Richard Thaler: Economia comportamental leva Nobel de 2017

Richard Thaler ganhou o Prêmio Nobel de Economia de 2017. Conheça aqui seus dois livros e suas ideias originais sobre economia comportamental.
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Bom, talvez você não acredite, mas no começo dessa semana eu apostei com meu pai quem ganharia o Nobel. E eu acabei ganhando.

Desculpa aí meu velho! Mas, ele tinha votado no Mansueto Almeida, que inclusive eu acho que mereceria o Nobel mais do que o Richard Thaler, porque está salvando a política fiscal brasileira, mas foi o Thaler que ganhou, e essa era a minha aposta.

Então, eu vim aqui hoje falar um pouquinho porquê eu gosto tanto do Richard Thaler. Um cara que eu e o Felipe, aqui na Empiricus, admiramos.

Tem dois livros do Thaler bem famosos. Se você quiser conhecer um pouco mais…

O primeiro é o Nudge, a Luciana Seabra já falou um pouco disso também, no último vídeo dela. É o livro mais óbvio, é um livro canônico de economia comportamental.

O Nudge tem uma parte, que eu particularmente acho bem legal, sobre ancoragem. E observamos muito no comportamento de um investidor como ocorre uma ancoragem em cima do peso de compra.

O peso de compra é importante, até mesmo, por uma questão de monitoramento. Mas, ele é menos importante, talvez, do que você possa imaginar.

No dia-a-dia você decide se deve carregar ou não um ativo. Olhando para o ativo a preço de mercado e se questionando: “Puts, isso aqui ainda vale a pena?”; “Eu compraria esse ativo ainda a esse preço?”; e não tanto se baseado na ancoragem do preço de compra da primeira vez que você investiu.

Isso é um negócio bem legal que o Richard Thaler estudou e apresentou de maneira original.

Assista mais: Richard Thaler: Prêmio Nobel de Economia 2017

E o segundo livro dele, que é o meu preferido, é o Misbehaving, logo chega ao Brasil em versão traduzida. É a história do Richard Thaler, mas como ele concebeu a economia comportamental, é uma história da própria economia comportamental.

Ao contrário do que muita gente diz por aí, já é uma teoria madura, já tem alguns anos, passou por vários testes e está hoje integrada no mainstream da teoria econômica.

Tem uma historinha que o Thaler contou uma vez que ele conversou, debateu com o Eugene Fama, que é o cara dos Mercados Eficientes, e eu quero contar aqui para vocês.

Se vocês estão olhando para este gráfico, ele é de um fundo fechado negociado nos Estados Unidos. E o ticker – o código do fundo – é CUBA.

Por que é CUBA? Eu não sei.

Na verdade, esse fundo não investe em nenhum ativo cubano, até porque ele nem poderia. Esse fundo investe em cruzeiros marítimos, em alguns ativos mexicanos, não tem nada a ver com Cuba. Mas, o ticker do fundo fechado, é CUBA. Isso é um fato.

Se você olhar ali no gráfico (abaixo), em dezembro, mais especificamente 18 de dezembro de 2014, o Obama anunciou que iria relaxar uma série de restrições contra o país Cuba.

E olha o que aconteceu com o preço desse fundo: foi lá nas alturas. Simplesmente porque ele chama CUBA. Ele não investe em Cuba.

Ou seja, ele não seria materialmente beneficiado pelo anúncio do Obama, de forma alguma. E ele atingiu um pico absurdo, mais que dobrou de preço.

Depois, ele até deu uma voltada, mas isso mudou a história do fundo. Mesmo voltando, ele passou a negociar sistematicamente acima do valor dos seus ativos líquidos.

Isso é economia comportamental. Isso é finanças comportamentais. As pessoas tomam decisões em cima de parâmetros não necessariamente racionais.

Pouca gente se deu ao trabalho de analisar o que estava por dentro do fundo CUBA. Isso mexeu com o preço desse ativo para sempre.

Leia mais: Por onde começar?

Então, se queremos saber investir, saber analisar bem o mercado, precisamos incorporar esses componentes comportamentais.

São pessoas que investem. Mesmo os robôs que investem são programados por pessoas. Legal?

Valeu e até a semana que vem!

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