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Investimentos

Bolsas globais recuam com novas ameaças tarifárias de Trump ligadas à Groelândia; veja o que move os mercados nesta terça (20)

Enquanto isso, a temporada de resultados no exterior começa a ganhar ritmo nesta noite, com a divulgação dos resultados da Netflix

Por Matheus Spiess

20 jan 2026, 10:01

Atualizado em 20 jan 2026, 10:01

donald trump ação empresa mercado

(Imagem: Montagem Canva Pro)

Os mercados globais continuam reagindo de forma negativa às novas ameaças tarifárias de Donald Trump ligadas à Groenlândia, justamente no dia em que ele completa um ano deste seu segundo mandato.

Ontem, as ações recuaram, o dólar perdeu força e ativos de proteção (como ouro e prata) atingiram novas máximas históricas. Nesta manhã, as bolsas voltam a ceder: o Stoxx 600 europeu cai mais de 1%, refletindo a maior sensibilidade da região ao risco comercial, enquanto os futuros americanos, na volta do feriado, chegam a recuar perto de 2%. O pano de fundo é o temor de uma nova escalada na disputa comercial entre Estados Unidos e Europa.

Além da tensão comercial, outro foco relevante de atenção é a Suprema Corte dos Estados Unidos, que pode se pronunciar tanto sobre a legalidade das tarifas quanto sobre o caso envolvendo a diretora do Fed, Lisa Cook. Tudo isso acontece em paralelo ao avanço da temporada de resultados no exterior, que começa a ganhar ritmo justamente nesta noite, com a divulgação dos resultados da Netflix.

· 00:53 — Sem muita referência

Por aqui, com os mercados americanos fechados pelo feriado, a Bolsa local passou a segunda-feira praticamente sem referência, à espera do retorno do termômetro externo para calibrar o impacto do ruído entre EUA e Europa.

O Ibovespa encerrou perto da estabilidade, com um giro bem abaixo do normal. No câmbio, o dólar acompanhou a fraqueza global da moeda americana e cedeu frente ao real. No pano de fundo, dois elementos ajudaram a reduzir a pressão na curva: a melhora marginal das projeções de inflação no Relatório Focus e a própria queda do dólar.

Com isso, os juros futuros devolveram parte dos prêmios acumulados recentemente, quando o mercado debateu sobre o início do ciclo de cortes — na semana passada, o IBC-Br e as vendas do varejo de novembro alimentaram dúvidas sobre o timing da flexibilização monetária.

Ainda assim, março continua no radar para o início do ciclo de cortes, mesmo que com um grau de incerteza maior, à medida que a economia mostra sinais de resiliência.

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· 01:46 — Voltando do feriado

Nos Estados Unidos, as ameaças tarifárias de Donald Trump contra países europeus, em meio ao impasse envolvendo a Groenlândia, continuam dominando o noticiário. A União Europeia discute um pacote de retaliação, ao mesmo tempo em que tenta construir uma resposta coordenada capaz de evitar uma escalada mais grave.

Paralelamente, a Suprema Corte pode finalmente se pronunciar hoje sobre a legalidade das tarifas já nos próximos dias, mas a Casa Branca sinaliza que, mesmo em caso de derrota judicial, pretende manter a política tarifária por outros caminhos legais, preservando esse instrumento como eixo central de sua estratégia comercial.

No mercado, esse ambiente se reflete nos preços: o dólar perde força, enquanto euro, libra e iene se valorizam. A agenda do dia combina política, economia e empresas: além do dado de emprego privado medido pelo ADP, os investidores acompanham os balanços de companhias importantes, como Netflix e United Airlines, que ajudam a calibrar o humor dos mercados em meio a um cenário global cada vez mais volátil.

· 02:38 — Ganho de produtividade

Segundo o último levantamento oficial, a produtividade dos trabalhadores americanos avançou 4,9% no terceiro trimestre de 2025, o ritmo mais forte desde 2023. À primeira vista, o número poderia sugerir um salto de eficiência (alimentar a narrativa de que a inteligência artificial já estaria tendo efeito).

