Imagem: iStock/gesrey
Esta é uma semana de grande relevância para o cenário econômico brasileiro. Hoje (28), o Copom se reúne pela primeira vez em 2026 para definir os rumos da taxa básica de juros, a Selic.
Grande parte do mercado espera que, mais uma vez, a taxa seja mantida em 15% ao ano, mas há expectativas pelo início de um ciclo de cortes a partir das próximas reuniões, a depender dos sinais que a inflação brasileira oferecer.
Falando em inflação, o primeiro IPCA-15 (prévia oficial da inflação) deste ano foi divulgado ontem (27), e veio levemente abaixo do esperado: um aumento de 0,20%, enquanto o consenso do mercado estimava por 0,22% – sinalizando uma desaceleração.
Inflação e taxa de juros andam lado a lado. Afinal, os juros são um dos principais instrumentos utilizados pelo Banco Central para guiar a inflação do país rumo à meta.
Portanto, o que esperar da reunião do Copom de hoje? Será que o IPCA-15 abaixo do esperado poderia, de “última hora”, exercer alguma influência na próxima decisão de juros?
Larissa Quaresma, analista da Empiricus Research, respondeu à pergunta na edição de ontem (27) do programa Giro do Mercado, do Money Times.
IPCA-15 não muda expectativas de curto prazo, mas boas notícias podem vir em breve, segundo analista
Segundo Quaresma, o IPCA-15 abaixo do esperado “não muda o cenário de início de cortes da Selic dentro do primeiro trimestre”. A expectativa da casa é de que o primeiro corte, de fato, venha na reunião do Copom do mês de março.
O Copom mantém uma prática de deixar “recados nas entrelinhas” em sua ata, não apenas explicando sua última decisão, mas também dando dicas do que esperar da próxima. Porém, nas últimas, isso ocorreu com menos frequência.
“Da forma como o Banco Central vem guiando a comunicação pública, tirou-se o peso da necessidade de telegrafar o próximo movimento. A autoridade monetária faz isso quando quer mais flexibilidade para agir, quando o cenário está um pouco incerto”, afirma. O que sugere, de certa forma, uma estabilidade nos planos de médio prazo da condução monetária, independente dos indicadores desta semana.
Ibovespa: alta da Bolsa pode continuar mesmo com manutenção da Selic em 15% ao ano, segundo analista
De qualquer forma, mesmo com o corte de juros esperado para março (segundo projeções da Empiricus), a Bolsa brasileira já vem surfando uma onda positiva, parcialmente explicada pelo otimismo com o afrouxamento monetário que está por vir.
Desde a semana passada, o Ibovespa vem renovando máximas, e fechou o pregão de ontem (27) negociado acima dos 181 mil pontos.
Segundo Larissa Quaresma, apenas uma sinalização por parte do Copom hoje, que indique o corte em março, “já é um gatilho” para que a Bolsa mantenha a alta.
Além disso, a analista defende o fato de termos passado por um período longo de política contracionista, porque isso deve favorecer a economia no longo prazo.
“O lado bom do Banco Central ter segurado o corte de juros por tanto tempo, é que isso permite que o corte seja mais profundo e mais sustentável: juros menores por um período maior. Assegura uma convergência mais sólida da inflação à meta”, afirmou.
Após cortes de juros esperados em 2026, quando a inflação deve convergir à meta?
Da mesma forma como os indicadores de inflação desta semana não devem influenciar a reunião do Copom de hoje, a analista afirma que as decisões do Copom, por ora, não devem surtir efeito expressivo nos indicadores de inflação.
“As decisões de política monetária que o Banco Central toma hoje acabam importando mais para a inflação projetada no horizonte relevante, que é 2027”, afirmou.
Porém, mencionou uma informação “bônus” que deve ficar no radar: a Petrobras (PETR4), uma das empresas de maior peso na economia doméstica, anunciou reduções no preço da gasolina para distribuidoras, na segunda-feira (26).
“Isso tem o potencial de reduzir a projeção da inflação deste ano em 0,25%, o que é muito relevante para quem já está com a inflação projetada perto do teto da meta”, concluiu.
Segundo o último relatório Focus, também da segunda-feira, as expectativas de mercado apontam para o índice IPCA encerrando 2026 em 4%, abaixo do teto da meta, que é de 4,5% – e mais próximo da meta de 3%.
- Onde investir neste mês? Veja 10 ações em diferentes setores da economia para buscar lucros. Baixe o relatório gratuito aqui.