1 2019-12-09T13:32:41-03:00 xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 saved xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 2019-12-09T13:32:41-03:00 Adobe Bridge 2020 (Macintosh) /metadata
Investimentos

Ibovespa hoje: conflito no Irã, efeitos na Selic e bolsas em alerta; veja o que ecoa no mercado nesta terça (10)

Guerra entre EUA e Irã pode estar perto do fim? Para onde vai a Selic com a alta do petróleo? Como foi o balanço trimestral da TSMC? Confira destaques do dia.

Por Matheus Spiess

10 mar 2026, 10:12

Atualizado em 10 mar 2026, 10:12

petrobras PETR4 (1) PETRÓleo barris

Imagem: iStock.com/narvikk

Os mercados globais reagiram com elevada volatilidade às declarações do presidente Donald Trump, que afirmou que a guerra contra o Irã poderia terminar “muito em breve”, embora tenha reiterado que os Estados Unidos não interromperão a ofensiva até que o adversário seja plenamente derrotado. A sinalização de que o conflito poderia estar mais próximo do fim provocou uma queda relevante nos preços do petróleo e contribuiu para a recuperação das bolsas ao redor do mundo. Ainda assim, o ambiente permanece cercado de incerteza. Há relatos de congestionamentos de navios no Estreito de Ormuz, enquanto a retórica entre Washington e Teerã continua elevada, com o Irã ameaçando bloquear exportações de petróleo e os Estados Unidos prometendo respostas mais duras caso o fluxo energético na região seja interrompido.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Nesse contexto, o petróleo passou a ocupar o centro do debate nos mercados, funcionando como o principal canal de transmissão de risco para inflação, juros e ativos financeiros. Cada nova manchete relacionada ao conflito tem provocado mudanças rápidas na precificação dos ativos. A perspectiva de uma eventual descompressão das tensões trouxe algum alívio momentâneo e ajudou a sustentar a recuperação das bolsas na Ásia e na Europa, ao mesmo tempo em que o petróleo recuou para a região de US$ 90 por barril. Ainda assim, os investidores seguem atentos principalmente a dois fatores: a duração do conflito e o risco de interrupções no fluxo de energia pelo Golfo. Como tenho destacado, sinais de redução das tensões, ainda que modestos, tendem a favorecer os ativos em movimentos típicos de rebound.

• 00:55 – Tirando a pressão

No Brasil, acompanhamos ontem um movimento de recuperação dos mercados em linha com o alívio observado no exterior, à medida que os investidores digeriam as sinalizações do presidente Donald Trump sobre a possibilidade de uma resolução mais rápida do conflito no Oriente Médio. Curiosamente, embora o país devesse ser um dos beneficiários diretos de preços mais elevados do petróleo, dado seu peso crescente como exportador da commodity, o primeiro impacto costuma ser de aversão ao risco. Esse movimento também reflete um ajuste mais amplo nos fluxos globais, com certa reversão do trade em mercados emergentes que havia predominado ao longo do primeiro bimestre do ano.

Além disso, a preocupação com inflação voltou a ganhar espaço no debate. Nesse contexto, chama atenção a situação do mercado de combustíveis. Após quase 10 meses sem reajuste no preço do diesel, a Petrobras passou a recusar pedidos adicionais de combustível feitos por distribuidoras que tentavam ampliar estoques a preços ainda baixos, diante do risco de ter de importar diesel mais caro e revendê-lo com prejuízo. Como os combustíveis representam cerca de 5% do IPCA, um eventual choque de preços teria impacto direto sobre a inflação e limitaria o espaço de atuação do Banco Central. Não por acaso, o mercado passou a revisar suas expectativas para a política monetária: a hipótese de um corte de 50 pontos-base na Selic perdeu força, e o cenário mais provável passou a ser de uma redução de 25 pontos-base, embora já existam projeções que considerem inclusive a possibilidade de manutenção da taxa neste momento (não é cenário-base).