Na prática, porém, o resultado reflete muito mais a mecânica do cálculo do indicador: o PIB real cresceu a uma taxa anualizada de 4,3%, enquanto o total de horas trabalhadas quase não se alterou. Ou seja, o ganho veio mais da combinação entre produção forte e oferta de trabalho praticamente estável do que de uma transformação estrutural na produtividade do trabalhador.

Esses ganhos parecem estar ligados sobretudo a investimentos, ajustes na dinâmica do mercado de trabalho e maior dinamismo empresarial, em um ambiente no qual a mão de obra se tornou mais escassa, a globalização perdeu força e há incentivos para trazer produção de volta aos EUA.

Ao mesmo tempo, a renda real do trabalhador não acompanhou esse movimento: os salários ajustados pela inflação recuaram, enquanto os custos unitários do trabalho caíram. Para as famílias, isso significa que, apesar da produtividade maior, o desafio de manter o poder de compra segue presente.

· 03:29 — Corrida armamentista

A pressão de Trump sobre a Groenlândia funciona, na prática, como um teste para a soberania europeia, ao escancarar o grau de dependência do continente em relação a armas e tecnologia militar dos Estados Unidos — estimado em cerca de 60% do gasto europeu em equipamentos.

Esse episódio reforçou a “soberania” como um novo pilar do ciclo de rearmamento na Europa, somando-se a dois vetores já conhecidos: a tendência de aumento dos orçamentos de defesa e a mudança de composição desses gastos em favor de equipamentos, em vez de despesas mais correntes.

A vulnerabilidade é especialmente evidente em capacidades críticas, como a aviação de combate, onde a cadeia americana tem peso relevante. Com a pressão política se intensificando, cresce a probabilidade de o incremental de investimento migrar, cada vez mais, para fornecedores europeus. Ainda assim, é importante reconhecer que o caminho rumo a maior autonomia não será rápido: trata-se de uma transição gradual, guiada por capacidade industrial, decisões políticas e estratégias de longo prazo.

· 04:11 — O carvão ainda é dominante por lá

A Índia já começa a sentir de forma mais visível os efeitos das mudanças climáticas — com eventos extremos afetando a agricultura e a indústria. Ao mesmo tempo, o país estabeleceu metas relevantes para a transição energética, como alcançar neutralidade de carbono até 2070 e elevar a participação de fontes não fósseis para 50% da capacidade instalada de geração elétrica até 2030. A expansão de solar e eólica segue forte e posiciona a Índia como um dos líderes globais em adição de capacidade.

Ainda assim, a trajetória aponta para uma “transição tardia”: por mais que a intensidade de emissões tenha recuado 22% desde 2005 e possa chegar a cerca de 39% abaixo do nível daquele ano até 2030, o carvão continua dominante na geração efetiva de eletricidade (o avanço em capacidade instalada nem sempre se traduz, ao menos não na mesma velocidade, em mudança concreta na matriz de energia utilizada).

Nesse contexto, o ponto central passa a ser acelerar a construção de redes de transmissão, destravar financiamento e manter apoio político para mobilizar o setor privado.

· 05:05 — Insegurança

A crescente insegurança na relação entre Estados Unidos e Europa tem dado novo impulso às ações do setor de defesa, com investidores direcionando capital para empresas mais bem posicionadas para se beneficiar do aumento das tensões geopolíticas. Na União Europeia, um índice que reúne companhias de defesa avançou nas primeiras semanas do ano, refletindo um ambiente mais arriscado, marcado por um Kremlin cada vez mais assertivo a leste e por uma Casa Branca imprevisível a oeste. Esse novo equilíbrio de forças reforça a percepção de que a segurança voltou a ocupar lugar central na agenda econômica e política do continente.

O rearmamento, além de resposta estratégica, tornou-se também um…

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.