A aversão ao risco ganhou tração adicional nos mercados globais diante dos temores de disrupção tecnológica, catalisados pelo lançamento de uma nova ferramenta de inteligência artificial da Anthropic, que desencadeou vendas expressivas em ações de software, serviços financeiros e gestão de ativos (já batizado pelo mercado de “SaaSpocalypse”).
Em paralelo, o Bitcoin passou por uma correção intensa, recuando ao menor nível desde a reeleição de Donald Trump e apagando quase US$ 500 bilhões do valor total do mercado de criptomoedas em menos de uma semana. O ajuste ocorreu em um ambiente de elevada volatilidade, que também atingiu metais preciosos como ouro e prata, recolocando em debate a narrativa do Bitcoin como “ouro digital”, uma vez que o ativo não atuou como proteção em um contexto de maior incerteza.
No pano de fundo, o cenário macroeconômico segue permeado por ruídos relevantes. As tensões entre Estados Unidos e Irã permanecem elevadas, com episódios militares pontuais provocando oscilações nos preços do petróleo, enquanto o shutdown parcial do governo americano foi encerrado sem gerar impactos materiais sobre os mercados.
Na Ásia, as bolsas encerraram o pregão sem direção única, após a forte recuperação recente perder fôlego — especialmente entre ações de tecnologia. Já na Europa, os mercados operam de forma mista, com os investidores aguardando as decisões de política monetária do Banco da Inglaterra e do Banco Central Europeu.
Em conjunto, esse quadro reforça um ambiente de maior instabilidade entre as classes de ativos, exigindo uma postura mais seletiva e disciplinada por parte dos investidores, cada vez mais sensíveis a choques geopolíticos, tecnológicos e de política monetária.
· 00:52 — Uma retomada de trabalhos empolgante
No Brasil, o Ibovespa voltou a se destacar no cenário global e renovou máximas históricas, sustentado principalmente pelo forte fluxo de capital estrangeiro e pela crescente convicção do mercado em um corte inicial mais agressivo da Selic, de 50 pontos-base, em março — leitura coerente com os sinais deixados pela ata do Copom.
Nem mesmo a confirmação da indicação de Guilherme Mello para a diretoria do Banco Central, anunciada pelo ministro Fernando Haddad, foi suficiente para azedar o humor do mercado. Ainda assim, persistem ressalvas relevantes entre os investidores, sobretudo em relação ao perfil mais acadêmico do indicado (o Copom está distante do mercado) e ao seu histórico associado a uma visão econômica mais heterodoxa.
Em paralelo, o noticiário fiscal voltou a pesar. A Câmara dos Deputados aprovou reajustes salariais aos servidores do Executivo e do Legislativo. Apenas no Executivo, o impacto estimado é de cerca de R$ 4,3 bilhões já em 2026; no Legislativo, a proposta inclui licenças compensatórias que custam aproximadamente R$ 800 milhões e permitem remunerações acima do teto constitucional.
Como se não bastasse, a Câmara também aprovou a criação de 16,3 mil cargos no Ministério da Educação, 1.500 no Ministério da Gestão e a instalação de um novo instituto federal na Paraíba, adicionando um impacto fiscal adicional estimado em R$ 5,3 bilhões a partir de 2026.
O conjunto dessas medidas reforça a leitura de ampliação relevante de gastos em um ano marcado por iniciativas de forte apelo eleitoral, como o programa Gás do Povo e a proposta de isenção do imposto de renda para rendas de até R$ 5 mil.
Diante desse quadro, torna-se impensável vislumbrar qualquer melhora significativa da credibilidade fiscal no curto prazo. O orçamento brasileiro vem se consolidando como uma espécie de bomba-relógio, com um ajuste fiscal inadiável já contratado para 2027. A grande incógnita não é se esse ajuste virá, mas se ele será conduzido com a convicção necessária — quanto mais se posterga, maior tende a ser a conta a ser paga.
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· 01:46 — SaaSpocalypse
O sentimento dos investidores globais em relação às ações de software se deteriorou de forma abrupta, com investidores migrando rapidamente do ceticismo para uma postura de venda ampla, diante do receio de que a inteligência artificial venha a corroer modelos tradicionais de negócios — em especial no universo de software como serviço (SaaS).
O gatilho mais recente foi o lançamento, pela Anthropic, de uma ferramenta de produtividade voltada a advogados internos, o que provocou quedas expressivas em empresas de software jurídico e provedores de dados, espalhando a aversão a risco por todo o setor. O movimento ganhou até um rótulo entre operadores, a chamada “SaaSpocalypse”, em referência à intensidade e à velocidade da correção.
