Títulos indexados à inflação

Confira o vídeo com a Analista Marília Fontes, que explica como funciona a rentabilidade dos títulos indexados à inflação.

Neste vídeo, você vai aprender sobre:

Títulos indexados à inflação

– Título pós-fixado

– Título prefixado

– Título híbrido

– Taxa real justa

A Renda Fixa é uma forma de dar rentabilidade ao seu dinheiro fazendo um empréstimo para alguém.

Você empresta o seu dinheiro e recebe um juro que será pago no final do período concordado.

Você pode receber este juro de forma prefixada, pós-fixada e indexada à inflação. Isto muda completamente como será o retorno do seu dinheiro.

Hoje, vamos falar sobre os indexados à inflação. Esses títulos são híbridos, contendo um componente pós-fixado, que é o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), e um componente prefixado, que é o juro real.

Pós-fixado

O componente pós-fixado atua de forma similar à LFT, o título pós-fixado que estudamos no vídeo anterior, e ele atualiza o valor conforme a inflação do período. Sempre de forma positiva, a não ser, claro, que haja deflação.

Assim, o valor nominal de hoje vai ser igual ao valor nominal de ontem acrescido de inflação. Se a inflação mensal subir, o valor nominal do seu título também vai subir, fazendo com que ele renda mais.

Agora, se a inflação mensal cair, mas ainda se mantiver positiva, o seu valor nominal também vai subir. Vai subir menos, mas ainda será maior do que o valor nominal do dia anterior. Ou seja, a rentabilidade ainda é positiva.

Prefixado

O outro componente, o componente prefixado, atua de forma similar à LTN, o título prefixado do governo que estudamos no primeiro vídeo.

Assim, definimos hoje o seu valor o no futuro. Depois, trazemos esse valor futuro para o valor presente a uma taxa de juro de mercado. No caso do indexado, essa taxa de juro vai ser o juro real.

Assim, quando esse juro real do mercado subir, o valor presente do meu título vai cair e, quando a taxa de mercado cair, o valor presente vai subir.

Híbrido

Assim, juntando os dois componentes, temos um título híbrido, que sempre se valoriza pela correção da inflação, de uma forma sempre positiva. E se valoriza quando a taxa de juro real do mercado cai e se desvaloriza quando a taxa de juro real do mercado sobe.

Mas como o mercado chega à taxa real justa?

Taxa real justa

O mercado faz suas estimativas a respeito da trajetória da Selic. Ele tira uma média para um determinado período. E essa média é negociada no mercado. Mas, além disso, o mercado também faz uma estimativa do comportamento do índice da inflação. Para esse mesmo período, ele tira uma média.

Assim, os juros reais serão a expectativa dos juros nominais menos a expectativa de inflação do período.

Juro Real

Agora, vamos entrar num ponto muito importante dos indexados. Se voltarmos à fórmula de juros reais, temos que os juros nominais sobre a inflação são iguais aos juros reais.

Mas, se eu entro na minha corretora ou no site do Tesouro Direto, vou perceber que só tenho a taxa de juro nominal, que é a taxa dos prefixados, da LTN, da NTN-F e a taxa de juro real, que é a taxa das NTN-Bs. Então, eu consigo tirar dessas duas taxas, rearranjando a equação ao contrário, a inflação esperada pelo mercado, que é a chamada inflação implícita. Porque ela está implícita nos preços de mercado.

Por exemplo: digamos que a taxa da LTN para um certo período de tempo é 12% e a taxa da NTN-B para o mesmo período é 6%. Por aqui, eu tenho que a inflação implícita do mercado é 5,66%. Ou seja, o mercado está esperando para esse período de tempo uma inflação média de 5,66% ao ano.

Juro nominal

 

Aí vem o “pulo do gato”! Se a taxa implícita do mercado estiver em torno de 5,66%, mas eu achar que a taxa de inflação vai ser de 4%, como o meu título indexado me paga o juro real contratado e prefixado mais a inflação de fato do período, e não uma forma prefixada, eu receberia simplesmente o meu juro de 6%  mais uma inflação de fato de 4%, o que daria ao redor de 10,5%. Enquanto os juros nominais prefixados do mercado estavam negociando numa mesma época a 12%. Ou seja, se eu achar que a inflação de fato vai ser menor do que a inflação implícita do mercado, devo me posicionar em prefixados e não em indexados.

Uma outra forma de pensar é: se o mercado vai convergir para uma inflação implícita de 4%, que é o que eu acho que vai acontecer, dado um mesmo juro real, o juro nominal tem que cair. Se estou em prefixados e os juros caem, eu ganho mais dinheiro.

Ou, para um mesmo juro nominal, os juros reais têm que subir. Como os juros reais são a parte prefixada do meu título híbrido, se os juros subirem, o meu título perde valor. Ou seja, quando a inflação implícita está acima ou abaixo do esperado, eu consigo atuar colocando em prefixados ou em indexados e, assim, vou ter a melhor rentabilidade possível.

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