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Investimentos

Ibovespa hoje: IPCA de janeiro, recuperação do setor de tecnologia, commodities nos holofotes e mais; veja os destaques desta terça (10)

No último pregão, o Ibovespa apresentou forte alta de 1,8% e encerrou o pregão acima dos 186 mil pontos; veja o que esperar para hoje

Por Matheus Spiess

10 fev 2026, 09:53

Atualizado em 10 fev 2026, 10:03

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Imagem: iStock/ Andrey Sarapulov

As bolsas asiáticas voltaram a renovar máximas, apoiadas pela recuperação do setor de tecnologia nos Estados Unidos e, no caso do Japão, ainda pelo impulso adicional trazido pela vitória eleitoral de Sanae Takaichi, que ajudou a levar o Nikkei a novos recordes.

O pano de fundo é de rotação mais construtiva para ativos de risco: após o ajuste recente, a tecnologia ensaia uma recomposição, enquanto as commodities também voltam a ganhar protagonismo.

O ouro permanece acima de US$ 5.000 por onça, e cresce a leitura de que petróleo e metais seguem estruturalmente subinvestidos. Ainda assim, a abertura do dia sugere cautela: os futuros nos EUA e na Europa oscilam levemente, com o mercado aguardando dados importantes, como vendas no varejopayroll e inflação, que devem calibrar as expectativas para juros. 

· 00:55 — Estrangeiro ignora incerteza política 

No Brasil, o dia começa com atenção redobrada à agenda de indicadores, em especial à divulgação do IPCA de janeiro. A inflação oficial avançou 0,32% no mês, praticamente em linha com os 0,33% registrados em dezembro, enquanto o acumulado em 12 meses acelerou para cerca de 4,44%.

Apesar de marginalmente acima das projeções — que apontavam para 0,32% no mês e 4,43% no acumulado —, o dado, por si só, tende a ter impacto limitado sobre as expectativas para a próxima reunião do Copom, preservando o cenário-base de início do ciclo de cortes em março.

Ainda assim, a surpresa, embora pequena, pode reforçar uma postura um pouco mais cautelosa, deslocando parte das apostas para um corte inicial de 25 pontos-base, especialmente à luz do tom mais duro do que o esperado adotado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na véspera.

Por isso, o mercado acompanhará de perto suas próximas sinalizações ao longo da semana, com destaque para sua participação prevista para amanhã em evento do banco BTG Pactual. 

Nesse contexto, a CEO Conference do BTG, que começa hoje, deve concentrar parte relevante do noticiário econômico e político. O evento reúne nomes de peso, como Fernando Haddad, Scott Bessent, além de gestores reconhecidos — André Jakurski, Luis Stuhlberger e Rogério Xavier — e outras lideranças políticas, como Hugo Motta e Flávio Bolsonaro. A conferência pode ser acompanhada online e gratuitamente, mediante cadastro neste link: https://l.btgpactual.com/3NZ0kAZ. 

Paralelamente, o calendário eleitoral começa a ganhar mais densidade, com a divulgação de pesquisas ao longo da semana e o avanço de pautas sensíveis, como a proposta de mudança na escala 6×1, defendida pelo governo, que teria impactos relevantes sobre produtividade e custos da economia.

Ainda assim, por ora, o fluxo de capital estrangeiro segue firme, impulsionando o Ibovespa a um novo recorde acima dos 186 mil pontos e levando o dólar à mínima em 21 meses, abaixo de R$ 5,20 — movimento reforçado pela bem-sucedida captação externa do Tesouro Nacional, que levantou US$ 4,5 bilhões em sua primeira operação do ano. Cedo ou tarde, porém, a política tende a ganhar maior peso na precificação dos ativos de risco, testando a resiliência desse movimento recente. 

· 01:41 — Tom levemente mais construtivo 

Nos Estados Unidos, após a ansiedade da semana passada em torno da inteligência artificial, os mercados voltaram a exibir um tom mais construtivo. O apetite por risco reapareceu e ajudou a sustentar uma recuperação em tecnologia, ao mesmo tempo em que outras áreas do mercado também ganharam tração — um comportamento que se parece mais com uma rotação de liderança do que com uma correção.  

Assim, os principais índices avançaram, com o Dow Jones renovando recordes, enquanto S&P 500 e Nasdaq foram apoiados por uma temporada de resultados robusta: 70% das empresas vêm superando as estimativas de receita e cerca de 75% as de lucro. 

Em paralelo, o mercado mostra sinais de ampliação de participação, com maior interesse também em bancos, varejo e setores mais cíclicos, em um contexto de consumo ainda resiliente e de um ciclo relevante de investimentos em bens de capital.

A semana, porém, segue carregada de pontos de teste: os dados de emprego (payroll) e inflação devem influenciar as expectativas para juros e o comportamento da curva. E, no pano de fundo, anúncios como a captação bilionária da Alphabet para financiar investimentos em IA por meio de um título de renda fixa com vencimento em 100 anos ajudam a reforçar a leitura de tendência estrutural positiva, mas também mantêm vivo o debate sobre disciplina de capital e possíveis excessos neste novo ciclo tecnológico. 

