
Desde a última semana, empresas como Localiza (RENT3), Direcional (DIRR3), Vamos (VAMO3), Oncoclínicas (ONCO3) e, mais recentemente, CVC (CVCB3) anunciaram follow-ons. As ofertas mostram um reaquecimento do mercado e abrem espaço para debate: novos IPOs podem estar a caminho?
O follow-on é uma oferta subsequente de ações, isto é, quando uma empresa já listada em Bolsa coloca mais papéis no mercado.
O processo pode se dar por meio de oferta primária, quando novas ações são emitidas e o recurso captado vai para o caixa da empresa, ou secundária, quando um ou vários acionistas (controladores ou não) colocam seus papéis à venda. Neste caso, os recursos captados são canalizados para os vendedores.
Por que estamos vendo tantas ofertas secundárias de ações?
Na visão do analista-chefe da Empiricus Research, João Piccioni, a quantidade de follow-ons se deve ao maior volume de recursos disponíveis por parte dos investidores institucionais – que têm sido alvo da maior parte das ofertas.
“É um movimento que precisa ser feito nas ações brasileiras para desalavancagem e reestruturação das dívidas das empresas”, avalia.
Ele explica que, normalmente, o processo começa com os players mais “bem quistos” do mercado, como é o caso da Localiza. “Quando o apetite a risco cresce, as primeiras empresas que todo mundo olha são as de qualidade”.
Agora, outras empresas que estão indo bem no ano começam a perceber o movimento e tentam captar os investidores que estão montando ou compondo as posições de risco nas últimas semanas – caso de Direcional, Vamos e Oncoclínicas.
“As empresas estão tentando melhorar a estrutura de capital e se preparar para o segundo semestre e para o ano que vem em um mercado que tem expectativa de melhora”, afirma Piccioni, que completa: “os primeiros follow-ons são sempre das empresas vitoriosas no ano”.
De fato, com exceção da CVC, cujas ações acumulam prejuízo no ano mas subiram bem recentemente, as companhias que anunciaram o processo têm desempenhos muito positivos no em 2023. “É um processo que deve continuar e outras empresas vão se aproveitar dessa janela”, acredita o analista.
IPOs podem estar a caminho?
A frequência de follow-ons nos últimos dias pode ser interpretada como um indício de que as companhias e acionistas vêem reaquecimento no mercado. Mas isso é suficiente para abrir uma janela para ofertas públicas iniciais (IPO, na sigla em inglês) no segundo semestre?
Para João Piccioni, a possibilidade de novas empresas entrarem na Bolsa de Valores é real. “Normalmente, as janelas de IPO se abrem desta forma, depois que as empresas que estão na Bolsa captam recursos”, avalia.
No entanto, ele acredita que o movimento não deve ser tão intenso quanto o que ocorreu em 2021, quando 46 empresas fizeram suas ofertas iniciais de ações. “Tínhamos uma política monetária que estimulava demais a economia. Mas vamos sim ter uma nova janela de IPO e podemos ter coisas novas”, acredita.
“A tendência para o segundo semestre, dada a dinâmica de afrouxamento monetário e que os bancos de investimento estão há praticamente dois anos sobrevivendo sem ofertas públicas, existe uma certa vontade de novos negócios. Tem tudo para acontecer”
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Para ele, nem mesmo o cenário de deterioração dos mercados globais pode “atrapalhar” o momento da B3, exceto “uma ruptura mais brusca na economia americana, o que traria um enxugamento da liquidez global”.
“Se isso não acontecer e as coisas continuarem estáveis, acho que a janela de IPOs se abre no Brasil até com alguma forma e vamos ter um bom desempenho, dado que o ciclo de corte de juros no Brasil parece uma carta dada”, finaliza.
Confira abaixo a entrevista completa de João Piccioni no Giro do Mercado: