Imagem: iStock/ @Ca-ssis
Depois de um início de ano de grande otimismo, renovando máximas históricas a cada pregão, o Ibovespa fechou o pregão da última quarta-feira (4) em queda de cerca de 2%.
Até o fechamento deste texto, na manhã da quinta-feira (5), o índice reabria o mercado recuperando apenas parte das perdas, em alta de 0,6%.
Embora a queda possa até parecer “brusca” a princípio, essa pode ser considerada uma correção natural no processo. Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, participou do programa Giro do Mercado, do Money Times, na quarta-feira (4) e apontou o seguinte:
“A gente vem de um processo de alta muito importante. E aí vem a fadiga da alta, do movimento em si. É natural que isso aconteça, até saudável. Isso dá normalidade ao movimento como um todo, torna a tendência de médio prazo mais fidedigna, mais crível, para podar excessos”.
Além da correção esperada, o analista aponta outros “vetores de volatilidade” que podem influenciar os níveis do Ibovespa e, também, pressionar a curva de juros nesta semana.
‘Fadiga de alta’ e mais três motivos: analista explica o que está por trás da queda do Ibovespa
1. Início da temporada de resultados
A temporada de resultados do 4º trimestre de 2025 (4T25) deu início nesta primeira semana de fevereiro, começando com o setor financeiro. Nomes como Santander (SANB11), Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC3) estão nesta lista.
Spiess aponta que há um certo receio dos investidores, porque os números do setor financeiro acabam tendo um “caráter sistêmico” para o país:
“Não só pelo peso do setor no interior do índice, mas também para as sinalizações que dá em relação à economia brasileira, ao crédito, à inadimplência. Ganhamos contornos muito mais profundos sobre a atividade brasileira do que em resultados de outros segmentos”.
Com isso, há uma expectativa mais carregada, o que “deixa todo mundo tensionado”: “Depois de tantas altas, é natural que as pessoas optem por realizar lucros parcialmente, ajustar posições e montar algumas proteções”, completa.
2. Retomada das atividades do Congresso Nacional
O Congresso Nacional abriu seu ano legislativo na última segunda-feira (2). E o mercado, sem dúvida, está de olho no que é pauta entre os parlamentares nestes primeiros dias.
Segundo Spiess, logo nesta retomada, “uma série de medidas fiscalistas de cunho populista acabaram sendo aprovadas, o que aumenta ainda mais os gastos para este ano”.
O analista explica que, além do problema estrutural orçamentário não estar sendo endereçado corretamente pelo governo federal, as novas medidas apenas pioram o cenário para os próximos meses, aumentando “a conta a ser paga” em 2027.
“Muito dinheiro está sendo gasto em um país que já está com o orçamento estressado. Temos um encontro marcado inadiável com o ajuste fiscal em 2027, independentemente de quem ganhar a eleição”, afirma.
3. Nomeação de Guilherme Melo para o Banco Central
Na última terça-feira (3), o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizou o nome de Guilherme Mello para a diretoria de política econômica do Banco Central.
“É uma indicação que foi vista com maus olhos pelo mercado”, afirma Spiess. “Ele é visto como alguém da academia e mais ligado às alas heterodoxas das ciências econômicas”.
Dentre as principais características dos economistas da ala heterodoxa, por exemplo, está a defesa de uma maior participação do Estado na economia.
Segundo Spiess, o receio dos investidores é de que a diretoria do Bacen esteja sendo composta por nomes cada vez mais “distantes do mercado”, trazendo incertezas sobre o ciclo de cortes de juros contratados para este ano.
Ibovespa pode retomar viés de alta em breve?
Para o analista, há elementos para isso: “Os fatores que nos trouxeram até aqui, principalmente a entrada do fluxo estrangeiro, continuam no radar”.
Após o início do ciclo de corte de juros, amplamente esperado para a reunião do Copom de março, Spiess explica que os investidores estrangeiros devem se “espraiar” entre outros nomes da bolsa brasileira, ao contrário do que é visto no momento:
“Quando os gringos entram [na bolsa], eles vão nos nomes de maior liquidez, no que está no ETF. Vemos ‘pesos pesados’ do índice subindo bastante, e nomes de menor relevância em market cap [valor de mercado] andando de menos. Mas o processo que deve começar com o corte de juros, que é o espraiamento dos recursos dos gringos para small caps, deve dar sobrevida ao movimento.”
Mas e quanto às eleições deste ano?
“Claro que no caminho temos uma eleição que deve gerar volatilidade adicional. Mas pelo menos, temos uma janela no primeiro trimestre de continuidade desse ciclo. No meio do caminho, teremos episódios de correção, mas sem prejuízo ao ciclo ou à tendência geral”, conclui o analista.
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