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Investimentos

Ibovespa hoje: bolsa acima dos 190 mil pontos, balanço da Nvidia e tarifas dos EUA dominam noticiário nesta quarta (25)

Com crescimento do fluxo estrangeiro, Ibovespa bate seu 13º recorde do ano enquanto o dólar torna a cair.

Por Matheus Spiess

25 fev 2026, 10:18

Atualizado em 25 fev 2026, 10:18

brasil bolsa ibovespa multimercados fundos

Imagem: iStock/ phongphan5922

Os mercados globais iniciam o dia em tom positivo, com recordes na Europa e na Ásia e alta nos futuros em Nova York, impulsionados pelo alívio no setor de tecnologia às vésperas do balanço da Nvidia, pela manutenção da tarifa americana em 10%, confirmado pela Alfândega e Proteção das Fronteiras dos Estados Unidos (CBP), e pelo avanço das negociações com o Irã, ainda que a volatilidade siga presente.

A agenda do dia macro é limitada — PIB alemão estável e inflação da Zona do Euro sem surpresas —, enquanto dirigentes do Fed ajudaram a moderar temores em torno da IA; no corporativo, destacam-se o acordo de até US$ 100 bilhões entre AMD e Meta para chips de IA, o corte de preços do Ozempic e Wegovy pela Novo Nordisk e a recuperação das criptos. O petróleo acumula alta no ano com tensões no Oriente Médio, embora um fechamento do Estreito de Hormuz seja improvável, e na China as bolsas avançam com dólar mais fraco sustentando commodities, consumo pós-feriado forte e sinais de estímulo imobiliário, apesar da dependência das exportações.

· 00:57 — Uma pesquisa pesada para o Planalto

No Brasil, a continuidade do fluxo estrangeiro seguiu fortalecendo os ativos locais. O Ibovespa renovou máximas no fechamento, aos 191.490 pontos — o 13º recorde do ano —, enquanto o dólar voltou a operar abaixo de R$ 5,15, acumulando a quarta queda consecutiva. Na agenda doméstica, o mercado acompanha a divulgação de resultados corporativos, além do resultado do governo central, após a arrecadação federal de janeiro ter atingido o maior valor da série histórica para o mês. A expansão da receita mostra eficiência arrecadatória, mas permanece o debate estrutural: o gasto público cresce em ritmo superior, o que mantém a questão fiscal central.

Em Brasília, está prevista a votação, na Câmara, do acordo entre Mercosul e União Europeia, após o plenário ter aprovado o PL Antifacção e o projeto que institui o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), criando incentivos fiscais ao setor (bom estruturalmente para o país neste momento). No campo político, porém, o principal vetor do dia é a repercussão da nova pesquisa AtlasIntel, que mostrou Flávio Bolsonaro numericamente empatado com Lula (46,3% a 46,2%), revertendo uma desvantagem de 12 pontos observada em dezembro. Trata-se de uma das mais expressivas absorções de votos por transferência já registradas em disputas presidenciais (o próprio Haddad mostrou surpresa em evento recente), refletindo um ambiente de forte rejeição ao governo e indicando que o eleitorado parece sensível a alternativas menos alinhadas ao atual tom mais radicalizado da campanha governista.

Além disso, o conjunto de medidas assistenciais adotado até aqui ainda não produziu o impacto político esperado. A pesquisa tem potencial de influenciar expectativas de mercado, ao aumentar a probabilidade de um cenário eleitoral mais competitivo e, eventualmente, de um governo com agenda reformista a partir de 2027, quando um ajuste fiscal tende a se impor como necessidade. Naturalmente, a eleição ainda está distante e o cenário pode mudar, mas o desempenho recente do candidato oposicionista surpreende. Caso consiga atravessar os próximos meses — especialmente após abril — mantendo competitividade e administrando sua própria rejeição, sua posição tende a se consolidar. Naturalmente, a eleição tende a ser apertada. A oposição demorou a se organizar e, quando finalmente o fez, convergiu em torno de um nome com índice de rejeição mais elevado — o que impõe limites à margem de crescimento. É plausível supor que, se a transição de liderança tivesse ocorrido mais cedo em favor de um candidato com menor resistência, a inflexão do pêndulo político poderia hoje apresentar vantagem mais confortável. Ainda assim, para o mercado, o essencial não é a identidade do candidato, mas a direção das políticas: pouco importa a cor do gato, desde que ele cace o rato. É o que vemos.

