para poder responder. Eu entraria agora nesse mercado se soubesse. A verdade é que a gente não tem como prever para onde vai esse papel. A tendência é que, com o processo de corte de juros continuando, ainda que haja um pouco de espaço para as taxas caírem (lembrando: quando as taxas caem, os preços sobem), a julgar pelo que a gente já viu ao longo do último ano, vai ser difícil ter uma repetição desses 50%. Lembrando que o mercado se adianta ao movimento do Banco Central. Isso já é reflexo da expectativa futura da taxa de juros.

Apesar de este ano ser realmente um ano com cortes maiores, tem economista falando em Selic a um dígito no final do ano. A 9% e até a 8,5%. Acho um pouco radical, mas são grandes economistas que já estão falando nesses números. O mercado precifica isso de forma antecipada, através da curva de juros, e boa parte dessa valorização já aconteceu. Ainda existe muito espaço e a gente continua recomendando a maioria dos títulos que vinha recomendando há um ano atrás. A nossa estratégia e o nosso pensamento com relação a isso continuam os mesmos.

Lembrando que a gente pensa em investimentos estruturais. Para você formar um patrimônio, e não para ficar a toda hora tradando (operando), negociando. Esse não é o perfil do investidor padrão do mercado.

NTN-B Principal ou com juros semestrais?

A Empiricus dá preferência sobre o IPCA. Qual a diferença entre o IPCA comum (NTN-B Principal) e o de juros semestrais?

O próprio nome já diz. Um dos papéis entrega o pagamento de juros a cada semestre, enquanto o outro entrega o retorno lá na frente, só no vencimento do papel. No caso, se você pegar uma NTN-B 35, você só vai receber o dinheiro que aplicou corrigido em 2035. Quando você tem um papel com cupom semestral, ele vai entregando o retorno semestre a semestre.

O que é melhor?

Se você não precisa do dinheiro a cada seis meses, o ideal é carregar um papel que só dá o retorno lá na frente, porque tem o efeito dos juros sobre juros. Vai render mais ao longo do tempo. Se você já pega e adianta uma parte desse rendimento, está diminuindo o poder de multiplicação do retorno.

Ou seja, se não é o seu objetivo receber o rendimento e fazer a utilização dos juros, você vai pagar Imposto de Renda adiantado. Você vai ter um custo de reaplicação, vai ter que aplicar em outro produto e pagar uma taxa de administração, uma taxa de corretagem cobrada a mais. Então, tem que prestar muita atenção. Muita gente não toma cuidado e acaba comprando título com juro semestral sem necessidade.

Para quem quer investir R$ 1 milhão e precisa resgatar todo mês, qual é o papel mais indicado?

Primeiro que R$ 1 milhão é bastante coisa. Se você precisa resgatar todo mês, no Tesouro Direto você teria que combinar alguns investimentos. A gente falou do Tesouro Direto com a possibilidade de pagamento de juros semestrais, mas você pode investir em Fundos Imobiliários, que geram uma renda ou em ações que paguem dividendos. O ideal seria você formar uma carteira que traga uma renda vinda de diversos produtos. Até para você poder balancear o risco do seu investimento, porque seria um valor bem alto.

A gente recebe muito cliente na consultoria que já tem um patrimônio formado e compram muitos títulos do Tesouro com pagamento de juro semestral, porque utilizam pagamento de juros para complementar a renda. Eles se programam para receber a cada seis meses. É necessário planejamento se você vai receber os juros a cada seis meses.

Existe também a opção do fundo imobiliário, em que você recebe de forma mensal. Lembrando que fundos imobiliários são ativos negociados no mercado, na Bolsa, e, por conta disso, são uma renda variável. Ou seja, o preço dos títulos varia no mercado e isso envolve um pouco mais de risco também. Mas é uma opção. Muitos investidores optam por esse tipo de investimento.

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