No campo político, também surgiram novas incertezas. Manchetes indicam que Fernando Haddad poderia antecipar sua saída do Ministério da Fazenda para iniciar a articulação de sua estratégia eleitoral em São Paulo. No maior colégio eleitoral do país, o atual governador Tarcísio de Freitas aparece como favorito nas pesquisas e poderia vencer já no primeiro turno, um quadro que tende a fragilizar a estratégia nacional do presidente Lula. Em caso de saída de Haddad, os nomes mais citados para assumir o comando da Fazenda são Dario Durigan, secretário-executivo da pasta, e Rogério Ceron, secretário do Tesouro Nacional.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

• 01:43 – Na expectativa pelos dados da semana

Nos Estados Unidos, após um início de sessão marcado por forte estresse, os mercados acionários americanos conseguiram encerrar o dia em alta depois que Donald Trump sugeriu que a guerra contra o Irã poderia terminar antes do esperado. O movimento representou uma mudança importante de humor ao longo do pregão de segunda-feira, revertendo perdas expressivas registradas nas primeiras horas de negociação. Além da geopolítica, o mercado volta agora suas atenções para a agenda econômica dos Estados Unidos, que será particularmente importante nesta semana. Estão previstas divulgações de indicadores centrais, como o CPI (quarta-feira) e o PCE (sexta-feira), além de novos dados sobre mercado de trabalho e confiança do consumidor. Em um ambiente ainda marcado por incertezas geopolíticas e sensibilidade aos preços de energia, a leitura desses dados será fundamental para calibrar as expectativas em relação ao Federal Reserve.

• 02:31 – Dia da marmota

Após uma segunda-feira marcada por intensa volatilidade, os preços do petróleo passaram a recuar depois de declarações do presidente Donald Trump, que sugeriu que o conflito com o Irã poderia terminar “em breve” e mencionou possíveis medidas para estabilizar o mercado de energia, como a proteção da navegação no Estreito de Ormuz e até uma eventual flexibilização de sanções relacionadas ao petróleo. O movimento ajudou a aliviar parte do estresse observado nos mercados depois de o barril ter se aproximado de US$ 120, com o Brent recuando posteriormente para níveis abaixo de US$ 100. Ainda assim, o quadro segue cercado de incerteza, já que o próprio Trump também afirmou que os Estados Unidos reagiriam com força caso Teerã tente interromper o fluxo de petróleo na região.

Apesar desse alívio momentâneo nos preços, o risco geopolítico continua elevado. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que poderá bloquear exportações de petróleo destinadas a países considerados hostis enquanto o país permanecer sob ataque, mantendo o mercado global de energia em permanente estado de alerta. Os efeitos da alta recente do petróleo já começam, inclusive, a transbordar para outros setores da economia, como a aviação, com companhias asiáticas elevando tarifas e preparando planos de contingência diante do aumento dos custos. Ao mesmo tempo, governos e instituições internacionais discutem possíveis respostas, entre elas a liberação de reservas estratégicas de petróleo pelo G7. Nesse contexto, a trajetória dos preços da energia continuará dependendo, sobretudo, de dois fatores centrais: a duração do conflito e o risco de interrupção mais prolongada do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

  • 10 ações internacionais para comprar agora: estes são os papéis mais promissores no cenário atual e reúnem fundamentos para valorizar em breve, segundo os analistas da Empiricus Research. Veja a lista completa aqui.   

• 03:27 – Impactos inflacionários

A escalada do conflito com o Irã elevou as preocupações com o mercado global de energia, já que uma guerra prolongada poderia levar o petróleo a níveis próximos de US$ 150 por barril, especialmente se houver interrupção prolongada do Estreito de Ormuz. Nesse cenário, estima-se que o preço da gasolina nos Estados Unidos poderia subir para algo entre US$ 5 e US$ 5,50 por galão, repetindo um movimento semelhante ao observado após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Convertendo essa referência para padrões brasileiros, US$ 5,50 por galão equivaleria a algo próximo de R$ 7,60 por litro, o que ilustra o tamanho do potencial choque inflacionário se pressões semelhantes forem transmitidas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Nos Estados Unidos, além do impacto direto sobre energia e inflação, que pode complicar ainda mais o trabalho do Federal Reserve, o conflito também ameaça desorganizar parte da agenda doméstica do presidente Donald Trump no Congresso. O aumento das tensões tende a consumir capital político e tempo legislativo, dificultando a tramitação de projetos relevantes, como propostas de reforma no mercado imobiliário, iniciativas de regulação do setor de criptomoedas e a definição do financiamento do Departamento de Segurança Interna.

No caso do Brasil, o efeito macroeconômico tende a ser mais ambíguo. Por um lado, preços mais altos do petróleo poderiam melhorar a balança comercial, já que a commodity representa uma das principais pautas de exportação do país, gerando impulso positivo para o PIB. Por outro, o choque inflacionário decorrente da alta dos combustíveis tende a limitar qualquer percepção de melhora econômica, reduzindo o espaço para cortes de juros e enfraquecendo o potencial de um ambiente mais construtivo para os ativos domésticos.

