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Investimentos

Ibovespa hoje: paz no Oriente Médio ou mais uma escalada? Veja o que é destaque nesta segunda (6)

Os mercados retornam no Feriado de Páscoa com um respiro de otimismo, na esperança de um possível cessar-fogo entre EUA e Irã e reabertura de Estreito de Ormuz.

Por Matheus Spiess

06 abr 2026, 10:00

Atualizado em 06 abr 2026, 10:00

ibovespa B3 3t24 terceiro trimestre

Imagem: Paralaxis

Os mercados globais iniciam a semana após o feriado de Páscoa com um respiro pontual de otimismo, sustentado por rumores de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, mediado por países como Paquistão, Egito e Turquia, que contemplaria um cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Ormuz. Esse alívio, no entanto, convive com um pano de fundo ainda bastante frágil. O conflito segue em escalada, com troca de ataques diretos, destruição de infraestrutura e uma retórica cada vez mais dura por parte de Donald Trump, que passou a estabelecer novos prazos e ameaças explícitas ao Irã. Como consequência, o petróleo permanece em patamares elevados, enquanto os mercados continuam altamente dependentes do fluxo de notícias, alternando rapidamente entre momentos de maior apetite por risco e episódios de aversão.

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Ao mesmo tempo, o cenário econômico apresenta sinais mistos. O mercado de trabalho americano segue resiliente, com criação robusta de empregos e recuo da taxa de desemprego, indicando uma economia que ainda mantém fôlego. Por outro lado, a agenda da semana lá fora será crucial para dimensionar os efeitos do choque energético sobre a atividade, com destaque para os dados de inflação (CPI e PCE), o PIB e a ata do Federal Reserve. Indicadores antecedentes, como o PMI, já sugerem alguma perda de dinamismo, reforçando a leitura de um ambiente mais sensível.

· 00:58 — O custo para 2027

No Brasil, seguimos, em grande medida, acompanhando o humor do cenário internacional. Ainda assim, o principal destaque doméstico da semana será a divulgação do IPCA de março, na sexta-feira (10), que já pode começar a revelar, de forma mais concreta, os impactos do conflito sobre os preços na economia brasileira. Apesar da volatilidade recente, o saldo dos últimos dias tem sido positivo para o Ibovespa, que, entre movimentos de alta e baixa, acumulou valorização de 3,58% na semana passada, encerrando acima dos 188 mil pontos, um sinal de alguma resiliência dos ativos locais, mesmo diante de um ambiente global cada vez mais instável.

Do ponto de vista político, o calendário eleitoral começa a ganhar tração após o prazo de desincompatibilização de cargos, que marca a entrada em uma fase mais intensa do ciclo para 2026. Nesse contexto, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva prepara um pacote amplo de medidas com o objetivo de conter a queda de popularidade, combinando iniciativas para segurar os preços dos combustíveis com subsídios ao gás, energia elétrica e programas de renegociação de dívidas.

A preocupação central é o elevado endividamento das famílias, que pressiona a percepção econômica da população e exige respostas no curto prazo. No entanto, o desafio é evidente: diferentemente dos ciclos eleitorais de 2006, 2010 e 2014, quando o governo contava com aprovação líquida positiva, o cenário atual mostra um quadro desfavorável, com desaprovação superior à aprovação. O problema, contudo, é que o espaço de manobra é limitado. As medidas discutidas podem aliviar o ambiente no curto prazo, mas tendem a pressionar as contas públicas, elevar o risco inflacionário e dificultar o cumprimento das metas fiscais. Em outras palavras, o custo do ajuste fiscal, que já se mostra inevitável a partir de 2027, tende a ser ainda mais elevado.

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· 01:41 — Aguardando pelos dados de inflação

Os investidores retornam do feriado já preparados para um novo período de volatilidade, em um ambiente no qual a guerra com o Irã segue como principal vetor de humor dos mercados. As mensagens continuam ambíguas: de um lado, Donald Trump adota um tom mais duro; de outro, surgem iniciativas diplomáticas envolvendo um possível cessar-fogo, ainda com baixa probabilidade de avanço. Nesse contexto, até mesmo movimentos pontuais, como tentativas de navios atravessarem o estreito, passam a ser observados de perto, por funcionarem como sinais práticos do grau de normalização da oferta global de energia. Em paralelo, a agenda macro ganha relevância, com destaque para a ata do Federal Reserve e a divulgação do índice de inflação, que devem ajudar a calibrar a leitura sobre os impactos efetivos do choque do petróleo, podendo tanto reforçar quanto aliviar as preocupações dos investidores.

Apesar desse pano de fundo desafiador, os dados mais recentes ainda apontam para uma economia resiliente. O mercado de trabalho surpreendeu positivamente, com forte criação de vagas, enquanto indicadores de atividade industrial seguem em território de expansão, reduzindo, ao menos por ora, o risco imediato de recessão. Ainda assim, há sinais mais sutis de enfraquecimento: o crescimento dos salários vem desacelerando, indicadores como o JOLTS mostram menor dinamismo e o tempo médio de desemprego volta a subir, sugerindo uma perda gradual de fôlego. Em síntese, embora o quadro corrente ainda seja robusto, a combinação entre desaceleração marginal e pressão inflacionária vinda do petróleo mantém o cenário delicado, o que ajuda a explicar a postura mais cautelosa dos mercados.

· 02:37 — Acordo de Paz?

