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Investimentos

Dólar em baixa, bolsa americana no topo: onde investir neste cenário? Enzo Pacheco, da Empiricus, responde

Cenário ‘incomum’, que se desenha em meio às incertezas domésticas e geopolíticas envolvendo os EUA, podem abrir oportunidades específicas de investimento; confira

Por Anna Larissa Zeferino

03 fev 2026, 16:16

Atualizado em 03 fev 2026, 16:26

mercado eua usa bolsas dolar

Imagem: iStock.com/franckreporter

Dois movimentos aparentemente antagônicos, mas simultâneos, e ligados aos Estados Unidos, podem ser observados atualmente: 

O primeiro é o enfraquecimento global do dólar. O índice DXY, que mensura a força do dólar em relação a 6 outras moedas globais, acumula queda de cerca de 10% nos últimos 12 meses.  

O segundo é a alta das bolsas norte-americanas. Nesses mesmos últimos 12 meses, os índices S&P 500 e Nasdaq Composite acumulam alta de cerca de 15% e 20%, respectivamente, ambos próximos de suas máximas históricas.  

Teoricamente, esse cenário pode não fazer sentido. Afinal, se os ativos norte-americanos estão recebendo um bom fluxo de capital, é esperado um dólar mais fortalecido.

“Quando vemos a bolsa americana fazendo máximas, também deveríamos ver o dólar se valorizando, porque mais recursos estão indo para os Estados Unidos. Temos uma parcela importante dos investidores focando em dois tipos de ativos que, teoricamente, não poderiam ter a performance correlacionada positivamente: ações e ouro”, afirma Enzo Pacheco, analista da Empiricus Research, na edição de sábado (31) do Empiricus PodCa$t

Ou seja, ao mesmo tempo que muitos estão entrando na bolsa, outros também estão retirando capital dos EUA em direção a ativos como o ouro, em um volume suficiente para derrubar o dólar em meio às incertezas provocadas pelo “Trumponomics” – palavra criada para descrever as políticas econômicas de Donald Trump.

Primeiramente, vamos entender o que permite esse paradoxo. Em seguida, vamos entender onde e como o investidor deve se posicionar em meio a essa singularidade, segundo Enzo Pacheco.

Como a queda do dólar e as máximas históricas das bolsas americanas podem coexistir?

A questão é que ambos os casos convergem em uma única tendência, o debasement trade. Nesse movimento os investidores diminuem a concentração em moedas fiduciárias em meio às incertezas soberanas (neste caso, dos EUA) em prol do posicionamento não apenas em outros mercados, mas também nos chamados “ativos reais”, como o ouro – visto como um ativo de proteção global.

“Temos essa liquidez global, procurando ativos para se proteger de uma eventual perda de valor do dólar. E então procuram-se ativos reais, como ações e metais preciosos”, afirma Pacheco.

O analista explica que, “querendo ou não”, ações também podem ser consideradas ativos reais, apesar do cenário atual não ser comum: “era normal vermos, em uma máxima da bolsa americana, um fortalecimento do dólar”.

Como o investidor brasileiro deve se posicionar neste cenário?

Enzo Pacheco defende a importância de manter parte do patrimônio no exterior. Especialmente para os investidores que ainda não o fazem, mesmo com as incertezas geopolíticas, a queda do dólar pode ser, inclusive, uma oportunidade:

“Eu aproveitaria a queda do dólar para ‘mandar’ uma parte dos recursos e começar a montar minha posição no exterior. Se a pessoa ainda ‘não tem nada’, deve começar hoje a ter uma exposição internacional”, afirma.

Tratando-se de tendências para este ano, o analista também enxerga a necessidade de diversificação para além dos Estados Unidos.

“Para 2026, vamos ter uma continuidade de 2025. A bolsa americana pode performar bem, mas outras regiões devem performar ainda melhor. Você não pode abrir mão de ter ativos em outras regiões do mundo. Tendo a imaginar que os mercados emergentes terão um ano melhor”, afirma.