· 01:46 — Mais de 100 minutos

Em um discurso sobre o Estado da União que se estendeu por 108 minutos — o mais longo da história recente — e marcado por forte tom combativo, Trump voltou a defender sua política tarifária como o principal motor de uma “reviravolta histórica” da economia americana. Classificou como “desastrosa” a decisão da Suprema Corte que considerou ilegais parte de suas tarifas, mas afirmou que pretende mantê-las com base em alternativas jurídicas, sem depender do Congresso, chegando a sugerir que, no limite, poderiam substituir o atual sistema de imposto de renda.

No plano doméstico, apresentou um quadro otimista da economia e anunciou propostas como um novo modelo de plano de aposentadoria (uma discussão que todos os países terão que ter, inclusive o nosso, já que a previdência como a conhecemos não se sustenta mais), além de atribuir aos democratas a responsabilidade pela inflação e adotar postura confrontacional em temas como imigração. No campo externo, reiterou que prefere uma solução diplomática para as tensões com o Irã, mas enfatizou que não permitirá, em hipótese alguma, que o país desenvolva arma nuclear, estabelecendo prazo para avanços nas negociações — enquanto autoridades iranianas também vêm sinalizando disposição para um acordo.

· 02:35 — Ceticismo e preocupação

O avanço acelerado da inteligência artificial tem levado parte do mercado a repensar a aposta concentrada no tema e a buscar empresas mais “tangíveis”, em detrimento de modelos que, ao menos em teoria, poderiam ser replicados por ferramentas de IA, como algumas plataformas digitais. Nesse ambiente, relatórios mais alarmistas, como o da Citrini Research, que já mencionei neste espaço, ajudaram a elevar a volatilidade e chegaram a pressionar ações de companhias sensíveis ao consumo e a serviços financeiros, embora muitos economistas vejam exagero nessas projeções. Ao mesmo tempo, o noticiário segue mostrando que o setor é dinâmico: novas atualizações e integrações de ferramentas de IA reforçam que a tecnologia continua avançando.

Em paralelo, Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, voltou a alertar para um nível elevado de complacência nos mercados e para riscos crescentes no crédito privado, traçando paralelos com o período pré-2008 e lembrando que, em ciclos assim, as tensões costumam aparecer justamente onde hoje há mais otimismo — o que inclui, potencialmente, segmentos do software mais expostos à narrativa de IA.

· 03:23 — A crise da memória

A indústria de tecnologia atravessa uma possível nova “crise de memória”: impulsionada pela expansão da inteligência artificial, a demanda por chips disparou e fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron não conseguem atender plenamente data centers e eletrônicos de consumo. O desequilíbrio tem origem no ciclo pós-pandemia, quando a forte expansão foi seguida por cortes de produção e baixo investimento em nova capacidade, o que hoje limita a oferta; como novas fábricas exigem ao menos 18 meses e mais de US$ 15 bilhões para operar, a normalização não é rápida, mantendo a tendência de preços mais altos para smartphones, PCs e outros dispositivos até que oferta e demanda se reequilibrem.

· 04:18 — Polo estratégico

No início deste ano, Emirados Árabes Unidos, União Europeia e Rússia protagonizaram movimentos estratégicos relevantes tendo a Índia como eixo central. Os Emirados firmaram uma parceria de defesa e um contrato de energia de US$ 3 bilhões em uma visita breve, porém significativa. A União Europeia concluiu o maior acordo comercial de sua história com os indianos. Já a Rússia recebeu o presidente emiradense logo após mediações conduzidas pelos próprios Emirados entre Moscou e Washington.

Ainda que não tenha havido coordenação explícita entre esses atores, o encadeamento dos fatos revela uma convergência clara de diagnóstico geopolítico. Em um ambiente marcado por incertezas quanto à confiabilidade dos Estados Unidos e pela fragmentação das hierarquias regionais tradicionais, diferentes potências passaram, de maneira independente, a direcionar esforços para fortalecer laços com a Índia. O país se consolida, assim, como um polo estratégico cada vez mais central na reorganização da ordem internacional que tenho comentado com frequência por aqui.

· 05:04 — Depois da correção de ontem

A Gerdau (GGBR4) entregou resultados em linha com as expectativas, tendo novamente a América do Norte como principal destaque positivo. A região registrou crescimento de 13,9% no volume, avanço de 15,4% na receita e EBITDA de R$ 1,8 bilhão — alta expressiva de 125% — com margem robusta de 21,1%, sustentada por tarifas já vigentes, demanda resiliente e disciplina no controle de custos. Ainda assim, as ações sofreram no pregão de ontem, refletindo a leitura mais cautelosa do mercado em relação às demais geografias. No Brasil, por exemplo, o cenário permaneceu pressionado. Embora as vendas tenham crescido 2,4%, a receita…

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.