Há discussões em curso entre Estados Unidos, Irã e mediadores regionais sobre a possibilidade de um cessar-fogo temporário de 45 dias, interpretado como uma última tentativa de evitar uma escalada mais intensa do conflito. A proposta está estruturada em duas etapas: uma trégua inicial, que abriria espaço para negociações, seguida de um eventual acordo permanente. Embora sinais recentes tenham sido suficientes para melhorar momentaneamente o humor dos mercados, o cenário permanece delicado. O Irã já demonstrou resistência a um cessar-fogo limitado, sem garantias mais abrangentes, e as chances de um acordo imediato seguem reduzidas. As tratativas continuam ocorrendo de forma indireta, com a intermediação de países como Paquistão, Egito e Turquia, o que por si só reflete a complexidade do processo.

Paralelamente, o conflito atingiu seu momento mais sensível até aqui, com intensificação dos ataques, derrubada de aeronaves, ofensivas sobre infraestrutura energética e ameaças explícitas de escalada por parte de Donald Trump, que passou a estabelecer prazos e ampliar o leque de possíveis alvos, incluindo usinas e pontes no território iraniano. Do outro lado, o Irã reforça o discurso de retaliação, enquanto cresce o risco para o fornecimento global de petróleo, movimento já refletido na alta dos preços e na preocupação de países da OPEP. Nesse contexto, a combinação de mensagens contraditórias e prazos instáveis amplia a incerteza e mantém os mercados reféns de uma janela diplomática extremamente estreita, na qual as próximas horas tendem a ser determinantes para definir entre um processo de descompressão ou uma escalada adicional do conflito.

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· 03:25 — Um ano do “Dia da Libertação”

Um ano após as tarifas do chamado “Dia da Libertação”, os mercados globais exibem uma dinâmica que foge ao esperado. Economias que historicamente mais se beneficiaram da globalização, como China e Índia, apresentaram desempenho mais fraco, enquanto mercados emergentes e de fronteira, especialmente na África, América Latina e Europa Oriental, ganharam protagonismo. Em paralelo, Trump voltou a intensificar sua agenda comercial, com medidas como tarifas de até 100% sobre medicamentos importados e ajustes sobre metais, em um esforço para estimular a produção doméstica. Ainda assim, os efeitos práticos têm sido heterogêneos: ao mesmo tempo em que elevam a incerteza, essas políticas têm gerado impacto limitado sobre o investimento estrangeiro, à medida que empresas se adaptam por meio de acordos, reorganização de cadeias produtivas e realocação de produção.

Apesar disso, o foco dos mercados claramente mudou. As tarifas deixaram de ser o principal vetor de preocupação, dando lugar ao choque energético decorrente da guerra com o Irã. Mesmo em um ambiente mais desafiador, a economia americana segue demonstrando resiliência, com crescimento robusto dos lucros corporativos e avanços relevantes em setores estratégicos, como a manufatura associada à eletrificação e à inteligência artificial. Em síntese, embora as tensões comerciais e geopolíticas permaneçam no radar, o quadro atual sugere que os impactos das tarifas têm sido mais administráveis do que inicialmente se temia. Caso haja uma normalização do conflito no Oriente Médio, abre-se espaço para que a economia global evite uma desaceleração mais acentuada e retome uma trajetória mais estável.

· 04:11 — Uma relação deteriorada

A relação entre OTAN e Donald Trump voltou a se deteriorar, com o presidente chegando a cogitar a retirada dos EUA do tratado, em meio à frustração com a falta de apoio europeu no conflito com o Irã. Embora uma saída formal dependa de aprovação do Congresso, há diversas formas de enfraquecer a aliança sem rompimento direto, como reduzir presença militar ou limitar exercícios conjuntos. Esse cenário aumenta a pressão sobre países europeus para elevar seus gastos com defesa, especialmente diante da redução do suporte americano à Ucrânia e das tensões geopolíticas amplas.

Nesse contexto, a tendência é de maior investimento militar na Europa, possivelmente chegando a 5% do PIB até 2035, o que abre espaço para crescimento do setor de defesa no continente. Ao mesmo tempo, enquanto os Estados Unidos lidam com a necessidade de recompor estoques e redirecionar sua produção, empresas europeias podem operar com menos restrições e maior previsibilidade. Em síntese, a atual crise na OTAN não apenas revela fragilidades geopolíticas, mas também cria oportunidades relevantes para o setor de defesa europeu nos próximos anos.

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· 05:04 — Próximos passos

A Apple completou 50 anos consolidada como uma das companhias mais bem-sucedidas da história, resultado de uma trajetória marcada por produtos que redefiniram a forma como interagimos com a tecnologia. Do Macintosh ao iPod, até chegar ao iPhone, lançado em 2007 e ainda hoje seu principal motor de receitas, a empresa construiu um legado de inovação que transformou hábitos de consumo e comunicação. O iPhone, em especial, foi responsável por integrar diversas funções em um único dispositivo, mudando o cotidiano das pessoas e dando origem a um ecossistema robusto, no qual produtos como o Apple Watch e outros dispositivos conectados reforçam a fidelização do usuário e ampliam o valor ao longo do tempo.

O desafio daqui em diante é evidente: o iPhone, por mais dominante que ainda seja, não deve sustentar sozinho o crescimento da companhia indefinidamente, e o mercado já começa a questionar qual será o próximo grande ciclo de inovação. Ainda assim, a Apple segue avançando em novas frentes, como dispositivos dobráveis, computadores mais versáteis e soluções de realidade aumentada, ao mesmo tempo em que se apoia em um dos ecossistemas mais fortes e engajados do mundo. Em síntese, mesmo diante das incertezas naturais de uma empresa madura, a combinação de marca, capacidade de inovação e uma base de usuários altamente fiel preserva um potencial relevante de geração de valor, o que sustenta uma visão construtiva para as BDRs da companhia (AAPL34) no longo prazo.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.