• 04:18 – Caminhando para mais uma mudança na América do Sul

No último fim de semana, a política colombiana ganhou novos contornos após a realização das eleições legislativas e das primárias presidenciais, eventos que ajudam a desenhar o cenário para a disputa nacional deste ano. A senadora de centro-direita Paloma Valencia saiu fortalecida ao vencer com ampla vantagem as primárias de seu campo político, que concentraram cerca de 83% dos votos entre as coalizões participantes, indicando uma mobilização mais intensa do eleitorado conservador. No Congresso, entretanto, o resultado voltou a produzir um parlamento fragmentado, sem maioria absoluta para nenhum bloco. O Pacto Histórico, do presidente Gustavo Petro, conquistou cerca de 25 cadeiras no Senado, seguido pelo Centro Democrático, com 17, enquanto partidos tradicionais como Liberal, Conservador e La U mantêm presença relevante. Esse equilíbrio tende a funcionar como um sistema de freios institucionais para conter propostas mais radicais, mas também reforça a necessidade de formação de coalizões para garantir governabilidade. Ainda assim, o arranjo político sugere que uma eventual coalizão envolvendo forças de centro e de direita tende a partir com alguma vantagem relativa, especialmente diante de um governo Petro que enfrenta níveis elevados de desgaste político (rejeição ao incumbente pós-pandêmica).

Com o primeiro turno presidencial marcado para 31 de maio e um eventual segundo turno em 21 de junho, o campo eleitoral começa a se consolidar em torno de seis ou sete candidatos competitivos. As pesquisas mais recentes apontam o senador de esquerda Iván Cepeda, aliado de Petro, como favorito no primeiro turno, com cerca de 34% das intenções de voto, seguido pelo conservador Abelardo de la Espriella, com aproximadamente 23%. Paloma Valencia, por sua vez, aparece mais atrás nas sondagens, mas ganhou impulso após o resultado expressivo nas primárias. A disputa tende a se intensificar nas próximas semanas, sobretudo porque partidos tradicionais como Liberal e Conservador ainda não declararam apoio formal a nenhum candidato, podendo desempenhar papel decisivo na formação de alianças eleitorais.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No cenário-base, nenhum candidato deve atingir a maioria absoluta no primeiro turno, o que torna o segundo turno o momento decisivo da eleição, em um ambiente ainda marcado por fragmentação partidária e elevado número de eleitores indecisos. Nesse contexto, não seria surpreendente observar uma dinâmica semelhante à vista em outros países da região, como no Chile, em que o candidato associado ao governo lidera no primeiro turno, mas acaba sendo superado no segundo turno por uma coalizão mais ampla de centro e direita, movimento observado em outras disputas sul-americanas.

• 05:06 – Infraestrutura de IA sustenta crescimento

A TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company) registrou crescimento de cerca de 30% nas vendas, alcançando US$ 22,63 bilhões em receita nos dois primeiros meses de 2026, refletindo a forte demanda por chips utilizados em data centers e na infraestrutura ligada à inteligência artificial. Como já destaquei anteriormente, a empresa é a maior fabricante de semicondutores sob contrato do mundo, responsável por produzir chips avançados para gigantes da tecnologia como Nvidia, AMD, Broadcom e Apple. Por isso, ocupa uma posição absolutamente central na cadeia global de tecnologia, especialmente na produção dos processadores mais sofisticados utilizados em aplicações de IA.

Os resultados reforçam que, apesar das preocupações recentes envolvendo riscos geopolíticos e possíveis discussões sobre excesso de capacidade futura no setor, as grandes empresas de tecnologia continuam ampliando seus investimentos em infraestrutura digital. Companhias como Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft planejam investir, juntas, mais de US$ 650 bilhões em 2026, o que sustenta uma demanda robusta por semicondutores avançados. Ainda assim, os investidores acompanham com atenção os desdobramentos das tensões geopolíticas e eventuais sinais de desaceleração na expansão de data centers, fatores que poderiam afetar o ritmo de encomendas de chips.

Mesmo diante dessas incertezas, os números recentes indicam que a demanda estrutural por chips voltados à inteligência artificial permanece extremamente forte, o que tende a beneficiar empresas líderes da cadeia de semicondutores. Nesse contexto, as ações da TSMC (BDR: TSMC34) continuam bem-posicionadas, sustentadas por seu domínio tecnológico e por sua posição estratégica como principal fornecedora global de chips avançados. Trata-se de um ativo que segue fazendo sentido como complementar a uma carteira internacional de ações, especialmente para investidores que buscam exposição a um dos principais vetores de crescimento global. Sempre, claro, dentro de uma carteira diversificada e respeitando os limites de risco adequados ao perfil de cada investidor.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.