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“O varejo brasileiro está barato, mas isso não significa necessariamente que seja uma oportunidade para o investidor” disse Bruno Henriques, diretor-executivo do Research do BTG Pactual, no último episódio da série ‘Análises do Research’.
2025 foi um ano complicado para o setor, especialmente considerando o dezembro fraco, mês tradicionalmente positivo para o varejo. O resultado foi um início de ano mais pressionado, com menor visibilidade e revisões negativas de lucro para as companhias, destaca o analista.
Apesar disso, Henriques não descarta as ações varejistas do portfólio, mas enfatiza que a escolha deve ser criteriosa e levar em conta o segmento de atuação e o operacional da companhia.
“Seguimos muito seletivos, com foco em empresas que combinam modelos de negócios resilientes ou diferenciais claros de execução”, disse.
Henriques aponta que há dois fatores que podem ocasionar a alta adicional nos ativos de varejo:
- Uma queda sustentada das taxas reais de longo prazo; e
- Revisões positivas dos lucros, o que ele acredita ser menos provável no curto prazo
Com isso em mente, a pergunta que assombra o mercado é: onde faz sentido investir dentro do setor e onde o risco continua elevado?
Onde investir no setor de varejos em 2026?
Para quem busca uma maior segurança, o segmento mais defensivo segue sendo o farmacêutico, segundo o analista.
O motivo é a sua maior previsibilidade em um ambiente desafiador – resultado dos pilares em demanda resiliente, benefícios estruturais dos genéricos e a opcionalidade das terapias GLP1 (hormônio utilizado nas canetas de emagrecimento).
Já o cenário para as “passarelas” é menos positivo. O consenso atual é que os múltiplos do varejo de moda parecem atrativos, mas não o suficiente para uma alocação relevante.
“O principal desafio aqui segue sendo a falta de momento operacional e a incerteza sobre uma eventual desaceleração do consumo no início de 2026”, explicou.
Outra categoria comentada é a alimentação, que está sendo vista de modo mais negativo, pela ideia de que o potencial de alta está limitado nos curto e médio prazos.
Por último, Henrique cita o e-commerce, destacando Mercado Livre (MELI34). A expectativa é que o site de vendas apresente um crescimento acima do mercado, apesar das preocupações que ainda pairam sobre as margens da companhia.
De modo geral, para o analista, o setor segue pressionado com um ambiente macroeconômico desafiador:
“Nesse contexto, a gente reforça a visão de uma abordagem seletiva, priorizando segmentos de caráter mais defensivos e empresas que tenham sua execução comprovada. Aqui, mais importante do que o fato do setor ser barato é ter uma visibilidade e uma qualidade operacional bem relevante”, conclui.
No episódio, você pode conferir no detalhe as ações recomendadas por Henriques em cada um dos segmentos comentados. Confira o vídeo clicando no bloco abaixo: