Imagem: iStock/ Andrey Sarapulov
As bolsas asiáticas voltaram a renovar máximas, apoiadas pela recuperação do setor de tecnologia nos Estados Unidos e, no caso do Japão, ainda pelo impulso adicional trazido pela vitória eleitoral de Sanae Takaichi, que ajudou a levar o Nikkei a novos recordes.
O pano de fundo é de rotação mais construtiva para ativos de risco: após o ajuste recente, a tecnologia ensaia uma recomposição, enquanto as commodities também voltam a ganhar protagonismo.
O ouro permanece acima de US$ 5.000 por onça, e cresce a leitura de que petróleo e metais seguem estruturalmente subinvestidos. Ainda assim, a abertura do dia sugere cautela: os futuros nos EUA e na Europa oscilam levemente, com o mercado aguardando dados importantes, como vendas no varejo, payroll e inflação, que devem calibrar as expectativas para juros.
· 00:55 — Estrangeiro ignora incerteza política
No Brasil, o dia começa com atenção redobrada à agenda de indicadores, em especial à divulgação do IPCA de janeiro. A inflação oficial avançou 0,32% no mês, praticamente em linha com os 0,33% registrados em dezembro, enquanto o acumulado em 12 meses acelerou para cerca de 4,44%.
Apesar de marginalmente acima das projeções — que apontavam para 0,32% no mês e 4,43% no acumulado —, o dado, por si só, tende a ter impacto limitado sobre as expectativas para a próxima reunião do Copom, preservando o cenário-base de início do ciclo de cortes em março.
Ainda assim, a surpresa, embora pequena, pode reforçar uma postura um pouco mais cautelosa, deslocando parte das apostas para um corte inicial de 25 pontos-base, especialmente à luz do tom mais duro do que o esperado adotado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na véspera.
Por isso, o mercado acompanhará de perto suas próximas sinalizações ao longo da semana, com destaque para sua participação prevista para amanhã em evento do banco BTG Pactual.
Nesse contexto, a CEO Conference do BTG, que começa hoje, deve concentrar parte relevante do noticiário econômico e político. O evento reúne nomes de peso, como Fernando Haddad, Scott Bessent, além de gestores reconhecidos — André Jakurski, Luis Stuhlberger e Rogério Xavier — e outras lideranças políticas, como Hugo Motta e Flávio Bolsonaro. A conferência pode ser acompanhada online e gratuitamente, mediante cadastro neste link: https://l.btgpactual.com/3NZ0kAZ.
Paralelamente, o calendário eleitoral começa a ganhar mais densidade, com a divulgação de pesquisas ao longo da semana e o avanço de pautas sensíveis, como a proposta de mudança na escala 6×1, defendida pelo governo, que teria impactos relevantes sobre produtividade e custos da economia.
Ainda assim, por ora, o fluxo de capital estrangeiro segue firme, impulsionando o Ibovespa a um novo recorde acima dos 186 mil pontos e levando o dólar à mínima em 21 meses, abaixo de R$ 5,20 — movimento reforçado pela bem-sucedida captação externa do Tesouro Nacional, que levantou US$ 4,5 bilhões em sua primeira operação do ano. Cedo ou tarde, porém, a política tende a ganhar maior peso na precificação dos ativos de risco, testando a resiliência desse movimento recente.
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· 01:41 — Tom levemente mais construtivo
Nos Estados Unidos, após a ansiedade da semana passada em torno da inteligência artificial, os mercados voltaram a exibir um tom mais construtivo. O apetite por risco reapareceu e ajudou a sustentar uma recuperação em tecnologia, ao mesmo tempo em que outras áreas do mercado também ganharam tração — um comportamento que se parece mais com uma rotação de liderança do que com uma correção.
Assim, os principais índices avançaram, com o Dow Jones renovando recordes, enquanto S&P 500 e Nasdaq foram apoiados por uma temporada de resultados robusta: 70% das empresas vêm superando as estimativas de receita e cerca de 75% as de lucro.
Em paralelo, o mercado mostra sinais de ampliação de participação, com maior interesse também em bancos, varejo e setores mais cíclicos, em um contexto de consumo ainda resiliente e de um ciclo relevante de investimentos em bens de capital.
A semana, porém, segue carregada de pontos de teste: os dados de emprego (payroll) e inflação devem influenciar as expectativas para juros e o comportamento da curva. E, no pano de fundo, anúncios como a captação bilionária da Alphabet para financiar investimentos em IA por meio de um título de renda fixa com vencimento em 100 anos ajudam a reforçar a leitura de tendência estrutural positiva, mas também mantêm vivo o debate sobre disciplina de capital e possíveis excessos neste novo ciclo tecnológico.