· 02:39 — Nova onda de pressão 

O primeiro-ministro britânico Keir Starmer voltou a enfrentar forte pressão política após as revelações envolvendo a nomeação de um embaixador com vínculos a Jeffrey Epstein, episódio que reacendeu pedidos de renúncia — inclusive por parte da liderança trabalhista na Escócia — e culminou na saída de dois assessores centrais do governo.

Ainda assim, Starmer recebeu manifestações públicas de apoio de integrantes do gabinete, entre eles a chanceler Rachel Reeves, o que lhe garantiu algum alívio no curtíssimo prazo. Os mercados reagiram de maneira contida: os títulos públicos britânicos devolveram parte das perdas, enquanto a libra permaneceu pressionada, refletindo a cautela diante de uma crise política ainda longe de solução. 

Vale lembrar que o desgaste de Starmer não é recente. Apesar de ter chegado ao poder com uma vitória expressiva nas urnas, em 2024, o resultado foi amplamente lido menos como um endosso entusiasmado ao projeto trabalhista e mais como reflexo do esgotamento dos conservadores — marcado pelo episódio traumático do governo Liz Truss e pela incapacidade de Rishi Sunak de reconstruir a popularidade que o partido havia alcançado nas eleições anteriores sob Boris Johnson, em 2019. 

Desde a posse, sua popularidade caiu e cresce a percepção de que sua permanência no cargo até o fim do mandato está longe de ser garantida. Caso a crise se agrave, não se pode descartar a possibilidade de uma troca de liderança ainda este ano, o que recolocaria o Reino Unido em mais um ciclo de instabilidade política — um fator que tende a manter o prêmio de risco elevado e a limitar movimentos mais construtivos dos ativos. 

· 03:26 — Estratégia fiscal 

Os chineses sinalizaram a continuidade da postura fiscal expansionista em 2026, com déficit oficial projetado entre 4% e 4,2% do PIB — podendo chegar perto de 11% em uma métrica ampliada que inclui fundos governamentais — sustentado sobretudo pela maior emissão de títulos especiais nos níveis central e local; embora a escala do estímulo deva ser preservada, sua eficácia tende a diminuir, com multiplicadores de investimento em queda e medidas de consumo gerando impactos mais modestos, o que torna o desafio de sustentar o crescimento mais complexo e exige políticas mais bem calibradas, com o governo central assumindo maior protagonismo no impulso à atividade enquanto governos locais focam na absorção de dívidas, contenção de riscos e no fortalecimento gradual da renda e da confiança das famílias. 

· 04:18 — Voltou a brilhar 

Após um longo período marcado por pessimismo, repressão regulatória e desempenho fraco dos mercados, a China voltou de forma surpreendentemente rápida ao radar dos investidores desde 2025. Um dos catalisadores dessa mudança foi o evento DeepSeek, no começo do ano passado, cujo modelo de inteligência artificial de baixo custo funcionou como um divisor de águas para o sentimento em relação ao setor de tecnologia do país, em um movimento que coincidiu com a posse de Donald Trump nos Estados Unidos.

Ao longo do ano, o Hang Seng Index chegou a superar o S&P 500 em 9 pontos percentuais — a maior diferença desde 2017 —, sinalizando uma reprecificação relevante dos ativos chineses após anos de desconto. 

Essa inflexão no mercado levou investidores institucionais a reavaliar estratégias. Muitos decidiram arquivar planos de vender participações em empresas de tecnologia chinesas, refletindo a melhora nas avaliações e no ambiente de risco. Em paralelo, pesquisas apontam aumento do apetite por fundos focados na China, com gestores passando a enxergar o país menos como um risco estrutural e mais como um instrumento relevante de diversificação geográfica de portfólio.  

· 05:07 — Ainda com espaço 

Barrick Mining (NYSE: B) entregou resultados robustos no 4T25, favorecidos pelo forte desempenho do ouro. A companhia reportou receita trimestral de US$ 6,0 bilhões, alta de 45% em relação ao 3T25, refletindo tanto o aumento de volumes — ouro (+15%) e cobre (+29%) — quanto preços mais de 20% superiores aos do trimestre anterior. Ao mesmo tempo, os custos de produção permaneceram controlados, o que permitiu um avanço expressivo da rentabilidade: o EBITDA ajustado atingiu US$ 3,1 bilhões (+53%), com margem de 64%, enquanto o lucro líquido ajustado somou US$ 1,75 bilhão, ou US$ 1,04 por ação, crescimento de 79% na comparação trimestral. No consolidado de 2025, mesmo com menor produção, o preço médio realizado do ouro — 46% superior ao de 2024 — levou a receita a crescer 31%, o EBITDA ajustado a avançar 57% e o lucro líquido ajustado a praticamente dobrar (+92%). 

Esse desempenho operacional robusto se traduziu em uma…

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.