Apesar disso, deixa claro que isso não significa não se expor aos EUA: “É preciso ter uma posição importante em bolsa americana. Ainda estamos falando da principal bolsa do mundo, das principais empresas do mundo quando a temática é inteligência artificial.”

Aqui, vale ressaltar que a temática de inteligência artificial (IA) foi um dos principais vetores da alta das bolsas americanas em 2025 e, segundo Pacheco, deve continuar sendo um dos principais temas do mercado este ano.

Amazon (AMZO34) e Microsoft (MSFT34): duas ações internacionais que podem ser destaque em 2026

No programa, Enzo Pacheco citou duas ações norte-americanas em especial que fazem parte de suas recomendações e, em sua visão, estão em um bom ponto de entrada para os investidores neste momento.

Amazon (AMZO34)

O analista explica que a Amazon (B3: AMZO34; NASDAQ: AMZN) foi uma das big techs cujas ações mais “ficaram para trás” no ano passado, sendo que sua divisão de computação em nuvem, a Amazon Web Services (AWS), é a líder do mercado, seguida da Microsoft Azure e do Google Cloud. Para ele, a AWS deve continuar “entregando um crescimento na ordem de 20% [ao ano]”.

Além disso, os destaques também ficam por conta da divisão de varejo, cujos custos operacionais têm diminuído cada vez mais. Há também a divisão de publicidade (Amazon Ads), que é menos conhecida, mas “é uma receita que dá margem para o resultado final”, segundo o analista.

“Dado que a ação ‘ficou parada’, tem uma perspectiva de crescimento boa. Eu gosto muito da tese, é uma das maiores convicções que eu tenho esse ano”, conclui.

Microsoft (MSFT34)

Após divulgar seus balanços referentes ao 4º trimestre de 2025 (4T25) na última quarta-feira (28), as ações da Microsoft (B3: MSFT34; Nasdaq: MSFT) entraram em queda.

O analista explica que os números trimestrais vieram positivos, mas abaixo do que o mercado esperava, o que explica a queda: “as expectativas estavam muito altas, então ‘um pouquinho’ que veio abaixo do esperado foi o suficiente para os investidores ‘largarem a mão’ da empresa”, afirma.

Segundo ele, considerando que a empresa deve continuar entregando resultados sólidos nos próximos trimestres, a queda atual abriu uma janela de oportunidade.

“Esse ponto de entrada, para Microsoft, é muito interessante”, afirma. “Se você tiver um prazo mais estendido de investimento, pode pensar na possibilidade de ter, ou até aumentar, sua exposição. Eu gosto da tese, principalmente nos preços de hoje. Com essa queda, acho que vale muito a pena.

Apesar de serem ativos estrangeiros, os papéis recomendados podem ser comprados na própria bolsa brasileira, por meio de BDRs – o que facilita o acesso ao mercado estrangeiro, especialmente para o investidor iniciante.

Gratuito: conheça as 10 melhores ações internacionais para o mês de fevereiro

Neste ponto, vale lembrar que, apesar destas duas ações serem originalmente norte-americanas, Enzo Pacheco defende a importância da diversificação geográfica nos investimentos.

Além de Amazon e Microsoft, outras oito ações internacionais (inclusive de fora do eixo dos EUA) foram selecionadas pelo analista para compor sua carteira completa das 10 melhores ações internacionais deste mês. Papéis como:

  • Uma gigante da tecnologia chinesa;
  • Uma empresa de Taiwan, apelidada de “a maior empresa mais desconhecida do mundo;
  • Uma farmacêutica da Dinamarca, cujos produtos têm dominado as prateleiras mundo afora.

A boa notícia é que a Empiricus está liberando gratuitamente o acesso à carteira recomendada, para todos os leitores deste texto. 

Para liberar seu acesso, basta clicar no botão abaixo: 

Jornalista no mercado financeiro desde 2022. Pós-graduanda em Economia, Investimentos e Banking pela Universidade de São Paulo (ESALQ-USP). Escreve para os portais Empiricus, Money Times e Seu Dinheiro, e já passou por casas como Itaú BBA e XP.