· 02:39 — Nova onda de pressão
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer voltou a enfrentar forte pressão política após as revelações envolvendo a nomeação de um embaixador com vínculos a Jeffrey Epstein, episódio que reacendeu pedidos de renúncia — inclusive por parte da liderança trabalhista na Escócia — e culminou na saída de dois assessores centrais do governo.
Ainda assim, Starmer recebeu manifestações públicas de apoio de integrantes do gabinete, entre eles a chanceler Rachel Reeves, o que lhe garantiu algum alívio no curtíssimo prazo. Os mercados reagiram de maneira contida: os títulos públicos britânicos devolveram parte das perdas, enquanto a libra permaneceu pressionada, refletindo a cautela diante de uma crise política ainda longe de solução.
Vale lembrar que o desgaste de Starmer não é recente. Apesar de ter chegado ao poder com uma vitória expressiva nas urnas, em 2024, o resultado foi amplamente lido menos como um endosso entusiasmado ao projeto trabalhista e mais como reflexo do esgotamento dos conservadores — marcado pelo episódio traumático do governo Liz Truss e pela incapacidade de Rishi Sunak de reconstruir a popularidade que o partido havia alcançado nas eleições anteriores sob Boris Johnson, em 2019.
Desde a posse, sua popularidade caiu e cresce a percepção de que sua permanência no cargo até o fim do mandato está longe de ser garantida. Caso a crise se agrave, não se pode descartar a possibilidade de uma troca de liderança ainda este ano, o que recolocaria o Reino Unido em mais um ciclo de instabilidade política — um fator que tende a manter o prêmio de risco elevado e a limitar movimentos mais construtivos dos ativos.
· 03:26 — Estratégia fiscal
Os chineses sinalizaram a continuidade da postura fiscal expansionista em 2026, com déficit oficial projetado entre 4% e 4,2% do PIB — podendo chegar perto de 11% em uma métrica ampliada que inclui fundos governamentais — sustentado sobretudo pela maior emissão de títulos especiais nos níveis central e local; embora a escala do estímulo deva ser preservada, sua eficácia tende a diminuir, com multiplicadores de investimento em queda e medidas de consumo gerando impactos mais modestos, o que torna o desafio de sustentar o crescimento mais complexo e exige políticas mais bem calibradas, com o governo central assumindo maior protagonismo no impulso à atividade enquanto governos locais focam na absorção de dívidas, contenção de riscos e no fortalecimento gradual da renda e da confiança das famílias.
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· 04:18 — Voltou a brilhar
Após um longo período marcado por pessimismo, repressão regulatória e desempenho fraco dos mercados, a China voltou de forma surpreendentemente rápida ao radar dos investidores desde 2025. Um dos catalisadores dessa mudança foi o evento DeepSeek, no começo do ano passado, cujo modelo de inteligência artificial de baixo custo funcionou como um divisor de águas para o sentimento em relação ao setor de tecnologia do país, em um movimento que coincidiu com a posse de Donald Trump nos Estados Unidos.
Ao longo do ano, o Hang Seng Index chegou a superar o S&P 500 em 9 pontos percentuais — a maior diferença desde 2017 —, sinalizando uma reprecificação relevante dos ativos chineses após anos de desconto.
Essa inflexão no mercado levou investidores institucionais a reavaliar estratégias. Muitos decidiram arquivar planos de vender participações em empresas de tecnologia chinesas, refletindo a melhora nas avaliações e no ambiente de risco. Em paralelo, pesquisas apontam aumento do apetite por fundos focados na China, com gestores passando a enxergar o país menos como um risco estrutural e mais como um instrumento relevante de diversificação geográfica de portfólio.
· 05:07 — Ainda com espaço
A Barrick Mining (NYSE: B) entregou resultados robustos no 4T25, favorecidos pelo forte desempenho do ouro. A companhia reportou receita trimestral de US$ 6,0 bilhões, alta de 45% em relação ao 3T25, refletindo tanto o aumento de volumes — ouro (+15%) e cobre (+29%) — quanto preços mais de 20% superiores aos do trimestre anterior. Ao mesmo tempo, os custos de produção permaneceram controlados, o que permitiu um avanço expressivo da rentabilidade: o EBITDA ajustado atingiu US$ 3,1 bilhões (+53%), com margem de 64%, enquanto o lucro líquido ajustado somou US$ 1,75 bilhão, ou US$ 1,04 por ação, crescimento de 79% na comparação trimestral. No consolidado de 2025, mesmo com menor produção, o preço médio realizado do ouro — 46% superior ao de 2024 — levou a receita a crescer 31%, o EBITDA ajustado a avançar 57% e o lucro líquido ajustado a praticamente dobrar (+92%).
Esse desempenho operacional robusto se traduziu em uma…