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Investimentos

Felipe Miranda: ‘(estamos) formalmente em um bear market’; veja as recomendações do analista para se proteger

Números indicam possibilidade de recessão aliada a bear market nos EUA; analista adota estratégia que chama de “combo trincheira”

Por Juan Rey

01 jul 2022, 14:06

Atualizado em 01 jul 2022, 14:17

Imagem de um urso com um gráico atrás, representando o bear market
Urso é, desde o século XVIII, símbolo que representa tendência de baixa no mercado. Imagem: Shutterstock

Não há como ignorar o momento, é necessário se proteger. Prevendo recessão nos EUA em meio a um bear market – tendência de baixa constante e de pessimismo do mercado – o fundador e estrategista-chefe da Empiricus, Felipe Miranda, deu recomendações para que o investidor possa atravessar o período turbulento.

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O analista indica a adoção do que chamou de “combo trincheira”: bastante caixa, ouro e alguma exposição em short, seja no S&P 500 ou em ações de alto crescimento que negociam a valuations ainda caros.

Ao manter posições em caixa, o investidor tem liquidez diária, sem volatilidade e sem riscos de crédito.

Já o ouro, costuma andar bem nos bear markets e também se mostra uma boa forma de proteção. É uma reserva de valor clássica que resiste ao teste do tempo.

Shorts são boa estratégia para se proteger em um bear market

No que chamou de comportamento errático do dólar – que costumava ser a posição de hedge (proteção) clássica para a pessoa física brasileira – em 2022, Felipe vê os shorts com bons olhos.

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O short, também chamado de venda a descoberto, consiste na venda de um ativo que o investidor não possui em carteira. Para isso, são necessárias duas operações: o aluguel e a posterior venda do ativo.

O investidor aluga uma ação que acredita que irá desvalorizar e a vende. Caso a tendência de queda do papel se confirme, o investidor poderá comprar posteriormente o ativo a um preço mais barato do que vendeu e, assim, terá lucro na operação. 

Um dos indícios da gravidade do momento, de acordo com Felipe, é que suas carteiras recomendadas nunca tiveram tantas posições em short. 

O analista reforçou que a tríade recomendada, além de ajudar a atravessar a maré, permite preservar posições compradas em ações e renda fixa brasileira muito baratas, e em bons ativos geradores de caixa no presente

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Índices batem marcas negativas e indicam cenário ruim

Felipe também fez um alerta a investidores que, seduzidos pelas quedas e valuations atrativos, pensem em aumentar as posições de risco: a probabilidade que o ajuste para baixo nos mercados internacionais ainda não tenha terminado é grande.

Na visão do analista, os indicadores apontam a combinação perversa de inflação norte-americana, que aparentemente ainda não chegou ao pico, e uma possibilidade grande e cada vez mais crescente de recessão.

A inflação ao consumidor nos EUA marcou 1,0% no mês passado, frente a expectativa de 0,7%. No período de 1 ano, a alta dos preços bateu o recorde negativo dos últimos 41 anos, chegando a 8,6%.

Os índices ruins já refletem no sentimento do consumidor, que também apresentou marca negativa: teve o menor patamar já registrado, com 50,2 pontos. O número frustrou analistas que achavam que a inflação nos EUA atingira o pico no mês passado. 

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Para completar, as commodities têm apresentado queda expressiva. Algumas já negociam em níveis inferiores aos patamares registrados antes do início da guerra.

Bear market e recessão econômica: um combo difícil

Maior inflação dos últimos 40 anos, desaceleração e intensidade da alta dos juros… Os indícios fazem com que muitos bancos, analistas e economistas, incluindo o Ministro da Economia brasileiro, Paulo Guedes, acreditem que a recessão é questão de tempo.

Como projetavam os bancos J.P. Morgan e Goldman Sachs, a elevação da taxa básica de juros norte-americana foi de 75 pontos-base, a maior desde 1994. Embora o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) discorde dos analistas sobre a possível recessão, cada vez fica mais claro que este parece ser o caminho provável. 

Uma recessão ocorre quando há retração na atividade econômica por um certo período de tempo, o que gera uma queda no nível de produção, na renda familiar e no nível de investimento. Também há aumento do desemprego e do número de falências e concordatas. 

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Se o bear market, por si só, já representa um problema, um bear market com recessão econômica é muito pior. Enquanto em ambientes não recessivos as baixas são ligeiramente mais intensas que 20%, em momentos como o que se anuncia as quedas são muito mais profundas.

Por isso, Felipe reforça que toda proteção é bem vinda em momentos de “águas bastante turbulentas”, que já afeta terras tupiniquins e causa o segundo pior bear market da história dos fundos de ações brasileiros. 

Jornalista pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), é editor do site da Empiricus. Contato: juan.rey@btgpactual.com.