Imagem: iStock/ Dilok Klaisataporn
2025 foi um ano de bastante volatilidade nos mercados globais. Diversos fatores contribuíram para o cenário: dentre eles, Donald Trump e sua guerra comercial, a escalada dos conflitos no Oriente Médio, além dacontinuidade da guerra Rússia x Ucrânia.
A intensidade geopolítica fez com que carteiras ao redor do mundo se movimentassem em busca de segurança e oportunidades: Investidores passaram a retirar capital dos Estados Unidos rumo a mercados emergentes, como o Brasil, que viu seu índice Ibovespa atingir máximas históricas mesmo em um cenário doméstico desfavorável.
Ativos como o ouro também voltaram a ganhar relevância nas carteiras dos investidores, em busca de proteção em meio aos conflitos geopolíticos.
Ainda assim, a bolsa dos EUA mostrou-se resiliente e o índice S&P 500 também renovou máximas históricas por lá – graças, principalmente, a teses ligadas à Inteligência Artificial (IA) e o início de um ciclo de cortes de juros no país.
Foi em meio a esse panorama relativamente ambíguo que o ano de 2026 se iniciou. Dito isso, o que é possível esperar do mercado internacional neste novo ano, e onde investir a partir de agora?
Enzo Pacheco, analista de ações internacionais da Empiricus Research, foi convidado a responder a estas perguntas no programa Onde Investir em 2026, promovido pelo Seu Dinheiro.
O painel dedicado ao cenário internacional foi mediado por Paula Comassetto, jornalista e apresentadora do Seu Dinheiro, e também contou com a participação de Mário Nevares, head de investimentos internacionais da G5 Partners, e Caio Camargo, estrategista líder de investimentos do Santander.
A seguir, vemos os principais pontos abordados por Enzo Pacheco no programa.
Mercado internacional pode ser positivo em 2026: foco na diversificação, mas sem deixar os EUA de lado
Durante sua participação no programa, o analista reforçou acreditar em um ano positivo para as ações internacionais, e que o fluxo de capital favorável aos países emergentes deve permanecer como tendência. “Acho que ainda é preciso ter uma diversificação entre os Estados Unidos e outros países. Vários mercados tiveram uma performance fantástica no ano passado”, afirmou.
Pacheco avalia que as teses ligadas à Inteligência Artificial (IA) ainda seguem “um vetor importante em 2026”. Portanto, a exposição ao mercado norte-americano não pode ser deixada de lado.
“As principais empresas de IA estão nos Estados Unidos. Você pode questionar se o valuation atual é elevado, mas ainda devemos ver crescimento das ações, o que pode impulsionar o mercado a novas máximas”, afirmou o analista, que estima um crescimento de cerca de 15% para a bolsa americana este ano.
Dentre os mercados emergentes, China pode ser destaque em 2026
Enquanto a bolsa dos EUA ainda é a anfitriã dos principais nomes ligados à tese da IA, a China tem se levantado como uma segunda força.
O “evento DeepSeek”, de janeiro de 2025, é citado como exemplo: um ano atrás, papéis norte-americanos derreteram após a China revelar uma ferramenta de IA mais potente (e mais barata) que suas concorrentes ocidentais.
Em 2026, o gigante asiático deve permanecer investindo pesado, e a dicotomia entre “IA ocidental e IA oriental”, segundo o analista, segue sendo um tema de alta relevância:
“O próprio governo chinês tem feito um discurso em prol do avanço tecnológico nesse campo. As grandes empresas de tecnologia da China, que até pouco tempo atrás eram vistas com maus olhos, agora são altamente importantes para investir nessa capacidade de processamento e desenvolvimento de modelos.”
Dito isso, ambos os lados podem ser uma oportunidade de investimento. Segundo Pacheco, é preciso “‘ter uma perna’ nos dois países para aproveitar a continuidade desse movimento”.
Inteligência Artificial (IA): estamos diante de uma bolha, ou tese deve continuar crescendo?
Após uma série de valorizações históricas registradas desde 2024, os últimos meses viram um crescimento na ideia, por parte de alguns players do mercado, de que a tese de IA tenha se tornado uma bolha. Porém, essa não é a opinião do analista.
“Eu não compraria essa ideia de estarmos em um momento de realização”, afirmou. “Não acho que temos uma bolha propriamente dita: temos ações específicas que podem estar em ‘terreno bolhoso’.”
Como exemplo, Pacheco cita as ações da norte-americana CoreWeave, que aluga capacidade de processamento voltada para a IA e recebeu fortes investimentos da gigante Nvidia.
Quando veio a mercado em março de 2025, a CoreWeave engatou “valuations astronômicos” até atingir o preço de US$ 183 em junho. Porém, iniciou 2026 pouco abaixo dos US$ 80 – menos da metade da máxima histórica.