A pressão vendedora não ficou restrita ao segmento de software e acabou se estendendo a serviços financeiros e à gestão de ativos, indicando um questionamento mais amplo sobre cadeias de valor intensivas em informação. Até mesmo pilares centrais do atual ciclo de investimentos em IA passaram a ser reavaliados, com o mercado reagindo à sinalização de que o aporte da Nvidia na OpenAI pode ser menor do que o inicialmente esperado. O episódio reforçou a percepção de que a disrupção promovida pela inteligência artificial é concreta, acelerada e potencialmente dolorosa para diversos segmentos, exigindo uma reprecificação mais criteriosa dos ativos.
· 02:31 — Shutdown encerrado
Nos Estados Unidos, o shutdown parcial do governo foi encerrado após a aprovação de um pacote de financiamento na Câmara dos Representantes dos EUA, reduzindo um foco imediato de incerteza institucional, embora novas disputas orçamentárias já estejam no horizonte.
No campo corporativo, a temporada de balanços segue intensa: os resultados mistos no setor de tecnologia sugerem que parte relevante das boas notícias associadas ao ciclo de IA já estava incorporada aos preços, o que tem provocado ajustes pontuais mesmo diante de números operacionais ainda sólidos.
· 03:27 — Evitando maiores problemas
A Espanha tornou-se o primeiro país europeu a impor uma proibição formal ao acesso de adolescentes às redes sociais, ao estabelecer que, a partir da próxima semana, menores de 16 anos não poderão utilizar diversas plataformas digitais.
A iniciativa integra um pacote regulatório mais amplo, cujo objetivo é ampliar a responsabilização das empresas de tecnologia pelos potenciais danos causados aos usuários, especialmente os mais jovens. Com essa decisão, a Espanha se aproxima de movimentos já adotados pela Austrália, enquanto França e outros países do continente avaliam restrições semelhantes, reforçando a leitura de um endurecimento regulatório gradual e coordenado sobre o setor de tecnologia e plataformas digitais na Europa.
No Brasil, iniciativas em linha com esse movimento já foram adotadas, assim como em diversos outros países ao redor do mundo. A aplicação prática dessas novas regras, contudo, tem se mostrado complexa, seja pelos desafios de fiscalização, seja pelas limitações técnicas e jurídicas envolvidas na regulação de plataformas digitais globais.
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· 04:13 — Nova dinâmica internacional
A expiração do Tratado Novo START nesta semana simboliza o encerramento de mais de cinco décadas de tentativas formais de limitar os arsenais nucleares de Estados Unidos e Rússia, abrindo espaço para o risco concreto de uma nova corrida armamentista entre grandes potências.
O acordo, que estabelecia um teto de 1.550 ogivas nucleares implantadas por país e sustentava um sistema abrangente de inspeções, notificações e trocas de dados, vinha sendo progressivamente esvaziado desde a invasão da Ucrânia, quando Moscou suspendeu sua participação. Embora Vladimir Putin tenha sinalizado disposição para manter voluntariamente os limites e Donald Trump tenha classificado a proposta como “interessante”, o processo negociador permanece travado. Na prática, a ausência de confiança mútua — somada à interrupção dos mecanismos de verificação — reduz de forma significativa o valor e a credibilidade de qualquer compromisso informal entre as partes.
Mais do que o fim de um tratado específico, o episódio expõe um enfraquecimento estrutural do regime global de controle de armas, agravado pelo desenvolvimento, por parte da Rússia, de novos sistemas nucleares fora do escopo do acordo, pelos planos americanos de ampliação da defesa antimíssil e pela rápida expansão do arsenal da China.
Com Estados Unidos e Rússia ainda concentrando cerca de 86% das armas nucleares do planeta e Pequim resistindo a qualquer negociação antes de alcançar paridade estratégica, o risco passa a ser o de uma dinâmica de competição mais ampla, onerosa e instável. Nesse contexto, o enfraquecimento — ou desaparecimento — de mecanismos de transparência e verificação eleva a probabilidade de erros de cálculo, amplia a incerteza estratégica e adiciona um vetor relevante de risco geopolítico a um ambiente global já marcado por desconfiança, rivalidade entre grandes potências e fragmentação das alianças internacionais.
· 05:08 — Novo CEO
A Walt Disney Company anunciou Josh D’Amaro como seu novo CEO, que assumirá o comando após a assembleia anual de 18 de março, sucedendo Bob Iger. Atual responsável pela divisão de parques, resorts e cruzeiros, D’Amaro chega ao cargo após consolidar essa unidade como o principal motor de geração de resultados da Disney, com lucro recorde próximo de US$ 10 bilhões no último trimestre. Em paralelo, Dana Walden, vista como a principal alternativa, foi promovida a presidente e diretora de criação, reforçando o processo de reorganização da liderança executiva.
A escolha reflete…