Segundo o analista, esse é o tipo de ação em específico que esteve sob escrutínio, mas que não reflete o mercado como um todo. A chave, portanto, permanece em escolher bem onde investir.
“Eu teria certo cuidado para falar que entramos em um caminho de bolha, mas é preciso ter atenção em qual ativo comprar para colocar na carteira”, afirmou.
Mas de qualquer forma, será que os papéis ligados à IA não estão caros? Para o analista, não exatamente, porque o crescimento atual deve se sustentar:
“O valuation do S&P 500 hoje na casa das 22 vezes [a razão preço sobre lucro] não é barato, mas eu não diria que é um valuation no qual você vai ‘perder cabelo’. Ele já está aí há dois, três anos. O mercado eventualmente realiza, mas depois retorna para a casa das 20 vezes. Utilizar a média histórica do S&P 500, hoje, seria um erro, porque as empresas de hoje são totalmente diferentes das empresas de 20 anos atrás. Muito mais lucrativas”, afirmou.
Dólar: Cotação da moeda influencia compra de papéis internacionais?
A cotação do dólar é um fator frequentemente mencionado por investidores que desejam investir em papéis internacionais, mas que se preocupam em perder capital com a volatilidade da moeda.
“Essa obsessão com a cotação do dólar, do investidor pessoa física… Eles querem sempre acertar o dólar perfeito. Mas não existe dólar perfeito. Existe dólar feito”, afirma Pacheco.
Para o analista, essa preocupação “tira a oportunidade de fazer vários investimentos ao longo do tempo” nos quais são possíveis rentabilizar o dólar aportado.
Como exemplo, é citada a valorização acumulada do índice S&P 500 nos últimos 10 anos, que ultrapassa os 200%. Mesmo com a volatilidade do dólar ao longo da última década, “ainda sim, você teria tido uma rentabilidade em dólar muito boa nesse período”, afirma Pacheco.
O analista também reforça a atual facilidade de acesso ao mercado estrangeiro: “Hoje existem formas muito simples de investir ‘lá fora’. Já passou da hora do investidor ter 10, 20 ou 30% de seu portfólio” no exterior, conclui.
Amazon (AMZO34), Novo Nordisk (N1VO34), TSMC (TSMC34): Veja ações internacionais recomendadas – de uma delas, ‘não se pode fugir’
Enzo Pacheco é responsável, dentro da Empiricus Research, pela carteira recomendada das 10 melhores ações internacionais para investir.
Dentre os papéis selecionados a partir deste início de 2026, três escolhas em especial foram destacadas em sua participação no programa.
Amazon (Nasdaq: AMZN, B3: AMZO34)
O analista afirma que “gosta muito da tese” por trás das ações da Amazon, que podem se beneficiar muito do boom da IA, em sua visão.
Dentre as big techs, as ações da Amazon tiveram uma das piores performances em 2025. Para Pacheco, isso é justamente o que abre espaço para o crescimento. “É uma das minhas top picks para o ano”, afirmou.
Novo Nordisk (NYSE: NVO, B3: N1VO34)
A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, proprietária do Ozempic, também é uma das top picks de Enzo Pacheco para 2026.
Suas ações também “sofreram” nos últimos meses, especialmente com o aumento da concorrência.
Mas uma notícia recente pode contribuir para uma valorização: a aprovação do fornecimento do Ozempic em pílula – com um ano de vantagem em relação à sua principal concorrente nos EUA, a Eli Lilly. “Nos preços atuais, do jeito que a ação ficou ‘largada’, agora há um espaço importante para valorização”, afirma o analista.
TSMC (NYSE: TSMC, B3: TSMC34)
“TSMC é uma empresa formidável, você não pode fugir dela. Se Nvidia, Google ou Broadcom derem certo, quem vai fazer isso acontecer, provavelmente, é a TSMC”, afirma o analista.
Em outras ocasiões, Enzo Pacheco já apelidou a TSMC de “a maior empresa mais desconhecida do mundo” pelo grande público.
Fabricante de semicondutores, componentes essenciais para chips usados em projetos de IA, a TSMC é uma das principais fornecedoras de players como a Nvidia e Alphabet (dona do Google). Por isso, a possibilidade de estar por trás do sucesso de outras empresas mais conhecidas.
Conheça as 10 ações internacionais mais promissoras do mês, recomendadas por Enzo Pacheco
Essa foi apenas uma “amostra” das indicações de Enzo Pacheco para 2026. Além das 3 ações citadas, outras 7 foram selecionadas pelo analista para compor sua carteira recomendada.
E a boa notícia é que você pode conhecer a carteira recomendada completa, gratuitamente, com apenas alguns cliques.
A Empiricus está liberando como cortesia o acesso ao relatório assinado por Enzo Pacheco com todas as 10 teses internacionais de investimento do analista para este início de ano.
Para aproveitar esta oportunidade, basta clicar no botão abaixo, e seguir as instruções na tela: